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Lula quer que trabalhador descanse e defende redução no trabalho: “não faz sentido manter jornada de 40 anos atrás”, diz presidente ao criticar modelo 6×1 e pressionar Congresso por mudança sem corte salarial

Debate sobre o fim da escala 6×1 ganha força no governo federal e chega ao Congresso como prioridade, com defesa pública do presidente, foco em qualidade de vida, avanços tecnológicos e articulação política para discutir mudanças na jornada sem redução salarial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a colocar no centro do debate público a proposta de encerrar a escala de trabalho 6×1, modelo em que o empregado trabalha seis dias consecutivos e descansa apenas um.

Em entrevista ao UOL, Lula afirmou que a jornada de trabalho precisa ser revista diante das transformações tecnológicas e produtivas ocorridas nas últimas décadas.

O presidente destacou que o tema passou a ser tratado como prioridade pelo governo federal nas articulações com o Congresso Nacional.

Segundo Lula, manter jornadas extensas com pouco tempo de descanso não reflete a realidade atual do mundo do trabalho.

Na avaliação do chefe do Executivo, o aumento da produtividade e o uso crescente de tecnologia permitem discutir novos formatos de organização da jornada.

Durante a entrevista, Lula relacionou diretamente os avanços tecnológicos à necessidade de rever padrões adotados há décadas.

“Com os avanços tecnológicos que o Brasil teve, acha que é necessário que as pessoas trabalhem a mesma jornada que trabalhavam 40 anos atrás? Está na hora de a gente fazer uma mudança na jornada de trabalho desse país para que o povo tenha mais tempo”, afirmou o presidente.

Avanços tecnológicos e revisão da jornada de trabalho

O argumento central do governo é que o desenvolvimento tecnológico alterou profundamente a forma como se produz riqueza, abrindo espaço para jornadas menos extenuantes.

Segundo Lula, a revisão do modelo atual deve considerar não apenas indicadores econômicos, mas também o impacto sobre a vida cotidiana dos trabalhadores.

O presidente ressaltou que mais tempo livre pode permitir estudo, qualificação profissional e convivência familiar, aspectos considerados essenciais para a qualidade de vida.

A fala reforça um discurso recorrente do governo de que a modernização das relações de trabalho deve acompanhar as mudanças da economia.

Mensagem oficial ao Congresso reforça prioridade

Além da entrevista, o tema foi formalmente incluído na mensagem enviada pelo Palácio do Planalto ao Congresso Nacional no início do ano legislativo.

No documento, o governo destacou a importância de discutir a redução da jornada de trabalho sem impacto no salário.

O texto afirma que não é justo que trabalhadores cumpram uma semana inteira de trabalho intenso para usufruir apenas um dia de descanso.

A sinalização oficial amplia o peso político do debate e indica que o Executivo pretende avançar na discussão ao longo do ano.

Escala 6×1 no cotidiano do trabalhador brasileiro

No Brasil, a escala 6×1 é amplamente utilizada em setores como comércio, serviços e atividades com funcionamento contínuo.

O modelo permite distribuir a carga semanal dentro dos limites legais, mas costuma resultar em semanas longas e descanso limitado.

Para muitos trabalhadores, a folga concentrada em apenas um dia dificulta a organização da vida pessoal, familiar e social.

O impacto é ainda maior quando o descanso ocorre em dias alternados ou fora do fim de semana.

Resistências e desafios no debate legislativo

A proposta de acabar com a escala 6×1 encontra resistência de parte do setor empresarial e de parlamentares.

Críticos apontam possíveis impactos sobre custos operacionais, especialmente para pequenas e médias empresas.

Outro ponto sensível é a necessidade de modelos de transição para atividades que dependem de escalas e turnos contínuos.

Mesmo assim, o governo sustenta que redução de jornada não significa, necessariamente, queda de produtividade.

Produtividade, saúde e organização do trabalho

Defensores da mudança argumentam que trabalhadores mais descansados tendem a produzir melhor.

Há também a expectativa de redução de afastamentos por problemas de saúde relacionados ao excesso de trabalho.

Para o governo, o desafio está em conciliar ganhos sociais com a sustentabilidade econômica das empresas.

A discussão envolve ajustes em escalas, contratações, horas extras e organização de turnos.

Debate público e pressão política

Ao levar o tema para entrevistas e documentos oficiais, Lula transforma o fim da escala 6×1 em um compromisso público.

A estratégia aumenta a pressão sobre o Legislativo para que o assunto avance além do debate conceitual.

O governo sinaliza disposição para dialogar com sindicatos, empresários e parlamentares em busca de um modelo viável.

Com a pauta oficialmente colocada e defendida pelo presidente como uma atualização necessária do mundo do trabalho, o país conseguirá redesenhar a jornada sem transferir o custo da mudança para o trabalhador ou para o emprego?

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS

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