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Como um empreendedor mineiro está apostando em agentes autônomos para transformar seis setores ao mesmo tempo

A história de Yuri Gomes com inteligência artificial não começou na teoria. Começou, na verdade, muito antes da tecnologia, vendendo salgados porta a porta aos 12 anos nas ruas de Congonhas, Minas Gerais. Dali veio o que nenhum curso ensina com a mesma intensidade: ler o cliente na hora, adaptar o discurso e lidar com o “não” sem parar. Essa escola de rua seria o alicerce de tudo que viria depois.

Ainda adolescente, aos 15, entrou como estagiário na Caixa Econômica Federal, onde ficou quase três anos transitando entre funções operacionais e análise de crédito. Depois vieram passagens pelo Itaú e a efetivação no Banco Mercantil, seu último emprego antes de migrar de vez para o marketing. A imersão no sistema financeiro, passando por instituições de portes e culturas distintas, deu a Yuri algo raro para quem trabalha com tecnologia: uma visão de dentro sobre processos complexos, compliance e atendimento em escala.

Aos 23 anos, já no marketing, passou quatro anos na linha de frente de operações comerciais atendendo empresas como Fiat, Raízen, iFood, Claro, Santander e Porto Seguro. Foi nesse período que observou, repetidamente, o mesmo padrão destrutivo: vendas culpando a qualidade dos leads, marketing culpando o atendimento. Para ele, o problema nunca esteve em um dos lados, estava no vão entre os dois.

Essa leitura moldou a criação do ProcessLab em 2022, uma empresa de automação inteligente projetada para fechar o loop entre marketing e vendas. Paralelamente, Yuri cursava Engenharia de Software, construindo a base técnica para traduzir a experiência comercial em arquitetura de sistemas. A combinação se provou certeira: o ProcessLab cresceu até o exit, concretizado no final de 2025, quando Yuri tinha 27 anos.

Em vez de recuar, acelerou. Reinvestiu 70% do capital da venda em seis novos negócios, todos erguidos sobre a mesma premissa, agentes autônomos de IA operando no coração de setores onde atendimento, recorrência e volume de interações ditam o ritmo. Em cada um deles, atua não como investidor passivo, mas como conselheiro estratégico de tecnologia, levando engenharia, estratégia comercial e implementação técnica para dentro da operação.

“Empresas passaram anos tentando resolver pedaços do problema com tecnologia. Só que o gargalo de verdade sempre foi o processo inteiro. A nova geração de agentes autônomos muda o jogo porque junta execução, decisão e aprendizado numa coisa só”, resume Yuri.

Para Yuri, a aposta não é em tecnologia pela tecnologia. É em resolver aquele vão que ele observou durante anos, só que agora com sistemas que não dependem de turno, não oscilam com o humor do dia e entregam o mesmo padrão no primeiro atendimento da manhã e no último da madrugada. Um vendedor de salgados que virou engenheiro de software, fez exit aos 27 e agora aposta que a próxima camada de valor nas empresas brasileiras vai ser construída por agentes que executam, não apenas respondem.

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