Produtores rurais afetados pelo desastre de Mariana podem acessar um programa que leva micro usinas fotovoltaicas a 36 municípios, reduzindo despesas com energia solar e fortalecendo a recuperação produtiva no Rio Doce.
5 de novembro de 2015 entrou para a história como a data do rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, considerado o maior desastre socioambiental do Brasil. Quase uma década depois, novas ações começam a sair do papel dentro do Acordo de Reparação do Rio Doce.
Entre elas, está a possibilidade de produtores rurais atingidos receberem micro usinas fotovoltaicas, uma medida que pode reduzir custos com energia solar, fortalecer a retomada produtiva e criar bases mais sustentáveis para o desenvolvimento rural em 36 municípios mineiros.
Produtores rurais atingidos e a resposta imediata do acordo
Segundo matéria publicada pelo portal Uai nesta segunda-feira (5), a iniciativa representa um avanço concreto na reparação econômica e produtiva das áreas atingidas. Lançado pelo Governo de Minas Gerais, o edital prevê o cadastramento de imóveis rurais elegíveis à instalação dos sistemas fotovoltaicos, com execução da Emater-MG. A estimativa é que, ao todo, mais de 1.500 propriedades possam ser beneficiadas, com inscrições abertas até 31 de dezembro de 2026.
Os produtores rurais que vivem nas margens do Rio Doce foram diretamente impactados pelo desastre ocorrido em Mariana. Além da contaminação ambiental, muitos enfrentaram perda de produtividade, danos à infraestrutura e aumento dos custos operacionais. Nesse cenário, a reparação não poderia se limitar a indenizações financeiras pontuais.
O Acordo de Reparação do Rio Doce passou a incorporar medidas estruturantes, voltadas à reconstrução econômica de longo prazo. Por isso, a inclusão das micro usinas fotovoltaicas surge como uma solução estratégica, capaz de gerar impacto positivo contínuo na renda e na competitividade dessas propriedades. Segundo a Emater-MG, o projeto está previsto no Anexo 18 do acordo, reforçando que a iniciativa faz parte de compromissos formais assumidos na repactuação do desastre de Mariana.
Micro usinas fotovoltaicas como ferramenta de recuperação produtiva
A instalação de micro usinas fotovoltaicas permite que a propriedade rural gere sua própria eletricidade a partir da energia solar, compensando o consumo junto à concessionária. Dessa forma, os gastos mensais com energia elétrica são reduzidos de maneira significativa.
Para os produtores rurais, essa economia representa mais do que alívio financeiro. Ela cria previsibilidade, fundamental para planejar safras, investir em equipamentos e diversificar atividades. Em regiões que ainda se recuperam dos impactos de Mariana, essa estabilidade é essencial para a retomada econômica.
Outro diferencial do programa é o suporte técnico completo. Assim, o produtor não precisa se preocupar com burocracias ou custos iniciais, já que o projeto inclui parecer de acesso à rede, fornecimento dos equipamentos e instalação do sistema fotovoltaico.
Energia solar no campo e redução estrutural de custos
A energia solar vem se consolidando como uma das fontes mais competitivas da matriz elétrica brasileira, especialmente no meio rural. Além de limpa e renovável, ela oferece previsibilidade de custos, fator decisivo para atividades agrícolas.
Com as micro usinas fotovoltaicas, os produtores rurais reduzem a dependência da rede convencional e ficam menos expostos a reajustes tarifários. Consequentemente, a margem de lucro melhora, mesmo em períodos de instabilidade econômica ou climática. No contexto pós-desastre de Mariana, essa redução estrutural de custos contribui diretamente para a viabilidade das propriedades, fortalecendo a economia local e regional.
Quem pode acessar as micro usinas fotovoltaicas do programa
O edital estabelece critérios claros para participação. Os produtores rurais devem possuir imóveis localizados a até 100 metros da mancha de inundação definida pelo acordo. Além disso, é necessário ter Cadastro Ambiental Rural regularizado e padrão de energia elétrica instalado.
A iniciativa contempla 36 municípios mineiros atingidos pelo rompimento, incluindo Mariana, Barra Longa, Governador Valadares, Ipatinga, Ponte Nova, Rio Doce, Timóteo e Resplendor. Dessa maneira, o alcance do programa é amplo e alinhado à extensão dos danos causados pelo desastre.
O processo de inscrição é feito diretamente nos escritórios da Emater-MG. Assim, os produtores recebem orientação técnica desde o cadastramento até a efetiva instalação da energia solar na propriedade.
Produtores rurais, energia solar e a retomada das atividades produtivas
A chamada pública integra o Programa de Resposta a Enchentes e Recuperação Ambiental e Produtiva das Margens do Rio Doce, que será implementado entre 2025 e 2030. Isso demonstra que a política pública tem horizonte de médio prazo e foco estruturante.Play Video
Para os produtores rurais, a adoção da energia solar vai além da economia imediata. Ela permite a retomada e a diversificação das atividades produtivas, criando novas possibilidades de geração de renda no campo.
Além disso, as micro usinas fotovoltaicas contribuem para a permanência das famílias no meio rural, reduzindo a vulnerabilidade econômica e fortalecendo o tecido social das regiões atingidas por Mariana.
Acordo de Reparação do Rio Doce e investimentos previstos
Firmado em outubro de 2024, o Acordo de Reparação do Rio Doce reúne os governos de Minas Gerais, Espírito Santo e Federal, além de instituições de Justiça e das empresas responsáveis pelo rompimento da barragem em Mariana.
O acordo prevê mais de R$ 81 bilhões em investimentos sociais, econômicos e ambientais. Dentro desse montante, a instalação de micro usinas fotovoltaicas para produtores rurais se destaca como uma ação concreta, com resultados mensuráveis e impacto direto na vida das populações atingidas.
Energia solar: um novo caminho para os produtores rurais do Rio Doce
A adoção da energia solar como instrumento de reparação marca uma mudança de paradigma. Em vez de ações temporárias, o programa aposta em soluções duradouras, que fortalecem a autonomia e a sustentabilidade econômica dos produtores rurais.
As micro usinas fotovoltaicas transformam o processo de reparação em oportunidade de desenvolvimento. Assim, regiões profundamente impactadas pelo desastre de Mariana passam a construir um futuro mais resiliente, com menor custo energético, maior eficiência produtiva e integração à transição energética brasileira.
FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS



