O Dia da Mentira, celebrado anualmente no dia 1º de abril, é um momento divertido em que pessoas, ao redor do mundo, pregam peças, contam histórias falsas e tentam enganar amigos e familiares de maneira bem-humorada. No entanto, por trás dessa tradição, há uma história fascinante que começou séculos atrás, repleta de mudanças no calendário e influências culturais.
A origem histórica
Embora mentir seja um ato presente em diversas culturas desde os primórdios da humanidade, a celebração do Dia da Mentira, como a conhecemos hoje, teve início no século XVI, com a instituição do Calendário Gregoriano, adotado pelo Papa Gregório XIII.
A mudança, realizada durante o Concílio de Trento (1545-1563), substituiu o antigo Calendário Juliano, ajustando o início do ano para 1º de janeiro, em vez de mantê-lo na época da Páscoa, como era feito anteriormente. Apesar da alteração, nem todos estavam dispostos a aceitá-la de imediato. Muitos franceses resistiram à nova data, mantendo a tradição de comemorar o Ano Novo no fim de março ou no início de abril.
Esses “resistentes” passaram a ser ridicularizados, chamados de “bobos de abril” – expressão que se tornaria sinônimo de tolice. Eles eram alvos de várias brincadeiras, como convites para festas fictícias ou presentes e cartões sem sentido, especialmente em 1º de abril, o último dia da antiga celebração do Ano Novo.
Essa prática de pregar peças se espalhou rapidamente pela Europa e, com o tempo, chegou a outros continentes. No Brasil, a tradição do Dia da Mentira começou a ganhar força em 1828, quando o jornal mineiro A Mentira publicou uma falsa notícia sobre a morte de Dom Pedro I, fato que, na verdade, aconteceria apenas anos depois, em 1834.
Desde então, os brasileiros passaram a adotar o 1º de abril para pregar peças, consolidando a data como uma espécie de “festividade” popular. O fenômeno também se expandiu para outros países, com diversos meios de comunicação participando das brincadeiras. Em Londres, por exemplo, a BBC já enganou seus telespectadores em 1980, ao anunciar que o Big Ben seria substituído por um novo relógio digital.
Nos Estados Unidos, a rádio National Public Radio (NPR) fez história em 1992 ao transmitir uma entrevista fictícia com o ex-presidente Richard Nixon, que alegava se candidatar novamente à presidência, provocando reações indignadas de ouvintes.
O papel da mídia
Embora o Dia da Mentira seja marcado por piadas e mentiras “inofensivas”, a data também pode ser usada para reflexões sobre as informações falsas em geral.
Ao longo da história, mentir tem sido considerado um ato negativo, com a famosa expressão “mentira tem pernas curtas” sendo um ensinamento comum em muitas famílias.
Mentir, especialmente no contexto de enganar outros para o próprio benefício, pode resultar em consequências graves, como na história política ou econômica, onde pode manipular a opinião pública e afetar decisões importantes.
Atualmente, com a chegada da internet, o 1º de abril tomou novas dimensões. Além das tradicionais brincadeiras, pessoas publicam notícias falsas com o intuito de enganar o público, por meio de redes sociais. As fake news, por exemplo, ganham maior visibilidade, gerando desinformação e causando impactos negativos.