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Quem cuida de idoso em casa pode ganhar R$ 850 por mês com novo benefício do governo estadual que atende famílias de baixa renda, exige critérios técnicos, começou em poucas cidades e já desperta corrida por vagas limitadas

Benefício paranaense amplia apoio a famílias que mantêm idosos vulneráveis em casa, com bolsa mensal limitada a poucas vagas e seleção técnica feita por assistência social e saúde.

O Paraná começou a pagar uma bolsa mensal para familiares que cuidam de pessoas idosas em casa e vivem em situação de baixa renda.

O benefício, chamado Bolsa Cuidador Familiar, faz parte do programa Paraná Amigo da Pessoa Idosa e foi implementado, por enquanto, em formato de projeto-piloto, com número limitado de vagas e seleção técnica feita por equipes municipais de assistência social e saúde.

Os primeiros repasses começaram em dezembro de 2025, segundo o governo estadual.

Na fase inicial, o programa foi planejado para funcionar em 20 municípios, com 15 bolsas por cidade, totalizando 300 benefícios disponíveis para cuidadores familiares.

Bolsa Cuidador Familiar no Paraná: o que é e quanto paga

A Bolsa Cuidador Familiar é um auxílio financeiro mensal destinado ao cuidador familiar principal de uma pessoa idosa que apresente fragilidade ou dependência e precise de cuidado contínuo e de longo prazo dentro do próprio lar.

O valor é equivalente a meio salário mínimo nacional.

Em 2025, o governo estadual divulgou a referência de R$ 759 por mês, acompanhando o piso daquele ano, e, em 2026, o pagamento passou a R$ 810,50, com base no salário mínimo de R$ 1.621 informado pelo Estado.

Apesar de ser pago ao cuidador, o programa não substitui benefícios como aposentadoria ou o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que seguem regras próprias.

A proposta é complementar a renda e reconhecer o trabalho cotidiano de cuidado, além de manter a pessoa idosa no ambiente familiar sempre que isso for possível e seguro.

Municípios com o benefício e motivo das vagas limitadas

A implantação começou em 20 cidades selecionadas para o piloto.

Toledo, Francisco Beltrão, União da Vitória, Cianorte, Irati, Ivaiporã, Dois Vizinhos, Cascavel, São Mateus do Sul, Palmeira, Araucária, Ponta Grossa, Marialva, Londrina, Marechal Cândido Rondon, Prudentópolis, Guarapuava, Guaratuba, Colombo e Pato Branco.

Como cada município recebeu um número inicial fixo de bolsas, a disputa tende a crescer quando mais famílias procuram o benefício do que o orçamento disponível.

Nesses casos, o Estado prevê critérios de priorização e possibilidade de lista de espera, com análise técnica feita no território antes da homologação.

Requisitos do programa: renda, CadÚnico e avaliação do idoso

A Bolsa Cuidador Familiar foi desenhada para atender famílias em maior vulnerabilidade social e idosos com necessidade comprovada de apoio permanente.

Para isso, o programa exige cadastro e validação em sistemas públicos e inclui a avaliação do estado de fragilidade do idoso.

Do lado do cuidador familiar, as regras centrais incluem ter 18 anos ou mais, morar no mesmo domicílio da pessoa idosa e estar com o CadÚnico atualizado.

O limite de renda é de até um salário mínimo por pessoa na família, conforme o cadastro.

Além disso, as regras do programa indicam que o cuidador não deve ter renda própria regular registrada no CadÚnico, como remuneração de trabalho ou benefício previdenciário, porque o foco é alcançar famílias em que o  cuidado já compromete a possibilidade de geração de renda.

No caso da pessoa idosa, não basta ter mais de 60 anos ou precisar de ajuda em algum momento.

O programa exige fragilidade clínico-funcional registrada no SIPI-PR, sistema estadual ligado à área da saúde, com avaliação feita a partir de instrumentos como o IVCF-20, usado para medir vulnerabilidade clínico-funcional.

Outro ponto é que o idoso não pode estar institucionalizado, já que o desenho da política prioriza a permanência em casa.

Seleção técnica e acompanhamento pelas equipes municipais

A triagem e o acompanhamento ficam, principalmente, a cargo das estruturas municipais criadas ou designadas para a política do cuidado.

Os municípios participantes contam com equipes responsáveis por localizar famílias, conferir documentos, realizar visitas quando necessário e registrar informações.

Quando a demanda é maior do que a oferta de bolsas, a seleção segue regras de priorização previstas no regulamento do programa.

Entram na análise fatores como idade mais avançada da pessoa idosa, presença de mais de um idoso sob cuidado no mesmo domicílio, tempo dedicado ao cuidado e renda per capita, buscando dar preferência a quem está em situação mais vulnerável.

Após a indicação local, o processo passa por validação e homologação do Estado, e o pagamento é feito em conta em nome do cuidador cadastrado.

Como solicitar no CRAS e quais documentos entram na triagem

O caminho mais comum para iniciar a solicitação é procurar o CRAS ou a rede municipal de assistência social, especialmente para verificar se o CadÚnico está atualizado e se a família se enquadra nos critérios de renda.

Em seguida, a família deve seguir as orientações do município para formalizar o pedido, apresentar documentos pessoais e comprovações exigidas, além de viabilizar as avaliações necessárias para comprovar a fragilidade da pessoa idosa.

A concessão não é automática: depende de análise técnica e da disponibilidade de vagas no município.

Por que o auxílio muda a rotina do cuidado domiciliar

O aumento do número de idosos e a complexidade do cuidado domiciliar pressionam serviços públicos, famílias e a rede de proteção social.

Nesse cenário, o Paraná estruturou a Bolsa Cuidador Familiar para reduzir o risco de isolamento e de institucionalização, ao mesmo tempo em que reconhece que o cuidado, na prática, costuma exigir reorganização completa da rotina doméstica.

Ao atrelar o benefício a acompanhamento e registros em sistemas, o programa também busca mapear demandas e orientar ações integradas entre assistência social e saúde.

A lógica é que o auxílio financeiro não funcione sozinho, mas esteja conectado a uma rede de monitoramento, orientação e, quando necessário, intervenção para proteger a pessoa idosa em situação de fragilidade.

Com vagas ainda concentradas em poucos municípios e critérios técnicos que exigem avaliação e validação, a tendência é de procura crescente.

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS

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