Entre o Censo de 2010 e as estimativas do IBGE para 2025, o mapa populacional do estado se redesenhou. O crescimento deixou de ser concentrado na capital e passou a seguir três vetores claros: cidades médias industriais, eixo logístico do Sul e Triângulo Mineiro, e o transbordo da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O estado não encolheu. Ele se deslocou.
A explosão das cidades médias em Minas Gerais
O maior destaque absoluto é Nova Serrana. A cidade cresceu 43% em quinze anos, impulsionada pelo polo calçadista que absorve mão de obra em ritmo contínuo. É um caso raro no Brasil de expansão sustentada por indústria local forte. Logo atrás aparece Nova Lima, com 38% de crescimento. O vetor aqui é outro: expansão imobiliária de alto padrão, condomínios fechados, tecnologia e proximidade com Belo Horizonte.
Também se destacam Vespasiano com 24% de alta, beneficiada pela Linha Verde e pelo Aeroporto de Confins, e Santana do Paraíso, no Vale do Aço, com expansão ligada à indústria e ao perfil de cidade dormitório. Essas cidades mostram um padrão: crescimento puxado por especialização econômica clara.
O eixo que virou motor: Triângulo e Sul de Minas Gerais
Se há um corredor de crescimento consistente no estado, ele passa pelo Triângulo Mineiro e pelo Sul de Minas. Uberlândia cresceu 18% e adicionou quase 150 mil habitantes no período. Hoje é polo logístico, universitário e de serviços de escala regional. Uberaba, com 12%, consolidou-se como referência no agronegócio e na indústria de fertilizantes.
No Sul, Extrema cresceu 15%, transformando-se em um dos maiores hubs logísticos do país graças a incentivos fiscais e proximidade com São Paulo. Pouso Alegre, com 13%, fortaleceu seu parque industrial e farmacêutico. Esse eixo Sul-Triângulo hoje é o motor mais previsível de crescimento fora da Região Metropolitana de BH.
O fenômeno do transbordo da capital
Enquanto essas cidades avançaram, Belo Horizonte registrou leve queda populacional recente, de aproximadamente 3% desde 2010 e recuo marginal nas estimativas de 2025.
Isso não significa empobrecimento. Significa deslocamento.
A Região Metropolitana ultrapassou a marca de 6 milhões de habitantes em 2025, mantendo crescimento positivo. Municípios como Betim absorvem parte do crescimento industrial e populacional que deixa a capital. O movimento é clássico nas grandes metrópoles: as pessoas moram no entorno e trabalham no centro. Como explica o próprio IBGE, o crescimento vai do centro para a periferia.
O que esse mapa revela
Minas Gerais está crescendo onde há emprego, logística, infraestrutura e custo de vida mais competitivo. Cresce onde há indústria organizada, incentivos fiscais ou moradia viável. A capital continua sendo o coração econômico e institucional. Mas o crescimento demográfico hoje é descentralizado. O estado deixou de crescer para cima. Está crescendo para fora. E essa é a principal mudança estrutural dos últimos quinze anos.





