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Projeto bilionário de terras raras em Minas Gerais vira peça-chave do Ocidente, recebe apoio financeiro de Austrália, Canadá e França e entra no jogo geopolítico para reduzir a dependência da China

O projeto Colossus, no sul de Minas, avança com cartas de apoio e elegibilidade em agências de crédito à exportação, colocando terras raras em Minas Gerais no centro do tabuleiro geopolítico.

As terras raras em Minas Gerais entraram de vez no radar internacional depois que a mineradora australiana Viridis Mining & Minerals anunciou que o Projeto Colossus recebeu uma carta de apoio para financiamento da Export Finance Australia, agência de crédito à exportação do governo australiano. Segundo o comunicado, o suporte pode abrir caminho para até US$ 50 milhões voltados ao desenvolvimento do empreendimento.

O movimento não ocorre no vácuo. Austrália, Canadá e França vêm classificando o projeto como estratégico dentro do esforço ocidental para diversificar fornecedores e reduzir a dependência da China na cadeia global desses minerais. Na prática, a disputa deixou de ser só mineração e virou segurança econômica e industrial.

O que foi anunciado e por que isso muda o jogo

A carta de apoio informada pela Viridis coloca o Colossus em uma etapa de due diligence. Isso significa passar por análises técnicas, financeiras, ambientais e de crédito conduzidas pela agência australiana antes de uma eventual aprovação formal do financiamento.

O anúncio também teve impacto imediato no mercado. As ações da empresa subiram mais de 12% na bolsa da Austrália após a divulgação, sinalizando que investidores leram o avanço como aumento de viabilidade e redução de risco percebido.

Por que terras raras em Minas Gerais atraem tanta atenção

O Projeto Colossus abriga reservas de argilas iônicas ricas em neodímio, praseodímio, térbio e disprósio. Esses elementos são essenciais para ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, sistemas de defesa e equipamentos de alta tecnologia.

Esse tipo de aplicação explica o peso estratégico do tema. Quando um insumo está ligado a energia, mobilidade e defesa, ele deixa de ser commodity comum e passa a ser ativo geopolítico.

Por isso, as terras raras em Minas Gerais passaram a ser tratadas como peça de soberania industrial para países que querem reduzir vulnerabilidades.

O tripé de apoio internacional: Austrália, Canadá e França

Antes do movimento australiano, o Colossus já havia sido considerado elegível para financiamento por duas outras agências internacionais de crédito à exportação: a Bpifrance Assurance Export, ligada ao governo da França, e a Export Development Canada, do governo canadense.

Essa elegibilidade é relevante porque indica que o projeto atende critérios técnicos, ambientais, econômicos e estratégicos exigidos por esses países para garantias ou crédito público.

Isso tende a aumentar a confiança de bancos e investidores privados, já que parte do risco pode ser mitigada por instrumentos oficiais.

No caso francês, o Colossus foi incluído no programa Garantie de Prêt Stratégique, que prevê garantia soberana parcial para financiamentos bancários de iniciativas consideradas de interesse nacional e geopolítico para a França e seus parceiros.

Onde fica o Colossus e em que etapa o projeto está

As terras raras em Minas Gerais em foco estão no sul do estado, na região de Poços de Caldas. Em dezembro, o projeto recebeu licença ambiental prévia, etapa decisiva dentro do licenciamento.

A expectativa da Viridis é alcançar a decisão final de investimento no segundo semestre de 2026. A estratégia declarada é se consolidar como fornecedora desses insumos para países ocidentais, especialmente os Estados Unidos, em um contexto de reorganização das cadeias globais de suprimento e de fortalecimento da segurança mineral.

O fator China: dependência, cadeia global e pressão por alternativas

O pano de fundo é a concentração da cadeia global de terras raras sob domínio chinês, apontada como um risco por países ocidentais. A resposta tem sido apoiar projetos fora da China, acelerar instrumentos de financiamento e criar rotas industriais alternativas para garantir fornecimento.Play Video

Nesse contexto, terras raras em Minas Gerais deixam de ser apenas um ativo regional e passam a integrar uma arquitetura internacional de abastecimento.

O projeto vira um “nó” de uma rede maior, em que financiamento, licenças, capacidade de processamento e contratos de compra futura entram como peças do mesmo quebra-cabeça.

Centro de pesquisa em Poços de Caldas e a estratégia sem tecnologia chinesa

Recentemente, a mineradora anunciou a construção de um centro de pesquisa e processamento de terras raras em Poços de Caldas, com uma diretriz explícita: sem uso de tecnologia, componentes ou equipamentos chineses.

Os recursos associados a França, Canadá e Austrália devem ser usados na fase de construção do projeto e também para custear etapas burocráticas ligadas às fases de pesquisa e licenciamento ambiental.

O centro ficará no parque industrial de Poços de Caldas, a cerca de 7 quilômetros das concessões minerais da empresa, e servirá como base para produção experimental de carbonato misto de terras raras.

O início das operações está previsto para o segundo trimestre de 2026. A planta, com capacidade para processar 100 quilos por hora de minério bruto, funcionará como unidade de demonstração, voltada à validação de parâmetros técnicos, otimização operacional e preparação comercial do desenvolvimento.

O que essa fase de demonstração resolve na prática

Projetos de terras raras em Minas Gerais não dependem apenas de “ter minério”. Eles precisam provar capacidade de transformar minério em produto com padrão consistente, rastreabilidade e desempenho técnico para a indústria que vai usar o material.

Por isso, um objetivo do centro é gerar amostras para qualificação de parceiros de offtake, empresas que poderão firmar contratos de compra antecipada da produção futura. É a ponte entre prometer e vender, reduzindo incerteza comercial e ajudando a destravar o investimento.

O que observar daqui para frente

Terras raras em Minas Gerais no Projeto Colossus em Poços de Caldas avança com Export Finance Australia.

A sequência de marcos que tende a definir o ritmo do Colossus é clara:

A evolução da due diligence na Export Finance Australia
O avanço das etapas de licenciamento após a licença prévia
A construção e comissionamento do centro de pesquisa e processamento em Poços de Caldas
A qualificação de produto e negociação com parceiros de offtake
A decisão final de investimento no segundo semestre de 2026

Cada um desses pontos pode acelerar ou travar o caminho. Ainda assim, o movimento internacional indica que, para o Ocidente, terras raras em Minas Gerais não são um tema secundário. São um componente direto de estratégia industrial e geopolítica.

Você acha que esse projeto de terras raras em Minas Gerais vai virar um novo polo estratégico do Brasil, ou a dependência global da China ainda vai continuar mandando no jogo por muitos anos?

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS

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