×

Brasil observou aurora no século XIX em rara combinação de fenômenos

Quem olhasse para o céu às 19h45 do dia 17 de fevereiro de 1875 poderia avistar a aurora austral, se estivesse na cidade do Rio de Janeiro. A aurora austral, ‘irmã’ da aurora boreal, é um fenômeno que também apresenta um show de luzes causado por tempestades solares, mas no Hemisfério Sul, posição em que o Brasil se localiza.

O fato curioso foi registrado nos jornais da época e confirmado por um estudo publicado, em 2024, pelo pesquisador Denny M. Oliveira.

Na época, o astrônomo francês Emmanuel Liais, diretor do Observatório Imperial no Rio de Janeiro (atualmente Observatório Nacional), avistou o fenômeno. Liais observou nos céus da cidade, utilizando um espectroscópio, raios de luz movendo-se no céu, com tons de vermelho na parte inferior e esverdeado na superior.

Essa descoberta histórica é considerada o primeiro relato de uma aurora esporádica na América do Sul. Segundo a pesquisa, o Brasil estava passando por variações seculares na latitude magnética, e duas hipóteses são consideradas: uma entrada de energia magnética ou um impacto de choques interplanetários inclinados. 

Anos antes o planeta testemunhou a pior tempestade solar registrada, mas mesmo assim não há relatos comprovados de observações feitas do Brasil. Uma tempestade de radiação solar caracteriza-se pela liberação de partículas carregadas intensas e de rápido movimento em direção à Terra.

Trecho da declaração do diretor Emmanuel Liais, sobre a aurora austral • Arquivo/A Nação
Trecho da declaração do diretor Emmanuel Liais, sobre a aurora austral • Arquivo/A Nação

Evento Carrigton

A mais temida e poderosa tempestade causada por erupção solar, aconteceu em 1859, ficando conhecida como Evento Carrigton, quando até mesmo os telégrafos funcionaram sem baterias, de tão alta que era carga magnética que atingiu o planeta. O britânico Richard Carrington foi quem testemunhou a explosão solar e foi o primeiro a fazer a ligação sobre o Sol e os efeitos na Terra.

Se este fenômeno acontecesse novamente, nos dias de hoje, poderia queimar a estrutura de comunicação global, realizada pelos satélites que orbitam a Terra.

Mas a sociedade conseguiu ferramentas para monitorar o fenômeno, sendo assim, em uma situação como está, cientistas pensariam estratégias para minimizar os danos, como manobrar os satélites para longe do impacto da tempestade.

Tempestade atual

Uma intensa atividade solar emitida pelo Sol atingiu a Terra, nesta terça-feira (20), causando auroras boreais coloridas e problemas de GPS para aeronaves, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa, em inglês).

A tempestade de radiação solar, classificada no nível quatro de cinco em uma escala de severidade, foi monitorada pelas autoridades. O NOAA classificou o evento como “a maior tempestade de radiação solar em mais de 20 anos”.

FONTE: CNN Brasil

Receba Notícias Em Seu Celular

Quero receber notícias no whatsapp