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Zelinho fala em “hospital de maquete” e diz que promessa eleitoral não cura ninguém

Durante assinatura de investimento social entre Vale e Prefeitura, vice-prefeito relembra promessas de campanha sobre o Hospital Bom Jesus e revive episódio da CFEM que mobilizou municípios mineradores


A solenidade realizada na sexta-feira, 13 de março, em Congonhas, para a assinatura do termo de compromisso social entre a mineradora Vale e a Prefeitura acabou trazendo mais do que números e anúncios de investimentos. Ela trouxe também memória política. Durante o evento que formalizou R$ 200 milhões para a construção do novo Hospital Bom Jesus e R$ 25 milhões destinados ao Museu de Congonhas, o vice-prefeito José de Freitas Cordeiro, o Zelinho, fez uma observação que muitos presentes entenderam como um recado bastante direto ao passado recente da política municipal.
Segundo ele, a construção de um novo hospital chegou a aparecer como promessa central em campanhas eleitorais. Projetos foram apresentados, maquetes exibidas e discursos reforçavam a ideia de que a cidade finalmente ganharia uma nova estrutura hospitalar. Mas, passada a eleição, o hospital continuava existindo apenas no papel.
Sem citar nomes, Zelinho resumiu a crítica de forma curta e irônica: “Isso não é propaganda eleitoral. Várias eleições, candidatos falavam que iam construir um novo hospita. Maquete não atende paciente.” A frase arrancou reações discretas entre os presentes, principalmente entre aqueles que acompanham de perto a cronologia política recente de Congonhas.


Nos bastidores, a leitura foi praticamente unânime.
A indireta tinha endereço certo. Embora não tenha citado nomes, a referência foi interpretada como um recado ao ex-prefeito Doutor Cláudio Antônio de Souza, o Dinho, médico que governou a cidade por quatro anos. Isso porque o tema do novo Hospital Bom Jesus ganhou forte destaque em duas campanhas eleitorais específicas: a que levou Dinho à prefeitura e a disputa seguinte, quando ele tentou a reeleição, e perdeu. Nos dois momentos, projetos e propostas para a construção de um novo hospital foram apresentados ao eleitorado.
A obra, porém, não chegou a sair do papel. Antes do governo Dinho, Congonhas foi administrada por oito anos pelo prefeito Anderson Cabido. Depois vieram oito anos de gestão de Zelinho. O mandato de quatro anos do ex-prefeito ficou justamente entre esses dois ciclos políticos. E foi nesse intervalo que o hospital voltou ao centro do debate eleitoral da cidade.


Uma disputa milionária que marcou os municípios mineradores
Durante o discurso, Zelinho também lembrou um episódio importante envolvendo a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral, a CFEM, o royalty da mineração. Segundo ele, houve uma disputa que girava em torno de cerca de R$ 300 milhões, envolvendo valores discutidos judicialmente e que afetavam diversos municípios mineradores de Minas Gerais.Naquele período, Zelinho acumulava duas funções importantes. Além de prefeito de Congonhas, era também presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais, a AMIG. A entidade liderou a mobilização dos municípios na tentativa de resolver a disputa envolvendo a forma de cálculo da compensação mineral.
Diante da dimensão do impasse, os municípios recorreram à Advocacia-Geral da União, a AGU, que participou da construção de um entendimento jurídico que ajudou a destravar parte da discussão. A partir dessa mediação institucional, parte do passivo acabou sendo regularizada, permitindo a distribuição de valores relacionados à CFEM para municípios mineradores.


Entre discurso e obra
Ao recordar esse episódio durante a cerimônia, o vice-prefeito procurou destacar que a relação entre Congonhas e a mineração também foi construída em momentos de negociação institucional. Mas o foco principal de sua fala estava em outro ponto. Para Zelinho, o anúncio do investimento para a construção do novo Hospital Bom Jesus representa uma virada concreta em uma discussão antiga da cidade.
Depois de aparecer em campanhas eleitorais e apresentações públicas, o hospital agora passa a ter recursos definidos e compromisso formal firmado para sua construção.
E foi justamente esse contraste que o vice-prefeito quis sublinhar. Porque, como disse diante do público presente na solenidade, promessa eleitoral pode até render discurso. “A Vale sempre foi parceira do Município”, encerrou.

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