Por João Vicente
Dom Pedro II (1825-1891) nasceu às 2h30min do dia 2 de dezembro de 1825 no Palácio de São Cristóvão após um trabalho de parto que durou mais de cinco horas, foi considerado uma criança frágil e enferma. Ele herdou a epilepsia de seus parentes espanhóis da Casa de Bourbon. O segundo e último imperador do Brasil, ilho de D. Pedro I e da Imperatriz Leopoldina governou o Brasil por 58 anos (1831-1889). Em 1889 um golpe militar instalou a República e de forma covarde o governo militar republicano expulsou a família imperial do Brasil para o exílio na França em Paris onde morreu em 5 de dezembro de 1891. Seu funeral foi realizado em Paris e a sua morte foi manchete no mundo inteiro. O legado de D Pedro II foi marcado por diversas reformas e avanços que visavam modernizar o Brasil e promover a liberdade e a cidadania.
Biografia de Dom Pedro II
Dom Pedro II (1825-1891) foi o segundo e último Imperador do Brasil. Tornou-se príncipe regente aos cinco anos de idade quando seu pai Dom Pedro I abdicou do trono.
Com 15 anos foi declarado maior e coroado Imperador do Brasil. Seu reinado, que durou quase cinquenta anos, teve início no dia 23 de julho de 1840 e terminou no dia 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República.
Dom Pedro passou para a história como um intelectual e apreciador das artes. Foi considerado um dos soberanos mais cultos de sua época
Infância e educação

Dom Pedro II nasceu no Palácio de São Cristóvão na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, Brasil, no dia 02 de dezembro de 1825. Era filho do primeiro Imperador do Brasil Dom Pedro I e da Imperatriz Dona Maria Leopoldina. (O Palácio de São Cristóvão que abriga o Museu Nacional, foi destruído por um grande incêndio em 2018, hoje restaurado.)
Dom Pedro recebeu o nome de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança.
Sua mãe, a Imperatriz Dona Leopoldina, que já estava doente, faleceu em 1826, deixando Pedro aos cuidados da camareira-mor, Dona Mariana Carlota de Verna Magalhães futura condessa de Belmonte.
Pedro de Alcântara era o quarto filho do casal imperial, mas com a morte de seus irmãos mais velhos, tornou-se o herdeiro do trono do Brasil e, no dia 2 de agosto de 1826, foi reconhecido como herdeiro da coroa do império brasileiro.
Seu pai, o imperador Dom Pedro I, que vinha enfrentando severa oposição política, acusado de favorecer os interesses portugueses no Brasil, abdicou do trono no dia 7 de abril de 1831 e embarcou de volta a Portugal deixando Pedro como “regente” com apenas cinco anos de idade.
Dom Pedro II foi aclamado em 7 de abril de 1831, no dia da abdicação de seu pai. Foi apresentado ao povo por uma das janelas do paço da cidade, nos braços do seu tutor, José Bonifácio de Andrada e Silva.
Para guiar a educação de seu filho, Dom Pedro I nomeou José Bonifácio para o cargo de tutor do menino. Em 1833, José Bonifácio foi substituído por Manuel Inácio de Andrade Souto Maior, marquês de Itanhaém.
Para a educação do futuro imperador foram destacados mestres ilustres de seu tempo. Estudou português, literatura, francês, inglês, alemão, escrita e geografia, ciências naturais, desenho e pintura, piano e música, esgrima e equitação.
Período Regencial
Com a abdicação de Dom Pedro I e a menoridade do imperador, o Brasil foi governado por diferentes grupos que compunham a classe dominante e disputavam entre si o poder político.
O Período Regencial, que se estendeu por nove anos, de abril de 1831 a julho de 1840, atravessou quatro regências: Regência Trina Provisória, Regência Trina Permanente, Regência Uma de Feijó e Regência Uma de Araújo Lima.
O período das regências foi marcado pela violência e por conflitos sociais e políticos. As camadas miseráveis urbanas e rurais pegaram em armas e partiram para a luta armada, reivindicando melhores condições de vida.Entre os movimentos revolucionários ocorridos em diferentes províncias, destacam-se: a Cabanagem, a Sabinada, a Balaiada e a Guerra dos Farrapos.
Maioridade antecipada e coroação

Diante das rebeliões sociais que ameaçavam e amedrontavam a elite agrária, os progressistas (liberais) e os regressistas (conservadores), concluíram que somente a figura de um imperador com poderes absolutos poderia restabelecer a ordemEm 1834, Dom Pedro I faleceu em Portugal. Em 1840 começou a luta pela maioridade do imperador, então com 15 anos.
No dia 23 de julho de 1840, Pedro foi proclamado maior. O ato ficou conhecido como o Golpe da Maioridade. Com essa manobra, terminava o Período Regencial (1831-1840) e começava o Segundo Reinado. No dia 18 de julho de 1841 Dom Pedro II foi coroado Imperador.
O legado de D. Pedro II
D. Pedro II, imperador do Brasil de 1831 a 1889, deixou um legado significativo em diversas áreas, incluindo ciência, educação, saúde e infraestrutura, que moldaram o Brasil Imperial.
Ciência
D. Pedro II era um grande defensor da ciência e da cultura. Ele estabeleceu a Academia Brasileira de Ciências e incentivou expedições científicas, como a viagem de naturalistas às regiões amazônicas. Seu interesse em ciências naturais levou ao desenvolvimento de pesquisas em biologia, geologia e botânica. A criação do Museu Nacional do Brasil em 1818 e o apoio a instituições de ensino superior foram parte de seu esforço para promover o conhecimento científico.

Educação
Na esfera educacional, D. Pedro II acreditava na educação como um pilar para o progresso do país. Ele promoveu a criação de escolas públicas e a expansão do ensino superior, além de ter apoiado a sistematização da educação de base. A instituição do sistema de ensino primário e o incentivo à formação de professores foram fundamentais para a alfabetização da população e a disseminação do conhecimento.

Saúde
D. Pedro II também se preocupou com a saúde pública. Durante seu reinado, foram implementadas políticas de saneamento e saúde, especialmente em áreas urbanas. O imperador apoiou a fundação de hospitais, campanhas de vacinação e a promoção de práticas médicas mais avançadas. O ensino médico no Brasil foi marcado pelo seu patrocínio ativo à ciência e à educação, pelo apoio pessoal a estudantes e pela influência no desenvolvimento de instituições científicas. A história da Academia Nacional de Medicina e a trajetória de Dom Pedro II caminham lado a lado. Por quase 50 anos, o Imperador participou de sessões solenes, acompanhou debates científicos e apoiou o fortalecimento do ensino médico no Brasil.
Infraestrutura
A infraestrutura do Brasil Imperial também foi amplamente desenvolvida sob seu governo. Investimentos em ferrovias, estradas e telégrafo facilitaram a comunicação e o transporte entre as regiões do país. A abertura de novos caminhos e o estímulo à indústria foram cruciais para a integração nacional e o crescimento econômico.


Na época de D. Pedro II, as principais “estradas” construídas foram as ferrovias, impulsionando a modernização, com destaque para a Estrada de Ferro D. Pedro II (depois Central do Brasil), iniciada em 1858, ligando o Rio de Janeiro a Minas Gerais, e a Estrada de Ferro Mauá (1854), a primeira do país, além da inovadora Estrada União e Indústria (1861), a primeira rodovia pavimentada, conectando Petrópolis a Juiz de Fora.

O telégrafo chegou ao Brasil na década de 1850, durante o reinado de D. Pedro II, com a primeira linha ligando a Quinta da Boa Vista ao Campo de Santana, no Rio de Janeiro, visando modernizar o país e auxiliar na comunicação política e militar.

O legado de D. Pedro II em ciências, educação, saúde e infraestrutura não apenas modernizou o Brasil Imperial, mas também lançou as bases para o desenvolvimento do país nas décadas subsequentes. Seu compromisso com o progresso e a civilização ficou marcado na história do Brasil.
O golpe e o exílio


D. Pedro II, o último imperador do Brasil, foi deposto em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República. Após a deposição, ele e sua família foram forçados a deixar o Brasil e partiram para o exílio na Europa. O exílio de D. Pedro II e sua vida em Paris foram marcados por um misto de nostalgia e adaptação à nova realidade.
Vida no Exílio em Paris


“Neste Estabelecimento, viveu os seus últimos dias o imperador do Brasil, o Magnânimo D. Pedro II, grande patriota, protetor das ciências e das artes, amigo e fiel ao seu povo”.
Após a queda da monarquia, D. Pedro II chegou a Paris, onde estabeleceu sua residência no Hotel Redfort, onde faleceu em 5 de dezembro de 1891. morou no Hotel Redfort, onde faleceu em 5 de dezembro de 1891. A placa comemorativa na entrada do hotel .é uma homenagem a ele, um hóspede ilustre que lá residiu até sua morte. Ele foi acolhido de maneira amigável por muitos na capital francesa, que admiravam sua figura e seu legado como monarca. Durante seu tempo em Paris, D. Pedro II viveu modestamente em comparação com sua vida como imperador, mas ainda desfrutou de uma certa popularidade e dignidade.

Em Paris, o imperador se dedicou à sua paixão pela ciência e a cultura. Ele manteve relações com diversos intelectuais e cientistas da época, participando de conferências e eventos culturais. Apesar da saudade do Brasil e do deslocamento, D. Pedro II se envolveu em atividades acadêmicas e continuou a aprender, estudando história, sentimentos e questões científicas.
Saúde e Últimos Anos
Durante seus dois anos de exílio e ultimos de sua vida, Dom Pedro II se mostraria sempre disposto a retornar ao Brasil, se de lá o chamassem. Não manifestaria a menor sombra de despeito ou de rancor.
Nos últimos anos de sua vida, a saúde de D. Pedro II começou a se deteriorar. Ele sofreu com problemas respiratórios e outras complicações de saúde. O imperador passou a enfrentar um período de solidão e tristeza, especialmente pela ausência de sua filha, que permaneceu no Brasil e a quem era muito ligado.
Funeral e o seu descanso eterno no Brasil.
Em Paris



Preparação do corpo: Foi embalsamado, vestido com uniforme de Marechal, com insígnias imperiais, e seu caixão continha terra de todas as províncias brasileiras, solicitado por ele.
D. Pedro II faleceu em 5 de dezembro de 1891, em Paris, no exílio. Sua morte foi sentida não apenas entre seus familiares, mas também entre muitos que o respeitavam como um líder visionário e um homem de ciência. Ele foi enterrado no Cemitério de São Miguel, em St. Cloud, na França,
O cortejo fúnebre foi acompanhado por milhares de soldados e pessoas, seguindo até a estação de trem que o levou para Lisboa.
Em Lisboa sepultamento provisório. O corpo foi levado para Portugal e sepultado no Panteão dos Bragança, na Igreja de São Vicente de Fora, ao lado de D. Teresa Cristina.
No Brasil (Repatriação e Sepultamento Final): Foi embalsamado, vestido com uniforme de Marechal, com insígnias imperiais, e seu caixão continha terra de todas as províncias brasileiras, solicitado por ele. Chegada: Em 8 de janeiro de 1921, os restos mortais foram trazidos ao Brasil com grande pompa.
Mausoléu Imperial: Após um período no Rio de Janeiro, foram finalmente sepultados no Mausoléu Imperial da Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, em uma cerimônia em 1939, com a presença de Getúlio Vargas.
A Reação do Povo Brasileiro a Morte de Dom Pedro II
A possibilidade de rever a patria seria quase uma idéia fixa nele. De conspirações para o restabelecimento da Monarquia e de sua familia no trôno, nem queria ouvir falar.
Essa mesma esperança êle manifestaria mais tarde, naqueles versos: “Sereno aguardarei no meu jazigo, A Justiça de Deus na voz da Historia.”
A Última Aparição Pública de Dom Pedro II foi no dia 23 de novembro, uma segunda-feira, havia sessão na Academia das Ciencias da França. Tratava-se de eleger um novo membro. O Imperador não quiz furtar-se ao dever de associado : foi votar. Ao saír do palacio Mazarino, a mudança brusca de temperatura provocou-lhe um ligeiro resfriamento. Não lhe deu, porém, maior importancia. porém o resfriado evoluiu para pneumonia grave durante os dias seguintes, que acabou matando Dom Pedro II no dia 05 de Dezembro de 1891. O Presidente da França lhe deu um funeral com honras de Chefe de Estado
Apos a chegada da notícia do falecimento de Dom Pedro II, os membros do governo Floriano Peixoto, “temerosos da grande repercussão que tivera a morte do imperador”, negaram qualquer manifestação oficial. Contudo, a população não ficou indiferente ao falecimento de Pedro II, pois a “repercussão no Brasil foi também imensa, apesar dos esforços do governo para a abafar. Houve manifestações de pesar em todo o país: comércio fechado, bandeiras a meio pau, toques de finados, tarjas pretas nas roupas, ofícios religiosos”. Foram realizadas “missas solenes por todo o país, seguidas de pronunciamentos fúnebres em que se enalteciam D. Pedro II e o regime monárquico”.
Grandes figuras da política brasileira compareceram ao Funeral em Paris; O senador Gaspar da Silveira Martins chegou logo após a morte do Imperador e, quando viu o corpo de seu velho amigo, chorou convulsivamente.
D. Pedro II faleceu em 5 de dezembro de 1891, em Paris, no exílio. Sua morte foi sentida não apenas entre seus familiares, mas também entre muitos que o respeitavam como um líder visionário e um homem de ciência. Ele foi enterrado no Cemitério de São Miguel, em St. Cloud, na França, e mais tarde seus restos mortais foram trasladados para o Brasil em 1921, onde foram sepultados no mausoléu de sua família na cidade do Rio de Janeiro
O funeral de D. Pedro II, após sua morte no exílio em Paris, em 5 de dezembro de 1891, foi um evento grandioso na Igreja da Madeleine, com honras imperiais da França devido à recusa do Brasil republicano; seu corpo foi depois sepultado em Lisboa e, repatriado ao Brasil, em 8 de janeiro de 1921, os restos mortais foram trazidos ao o Rio de Janeiro com grande pompa. Após um período no Rio de Janeiro no Mausoléu Imperial foram finalmente sepultados no Mausoléu Imperial da Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, em uma cerimônia em 1939, com a presença de Getúlio Vargas. O mausoléu, em estilo neogótico, abriga D. Pedro II, D. Teresa Cristina, a Princesa Isabel e outros membros da família imperial.







