Investimentos somaram R$ 480 milhões no distrito de Joaquim Murtinho, em Congonhas, na região Central; operação intermodal liga Minas aos portos do RJ e ES
Após 26 meses de obras e um investimento de R$ 480 milhões, o Grupo Avante, que controla as empresas Ferro Puro Mineração e GSM Mineração, inaugurou, no distrito de Joaquim Murtinho, em Congonhas, na região Central do Estado, um Centro de Distribuição de minério de ferro para interligar ferrovias. Chamado de Centro de Distribuição Avante (CDA), o terminal, que é intermodal, cria uma ligação viável entre Minas Gerais e os portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
Com capacidade para movimentar 12 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, o centro de distribuição opera como um ponto de interseção ao conectar as principais ferrovias do Estado: Vitória a Minas (Vale), Centro-Atlântica (VLI) e Malha Regional Sudeste (MRS), e também à BR-040, agilizando o escoamento da produção.
Conforme explica o sócio e diretor do Grupo Avante, Guilherme Lobato, o terminal tem estrutura para atender tanto o setor rodoviário quanto o ferroviário de cargas ao receber, armazenar e distribuir minério de ferro com eficiência e inteligência logística. “É um escoamento imensurável. Ele nasceu para suportar nossas operações, mas como existe capacidade adicional, vai atender também ao mercado”, diz Lobato.
Na prática, conforme ressalta Lobato, as linhas ferroviárias que antes não tinham comunicação, passam, agora, a estar interligadas, proporcionando um escoamento mais rápido entre Minas Gerais e os portos do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Isso porque o terminal intermodal possui localização estratégica com acesso facilitado a rodovias e ferrovias, funcionando como um ponto de confluência das principais malhas de transportes, o que facilita chegada e saída de cargas.

Outra característica importante da moderna estrutura logística ressaltada pelo diretor do Grupo Avante é o fato dela operar em bitola mista. Ou seja, atendendo as diversas ferrovias que passam por Minas Gerais e que possuem características diferentes. “O sistema ferroviário brasileiro, principalmente as linhas que passam pelo Estado, possuem trilhos – a que chamamos bitolas – de tamanhos diferentes. Esse terminal conseguirá atender tanto as ferrovias de bitola métrica quanto as de bitola estreita”, afirmou.
Geração de emprego e impacto social
Além disso, o novo terminal gera uma expectativa de fortalecimento da economia local, movimentando comércios e serviços. Conforme informa o Grupo Avante, a construção do terminal envolveu 1500 trabalhadores durante as obras. E, agora, na fase operacional, conta com aproximadamente 250 empregos diretos e 750 indiretos.
Também foram promovidos programas de capacitação profissional, como o curso para operadores de pá carregadeira, voltado não apenas ao CDA, mas ao mercado de trabalho regional.
Além disso, o empreendimento também tem movimentado fornecedores e negócios da região, gerando um efeito multiplicador na economia. É o caso da Padaria Estação do Pão, em funcionamento há oito anos na região.
Segundo o proprietário Junior Fernandes, há dois anos, com a chegada das obras do CDA, o negócio ganhou um novo perfil. Se antes ele dividia as vendas com outros cinco pontos comerciais do bairro, atendendo consumidores locais, a chegada da CDA ampliou a clientela e deu um novo perfil para as vendas da padaria.
“Antes eu dividia os clientes com outras padarias. Hoje, 80% do meu faturamento vem não só do CDA, mas de diversas empresas que eu passei a fornecer lanche. A CDA realmente abriu as portas para um novo caminho, dando espaço para todo mundo”, comenta.
FONTE: DIÁRIO DO COMÉRCIO