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Revolução Liberal de 1842

O conflito armado entre as elites conservadora e liberal

Parte 1–  Os Patriarcas Invisíveis:  sociedade secreta de mineiros e paulistas que quase derrubou o Império no movimento político armado de 1842

Em meados do século XIX, o Brasil ainda era um país em construção — política, econômica e territorialmente. A monarquia imperial buscava estabilidade, mas as tensões entre o poder central e as elites provinciais geravam rupturas frequentes.

Uma dessas rupturas ganhou força em 1842, quando estourou uma revolta em duas importantes províncias: São Paulo e Minas Gerais. (Revista Militar).

Os Patriarcas Invisíveis, sociedade secreta criada em 1841 foi o cérebro da Revolução Liberal de 1842. Fundada sob liderança do Senador José Martiniano Pereira de Alencar, reuniu a elite paulista e mineira que quase derrubou o governo imperial em nome da autonomia provincial.

A articulação começou no Rio de Janeiro e teve como principal arquiteto o Senador José Martiniano Pereira de Alencar. Padre, político cearense e um dos liberais mais respeitados do Império, Alencar foi Senador pelo Ceará de 1832 até sua morte em 1860. Era pai do escritor José de Alencar. Em 1841, inconformado com a “Reação Conservadora” e a centralização imposta pelas Leis do Conselho de Estado e da Reforma do Código do Processo, Alencar passou a articular a resistência liberal.

Ele usou sua influência no Senado e na imprensa para costurar a aliança entre liberais do Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas. Os Patriarcas Invisíveis foram criados em julho de 1841 como braço paulista dessa rede nacional comandada por ele. Era a resposta liberal à centralização.

Mas foi numa reunião clandestina em O1 de janeiro de 1842 no Rio  de Janeiro   que mineiros e paulistas decidiram pela revolução armada que quase derrubou o Império.

A REDE DE ALENCAR: MINEIROS E PAULISTAS NA MESMA SOCIEDADE

O Senador José Martiniano  Pereira de Alencar, comandava dois braços principais:

Núcleo Paulista – Os “Patriarcas de Sorocaba “

Rafael Tobias de Aguiar, Diogo Feijó e Nicolau Vergueiro. Base em Sorocaba e Itu. 

Diogo Antônio Feijó, também conhecido como Regente Feijó ou Padre Feijó (São Paulo, batizado em 17 de agosto de 1784 — São Paulo, 10 de novembro de 1843), foi um sacerdote católico e estadista brasileiro. Considerado um dos fundadores do Partido Liberal. Foi deputado geral por São Paulo (1826 e 1830), senador (1833

Núcleo Mineiro Os “Patriarcas de Barbacena”

Barão de Cocais, Teófilo Ottoni e José Pedro Dias de Carvalho. Base em Barbacena, São João del-Rei e Queluz, atual Conselheiro Lafaiete.  

Teófilo Benedito Ottoni (1807–1869) foi um político, jornalista e empresário brasileiro, figura central do Império. Destacou-se como deputado provincial por Minas Gerais (1835-1838), deputado geral (1838-1848, 1861-1863) e senador (1864-1869). Defensor das liberdades e do Estado de Direito, liderou a Revolução Liberal de 1842 e fundou o jornal Sentinela do  Serro.

 Eram membros da mesma organização, com juramentos, senhas e códigos idênticos.

   A REUNIÃO DECISIVA: 1 DE JANEIRO DE 1842

 Rio de Janeiro ,1823

Até o fim de 1841, os Patriarcas ainda tentavam a via política. A virada para a ação armada ocorreu numa reunião secreta realizada em 2 de janeiro de 1842, na Chácara do Marques, em São Paulo. Segundo relatos de Nicolau Vergueiro e documentos do processo contra os revoltosos, estiveram presentes as principais lideranças de SP e enviados de MG. Ali, diante da Dissolução da Câmara em maio e das “eleições do cacete” convocadas pelo governo, a decisão foi tomada: não havia mais saída institucional.

A estratégia definida naquela noite foi cirúrgica. Aguardar o estopim com deposição de algum presidente de província liberal. Minas e São Paulo se levantariam juntas e tomar as duas províncias mais ricas e forçar Dom Pedro II a demitir o gabinete conservador e reconvocar o gabinete liberal.

A guerra decretada em 1 de janeiro, faltava só a data para começar.

A EXECUÇÃO DO PLANO: MAIO E JUNHO DE 1842

O estopim veio com a nomeação de José da Costa Carvalho para São Paulo e dissolução da Câmara, os Patriarcas agiram:

17 de maio de 1842: Rafael Tobias de Aguiar proclama a revolução em Sorocaba-SP.

10 de junho de 1842: Teófilo Ottoni e o Barão de Cocais proclamam a revolução em Barbacena-MG. Não foi espontâneo. Foi a execução do plano traçado 5 meses antes na reunião secreta.

Por 3 meses, o plano funcionou. Os Patriarcas controlaram o coração econômico do Império. Em São Paulo, dominaram   o quadrilátero do café. A derrota veio em Venda Grande, 7 de junho, contra o exército imperial  do  Barão de Caxias.

Em Minas Gerais, venceram as tropas legalistas em Queluz no  26 de julho Formaram governo provisório em Barbacena e dominaram o Campo das Vertentes e a Zona da Mata. Venceram as tropas legalistas na Vila  de  Queluz  em  26 de julho. A derrota decisiva foi em Santa Luzia, 20 de agosto, também contra Caxias.

Derrotados militarmente, os Patriarcas venceram politicamente. Em 1844, Dom Pedro II 1844, anistiou todos e entregou o poder aos liberais. A reunião de 1 de janeiro de 1842 entra para a história como o dia em que mineiros e paulistas, sob comando de um cearense, decidiram que a autonomia provincial valia uma guerra.

Em meados do século XIX, o Brasil ainda era um país em construção — política, econômica e territorialmente. A monarquia imperial buscava estabilidade, mas as tensões entre o poder central e as elites provinciais geravam rupturas frequentes.

Uma dessas rupturas ganhou força em 1842, quando estourou uma revolta em duas importantes províncias: São Paulo e Minas Gerais.

CRONOLOGIA DOS PATRIARCAS no movimento político armado de 1842

DataFato
Jul/1841Senador José M. de Alencar funda os Patriarcas Invisíveis
1/Jan/1842Reunião secreta em SP decide pela revolução armada
17/Mai/1842Levante em Sorocaba-SP por Tobias de Aguiar
10/Jun/1842Levante em Barbacena-MG por Teófilo Ottoni
07/Jun/1842  Derrota Venda Grande-SP
26/Jul/1842Vitória em Queluz dos Liberais
2OAgo/1842Derrota em Santa Luzia-MG. Fim da revolta
1844anistiados

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