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Mineração avança sobre a Serra do Espinhaço e ameaça a única cordilheira do Brasil

A Serra do Espinhaço, única cordilheira do Brasil e reconhecida como Reserva da Biosfera pela Unesco, está sob crescente pressão da atividade minerária, especialmente da extração de quartzito e de grandes projetos de mineração de ferro. A cordilheira se estende por cerca de mil quilômetros entre Minas Gerais e Bahia e abriga ecossistemas únicos, como os campos rupestres, além de nascentes fundamentais para importantes bacias hidrográficas do país.

Nos últimos anos, a mineração de rocha ornamental avançou de forma acelerada em áreas de alto valor ambiental e turístico, como o Planalto da Diamantina. As lavras a céu aberto provocam cortes profundos nas montanhas, descaracterizam a paisagem e comprometem atividades econômicas locais baseadas no ecoturismo e na conservação ambiental.

Especialistas apontam que a legislação ambiental brasileira não exige avaliação de impacto visual para esse tipo de mineração, o que facilita a liberação de empreendimentos mesmo em áreas sensíveis.

Além dos impactos ambientais, comunidades localizadas no entorno de grandes empreendimentos também denunciam violações de direitos. No caso do complexo Minas-Rio, da Anglo American, moradores relatam conflitos fundiários, pressão sobre territórios tradicionais, escassez de água e impactos diretos no modo de vida rural. As denúncias contrastam com o discurso empresarial de mineração sustentável e têm sido acompanhadas por organizações socioambientais e movimentos populares.

Diante do avanço das atividades minerárias, o Ministério Público de Minas Gerais ingressou com ações civis públicas contra empresas que atuam de forma irregular na Serra do Espinhaço. As ações buscam responsabilizar mineradoras por danos ambientais e impedir a continuidade de lavras sem licenciamento adequado, especialmente na exploração de quartzito.

Pesquisadores e ambientalistas alertam que a continuidade desse modelo de exploração coloca em risco não apenas a biodiversidade da Serra do Espinhaço, mas também a segurança hídrica, o patrimônio cultural e o futuro econômico de comunidades inteiras.

FONTE: MINAS NINJA

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