Radares inteligentes ampliam o monitoramento nas estradas e elevam o rigor contra ultrapassagens proibidas, influenciando diretamente a segurança viária e o comportamento dos motoristas em rodovias movimentadas.
Os radares inteligentes já começam a mudar a rotina de quem dirige pelas rodovias brasileiras.
Com sensores, câmeras de alta definição e leitura automática de placas, esses equipamentos passaram a flagrar não só o excesso de velocidade, mas também ultrapassagens em faixa contínua e outras manobras de risco, gerando multas pesadas e ampliando a sensação de fiscalização permanente nas estradas.
Nas últimas temporadas de feriados e viagens, órgãos de trânsito intensificaram a instalação desse tipo de tecnologia em trechos considerados críticos, sobretudo em pistas simples, curvas fechadas, aclives e declives com alta ocorrência de colisões frontais.
A proposta é clara: reduzir manobras proibidas, cortar o número de acidentes graves e diminuir o total de mortes em rodovias federais e estaduais.
Ao mesmo tempo, a fiscalização eletrônica passa a operar integrada a centrais de monitoramento.
Cada infração registrada gera um conjunto de dados com imagens, horário, local e placa do veículo, que é encaminhado automaticamente aos sistemas dos Detrans, departamentos de estradas e Polícia Rodoviária Federal, sem necessidade de abordagem presencial.
Funcionamento dos radares inteligentes nas rodovias
Os novos equipamentos combinam sensores no pavimento, câmeras e softwares de reconhecimento de padrões.
Nos chamados radares de faixa contínua, usados especificamente para coibir ultrapassagens proibidas, os sensores identificam quando o veículo cruza a linha onde a manobra é vedada; a câmera registra a situação e o sistema associa automaticamente a imagem à placa.
Em seguida, o registro é enviado ao banco de dados do órgão de trânsito responsável pelo trecho.
Depois de validada, a autuação entra no sistema e o motorista é notificado pelos canais oficiais, como correspondência, aplicativos ou portais de serviço digital.
Esse fluxo reduz o intervalo entre a infração e a ciência da multa, tornando a punição mais rápida e previsível.
Nem todos os radares, porém, se limitam a controlar velocidade ou ultrapassagem.
Modelos mais modernos conseguem verificar avanço de sinal vermelho, uso indevido de faixas exclusivas, não utilização do cinto de segurança e, em alguns locais, até o uso de celular ao volante, a partir da análise automática das imagens captadas.
Essa combinação de funções reforça a ideia de fiscalização 24 horas em trechos estratégicos das rodovias, diminuindo a dependência exclusiva da presença física de agentes e ampliando a cobertura da fiscalização para longas extensões de pista.
Ultrapassagem irregular e os riscos no trânsito
Mesmo com campanhas constantes, a ultrapassagem em faixa contínua continua entre as condutas mais perigosas no trânsito brasileiro.
O Código de Trânsito Brasileiro classifica esse comportamento como infração gravíssima, com multa multiplicada por cinco.
Hoje, o valor cobrado chega a R$ 1.467,35, além de somar sete pontos à Carteira Nacional de Habilitação.
Em caso de reincidência no período de 12 meses, a penalidade é aplicada em dobro, alcançando R$ 2.934,70.
Esses trechos de faixa contínua aparecem, em geral, em locais de baixa visibilidade, como curvas, pontes, aclives acentuados ou áreas com grande risco de colisão frontal.
Ainda assim, muitos condutores insistem na manobra, motivados por pressa, imprudência ou falsa percepção de segurança.
Dados recentes mostram que a imprudência segue como uma das principais causas de sinistros fatais nas estradas do país, e as ultrapassagens irregulares figuram entre os gatilhos recorrentes dessas ocorrências, segundo análises de segurança viária.
Em apenas um estado, a Polícia Rodoviária Federal já chegou a registrar mais de 14 mil multas anuais por ultrapassagem em local proibido, o que ilustra o tamanho do problema mesmo em recortes regionais.
No cenário nacional, estudos apontam que o Brasil soma, ao longo dos últimos anos, dezenas de milhares de mortes anuais no trânsito, apesar de contar com mais de 21 mil radares em operação, o que coloca o país entre os líderes mundiais em número de equipamentos de fiscalização.
Esse contraste reforça a avaliação de especialistas de que a tecnologia é condição necessária, mas não suficiente, para reduzir de forma consistente os sinistros mais graves.
Tecnologia como apoio à segurança viária
Experiências internacionais indicam que a presença de radares de velocidade e de fiscalização eletrônica está associada a reduções relevantes de acidentes graves.
Revisões de estudos apontam quedas que variam de 11% a 44% nos acidentes fatais ou com feridos graves em locais monitorados, dependendo do contexto e do tipo de via analisada.
No Brasil, órgãos de trânsito vêm ampliando o uso de videomonitoramento em tempo real, leitura automática de placas e sistemas integrados de câmeras e radares para identificar múltiplas infrações sem necessidade de abordagem direta.
Em alguns estados, esse modelo já fiscaliza, ao mesmo tempo, ultrapassagem proibida, não uso de capacete em rodovias estaduais e circulação irregular em trechos de maior risco.
Mesmo assim, especialistas insistem que o impacto mais duradouro sobre a segurança depende da combinação entre fiscalização eletrônica, engenharia de tráfego e educação.
Isso inclui melhorias de traçado, sinalização visível e limites de velocidade adequados, além de campanhas permanentes de conscientização voltadas para comportamentos como ultrapassagem forçada, excesso de velocidade e direção sob fadiga.
A lógica é que a tecnologia funciona como um desestímulo financeiro e jurídico às condutas de risco, mas a decisão de arriscar ou não uma ultrapassagem continua sendo tomada pelo motorista, em segundos, atrás do volante.
Resultados iniciais e desafios nas rodovias brasileiras
Relatórios de órgãos estaduais mostram que, em diversos trechos de rodovia onde a fiscalização foi reforçada com equipamentos eletrônicos e monitoramento contínuo, houve queda no número de acidentes e na gravidade dos sinistros ao longo dos últimos anos.
Em materiais divulgados por órgãos de trânsito e reproduzidos em portais especializados, a adoção de radares inteligentes em rodovias é frequentemente associada a uma “queda significativa” nas estatísticas de acidentes em trechos monitorados, especialmente onde as ultrapassagens perigosas eram frequentes.
Ainda assim, a quantidade total de sinistros no país permanece elevada, o que leva analistas a defender a continuidade dos investimentos em fiscalização e, ao mesmo tempo, em soluções estruturais, como correção de pontos críticos, melhoria de pavimento, implantação de terceira faixa em aclives e reforço de barreiras físicas para separar fluxos opostos de tráfego.
Os novos radares aparecem, nesse contexto, como uma camada adicional de proteção.
Eles aumentam a chance de punição imediata para quem insiste em ultrapassagens proibidas, dão mais previsibilidade às ações de fiscalização e ajudam a direcionar políticas públicas, ao gerar dados detalhados sobre onde e quando as infrações ocorrem.
FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS




