A fé, a história e a memória voltaram a se encontrar nesta quinta-feira (23) em Catas Altas da Noruega. Após três décadas desaparecida, a imagem de São Roque, furtada da Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante, foi oficialmente devolvida à comunidade em uma cerimônia marcada por emoção e significado.O resgate do bem religioso foi conduzido pelo Ministério Público de Minas Gerais, por meio da Coordenadoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), após uma investigação que começou com um detalhe curioso: a peça estava sendo anunciada à venda na internet, apresentada como parte de uma “coleção particular”.
A partir daí, teve início um minucioso trabalho técnico. A escultura foi analisada e comparada com registros existentes no Sistema Sondar — banco de dados do próprio MPMG voltado à proteção de bens culturais. Os indícios eram fortes.Laudos técnicos detalhados, análises comparativas e o reconhecimento formal da comunidade confirmaram: tratava-se da mesma imagem desaparecida em abril de 1996. Elementos como estilo, dimensões, características artísticas e até relatos históricos foram determinantes para a identificação.




O processo também contou com o reconhecimento de pessoas que tiveram contato direto com a imagem antes do furto, como o então pároco da época, José Eudes Campos do Nascimento, hoje bispo da Diocese de São João del-Rei, além de fiéis da comunidade.Para garantir a devolução, o Ministério Público firmou um Termo de Compromisso com o detentor da peça, dentro da chamada Campanha Boa Fé, que incentiva a restituição voluntária de bens culturais de origem duvidosa. A imagem foi entregue ao MPMG em agosto do ano passado, até que todo o processo fosse concluído.Símbolo de proteção contra doenças e epidemias, São Roque carrega forte devoção popular. O retorno da imagem representa muito mais do que a recuperação de um objeto religioso: é a recomposição de parte da história e da identidade cultural da cidade.
A Igreja Matriz, construída no século XVIII e tombada como patrimônio, abriga um acervo de grande valor histórico. A volta da peça reforça a importância da preservação desse conjunto e do trabalho contínuo de proteção ao patrimônio cultural. Para o MPMG, a ação reafirma o compromisso com a defesa da memória e da identidade das comunidades mineiras — mostrando que, mesmo após décadas, a história pode ser resgatada e devolvida ao seu verdadeiro lugar.





