Do melhoramento em Minas Gerais ao auge na criação de muares, o jumento Pêga ganhou prestígio por sua resistência e por gerar mulas disputadas, enquanto estudos genéticos ajudam a recontar a origem dos jumentos no mundo.
O jumento Pêga é um dos animais mais famosos e procurados por criadores no Brasil, mas muita gente não sabe que essa raça foi desenvolvida aqui e carrega uma trajetória que mistura história rural, seleção e valor de mercado.
E a história fica ainda maior quando você junta duas pontas: de um lado, a tradição brasileira que aperfeiçoou o jumento Pêga para produzir muares de qualidade; do outro, descobertas genéticas sobre jumentos antigos que ajudam a reescrever a origem e a expansão desses animais pelo mundo.
Antes do Pêga existir, o jumento já carregava a história nas costas
Os jumentos têm origem africana e foram domesticados há milhares de anos, escolhidos por resistência e capacidade de suportar condições difíceis.
Essa robustez é o que transformou o jumento em peça-chave do transporte em regiões onde outros animais sofriam.
Com o tempo, eles passaram a ser essenciais para levar mercadorias e pessoas por rotas complicadas, especialmente em terrenos onde a logística era um desafio constante.
Como os jumentos chegaram ao Brasil e viraram peça-chave do período colonial

Durante o período colonial, jumentos chegaram ao Brasil trazidos pelos portugueses e ganharam papel prático no transporte de cargas pesadas e no deslocamento em áreas difíceis. Antes de virar raça, o jumento já era infraestrutura.
Foi essa utilidade diária que preparou o terreno para o passo seguinte: o melhoramento direcionado, com foco em desempenho e consistência.
Onde nasce o jumento Pêga e por que essa raça é “assinatura” do Brasil
A raça se desenvolveu em Minas Gerais, na região de Lagoa Dourada, a partir do cruzamento de diferentes origens, escolhidas por suportarem bem as condições climáticas, topográficas e nutricionais locais.
O jumento Pêga foi aperfeiçoado com um objetivo claro: gerar muares de alto valor, adaptados e confiáveis no trabalho, com padrão mais previsível para o criador.
O melhoramento que consolidou a linhagem
O aperfeiçoamento do jumento Pêga é associado ao trabalho de criadores e à entrada de reprodutores que fortaleceram a linhagem ao longo do século XIX, com seleção contínua para função e desempenho.
Aqui, a seleção não era estética, era resultado. A meta era consolidar um tipo de jumento capaz de elevar a qualidade dos muares.
Por que o jumento Pêga gera mulas tão disputadas e como o preço disparou
O jumento Pêga é apontado como essencial na produção de muares, especialmente em linhas valorizadas para transporte e para sela.
A demanda por muares marchadores elevou o valor, com relatos de exemplares chegando a até R$ 200 mil.
Isso não é um fenômeno novo na lógica econômica do campo. Historicamente, a mula foi vista como um ativo valioso, e em certos contextos chegou a valer mais do que cavalo. Não era capricho, era investimento.Play Video
A parte genética que surpreende e amplia a história dos jumentos
Além do capítulo brasileiro, há descobertas científicas que reacenderam o debate sobre a história dos jumentos: registros arqueológicos e análises genéticas de animais antigos e modernos indicam que a trajetória desses animais pode ser mais complexa e antiga do que se imaginava.
A ideia central é que o jumento não é um coadjuvante da história humana. Ele ajudou a sustentar rotas, economias e ocupações, e no Brasil acabou associado a uma raça como o jumento Pêga, que virou referência dentro da criação de muares.
Por que a história do jumento Pêga é tão difícil de ignorar
Quando você junta tudo, o jumento Pêga deixa de ser apenas um animal famoso entre criadores e vira símbolo de duas coisas ao mesmo tempo: a capacidade brasileira de consolidar uma raça valorizada por seleção funcional e o fato de que os jumentos, no mundo, carregam uma história genética mais profunda do que parecia.
É Brasil, criação e ciência no mesmo enredo.
Você acha que o jumento Pêga deveria ser mais reconhecido como patrimônio da criação brasileira, ou esse tema ainda vai continuar restrito ao campo?
FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS



