Hatch compacto que já saiu de linha no Brasil ressurge na Europa com visual renovado, tecnologia embarcada ampliada e sistema híbrido inédito na história do modelo, alcançando consumo de até 25,6 km/l e desempenho superior ao antecessor.
A Renault prepara uma virada importante para o Clio ao redesenhar o hatch, ampliar a oferta de tecnologia e, pela primeira vez desde a estreia do modelo, em 1990, retirar as opções a diesel para priorizar versões eletrificadas, com destaque para o conjunto híbrido E-Tech.
No Brasil, o Clio deixou o mercado em 2017, encerrando uma trajetória que incluiu produção em São José dos Pinhais (PR) e desempenho comercial discreto frente aos rivais, enquanto a marca reorganizava sua gama para abrir espaço ao Kwid.
Já na Europa, o cenário é oposto: o modelo segue entre os líderes de emplacamentos e, no acumulado do primeiro semestre de 2025, ficou em segundo lugar no ranking continental, atrás apenas do Dacia Sandero.
Novo design e dimensões ampliadas do Renault Clio

A nova geração do Clio adota uma dianteira de traços mais afilados, com faróis estreitos, vincos marcados no capô e para-choque de desenho mais agressivo, num conjunto que aproxima o hatch da linguagem visual recente da Renault e o distancia do antecessor.
Além do estilo, o hatch cresceu em medidas e passou a ter 4,12 metros de comprimento, 1,77 m de largura, 1,45 m de altura e 2,59 m de entre-eixos, variação que impacta estabilidade e ajuda a melhorar o aproveitamento interno em relação à geração anterior.
Com a nova carroceria, o porta-malas também mudou de patamar, chegando a 391 litros nas versões a combustão, enquanto a variante híbrida perde espaço para acomodar os componentes elétricos e fica na faixa de 300 litros, dependendo da configuração e do mercado.
No banco traseiro, o Clio continua atendendo melhor a quatro adultos, porque o assento central é mais estreito e o túnel no assoalho rouba parte da área para os pés, embora a altura livre ajude passageiros mais altos a viajar sem encostar no teto.
Na cabine, a Renault elevou a régua de conectividade ao oferecer telas digitais que podem chegar a cerca de 10 polegadas, com multimídia de base Google em alguns mercados, mantendo suporte a Android Auto e Apple CarPlay, enquanto o acabamento aposta em materiais mais simples e muito plástico rígido.
Fim do diesel e estreia do motor 1.8 E-Tech híbrido

A retirada do diesel marca uma mudança histórica no Clio, que passa a concentrar a estratégia em motores a gasolina e eletrificação, mantendo a plataforma CMF-B e um conjunto mecânico típico do segmento, com suspensão dianteira McPherson e eixo de torção na traseira.
Entre as opções, a Renault prevê um 1.2 turbo de três cilindros, associado a câmbio manual ou automatizado de dupla embreagem conforme a versão e o país, enquanto o principal destaque é o sistema full hybrid E-Tech, que combina motor 1.8 a gasolina com dois elétricos.
Na configuração híbrida, o conjunto soma 158 cv e utiliza uma transmissão multimodo que cria múltiplas combinações de funcionamento, permitindo alternar tração elétrica, uso combinado ou atuação predominante do motor a combustão, sem necessidade de tomada para recarga da bateria.
A Renault afirma que, em uso urbano, o Clio híbrido consegue rodar até 80% do tempo em modo elétrico, estratégia que ajuda a reduzir consumo e ruído em baixa velocidade, embora a participação do motor a combustão aumente naturalmente em rodovias e acelerações mais fortes.
Ainda segundo a marca, o consumo pode chegar a 25,6 km/l no ciclo europeu WLTP, um padrão de medição diferente do Inmetro, o que torna a comparação direta com números brasileiros inadequada sem conversão metodológica e sem repetição de testes locais.
Desempenho, aceleração e dinâmica de condução
Com o novo acerto, o Clio E-Tech passa a acelerar de 0 a 100 km/h em 8,3 segundos, ganho atribuído ao trabalho conjunto entre eletrificação e câmbio multimodo, além da resposta imediata típica do torque elétrico nas arrancadas e retomadas urbanas.

Mudanças de geometria e direção também reforçam a proposta dinâmica do hatch, com respostas mais diretas ao volante e maior sensação de estabilidade em curvas, ainda que a experiência final dependa do pacote de rodas e pneus, que pode priorizar conforto ou esportividade.
No uso prático, o motorista pode selecionar modos de condução que alteram aceleração e estratégia de regeneração, e o sistema tende a suavizar transições entre elétrico e combustão, aspecto importante em híbridos compactos, especialmente quando o carro alterna trechos urbanos e vias rápidas.
Preço na Europa e reflexos para a estratégia da marca
Na Europa, o Clio híbrido aparece com preços de entrada na faixa de 24 mil euros em alguns mercados, valor que varia por pacote de equipamentos, versão e impostos locais, enquanto a Renault tenta manter o modelo competitivo sem migrar de vez para uma oferta 100% elétrica.
Embora o Clio não esteja no radar de retorno ao Brasil, a estratégia de eletrificação da marca por aqui deve ganhar um novo capítulo com a chegada do Koleos híbrido, confirmada para 2026, movimento que amplia a presença de sistemas E-Tech no portfólio nacional.
Com um Clio renovado, mais eficiente e reposicionado para uma Europa que aperta as regras de emissões, a pergunta que fica é se a fórmula de híbridos completos em hatches compactos, sem tomada e com foco em consumo, vai virar o novo padrão do segmento nos próximos anos?
FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS





