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Sob os pés do Bom Jesus, guerra política explode em Congonhas com gritaria, denúncias e ameaça de cassação na Câmara; confronto entre vereadores expõe racha e crise no poder


Sob os pés do maior museu a céu aberto do Barroco na América Latina, a cidade de Congonhas vive um dos momentos mais tensos da política recente, com uma crise que tem abalado diretamente a relação entre o Legislativo e o Executivo. O clima de instabilidade ganhou novos contornos nesta semana após um intenso bate-boca entre vereadores, marcado por denúncias, acusações e muita gritaria durante uma reunião reservada na Câmara Municipal.
O confronto nos bastidores foi tão acalorado que provocou a suspensão da sessão ordinária, que estava prevista para começar às 9h na terça-feira (24). A chamada “lavagem de roupa suja” durou mais de uma hora inicialmente, mas a crise se estendeu ao longo do dia. Os parlamentares voltaram a se reunir a portas fechadas e só encerraram as discussões por volta das 15h, ainda sem consenso, evidenciando um cenário de verdadeira “guerra política”.


Disputa antiga volta à tona
Nos bastidores, a tensão tem raízes antigas, que remontam à gestão do ex-prefeito Cláudio Dinho. O atual presidente da Câmara, Averaldo Pica Pau, que já foi aliado próximo do governo anterior, rompeu politicamente e passou a atuar como um dos principais opositores, inclusive incentivando Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que impactaram fortemente a administração passada.
Do outro lado está Simônia Magalhães, também do PL, ex-secretária de Obras na gestão anterior e pré-candidata a deputada federal. A relação entre os dois já vinha desgastada desde as oitivas das CPIs, quando embates frequentes em plenário geraram atritos públicos e pessoais. Na atual legislatura, essa rivalidade se intensificou, criando um ambiente de constante disputa dentro da Câmara. As duas figuras são inflexíveis.


Estopim: processo contra vereadora
O ponto de explosão da crise ocorreu com a entrada em pauta de um processo administrativo contra a vereadora Simônia Magalhães. A investigação, aberta no dia 4 de fevereiro, apura supostas atitudes desrespeitosas da parlamentar contra servidores do Legislativo. Segundo informações de bastidores, já haveria cinco votos favoráveis à abertura do processo em plenário — número suficiente para dar início a um possível processo de cassação, com apoio de vereadores alinhados ao governo em uma articulação. A votação iminente foi o estopim para o confronto. Simonia fazia parte da base e se rebelou contra o governo figurando como uma das protagonistas da oposição com críticas acídas a administração.


Bate-boca e clima de guerra
A situação se agravou porque a vereadora não estava inicialmente na reunião — ela se preparava para viajar a um congresso em Brasília. Ao tomar conhecimento da votação, foi até a Câmara, o que intensificou ainda mais o clima de tensão. Relatos indicam que o bate-boca foi generalizado, com discussões em tom elevado e pressão direta sobre o presidente da Casa para a retirada do processo da pauta. Mesmo após horas de discussão, não houve acordo. A reunião terminou sem definição, mantendo o impasse e elevando ainda mais o nível da crise política no município.

Próximos capítulos
A próxima sessão ordinária está marcada para o dia 31, e até lá o cenário permanece imprevisível com a votação de abertura do processo administrativo. Nos bastidores, a expectativa é de novos embates, possíveis articulações políticas e até reviravoltas. Enquanto isso, a população acompanha apreensiva um cenário de instabilidade que pode ter impactos diretos na governabilidade e no andamento de projetos importantes para a cidade. Esta crise não faz bem ao governo Anderson Cabido e tensiona as relações de poder e fragiliza o diálogo, em um ambiente bem sensível.

  • Imagem gerada por IA

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