Parte do acervo da companhia mineira, que enfrenta dificuldades para preservar e restaurar suas criações, será transferida para o Centro Cultural da Romaria
Mais do que abrir um novo museu, o Giramundo Teatro de Bonecos tenta garantir a sobrevivência de um patrimônio construído ao longo de 56 anos. Depois de décadas buscando soluções para preservar seu acervo em Belo Horizonte, o grupo decidiu transferir parte da coleção para o Centro Cultural da Romaria, em Congonhas. A previsão é de que o espaço seja aberto ao público em novembro.
A mudança será oficializada nesta terça-feira (21/7), durante o Festival de Inverno de Congonhas, com a assinatura do termo de fomento entre a Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo (Fumcult) e o Giramundo. Logo após a cerimônia, haverá a apresentação de “Tiradentes, uma história de títeres e marionetes”, espetáculo criado por Álvaro Apocalypse em 1992, com a participação do compositor Celso Adolfo.
“Além de ser um grande atrativo turístico, o Museu do Giramundo é indutor da economia criativa, que envolve todo o segmento da cultura”, aposta o presidente da Fumcult, Pedro Cordeiro.
Seleção e acervo histórico
Atualmente, o acervo do grupo conta com cerca de 1,2 mil itens, entre bonecos e elementos cênicos. Aproximadamente 800 deles são personagens, dos quais entre 600 e 700 já passaram por restauração e podem ser expostos. Desses, cerca de 200 seguirão para Congonhas.
A seleção privilegiou espetáculos que já não integram o repertório em circulação:
- “Dango Balango”
- “Pinóquio”
- “20 mil léguas submarinas”
- “Menino Beethoven”
- “O pirotécnico Zacarias”
- “Música de brinquedo” (show da banda Pato Fu)
“También optamos por criar amostragem que recuperasse a produção das quase seis décadas do Giramundo”, ressalta Marcos Malafaia, um dos diretores do grupo.
A ideia é fazer algo semelhante à exposição “Ocupação Giramundo”, que ficou em cartaz no Palácio das Artes entre 2025 e 2026. Segundo Malafaia, há paralelos diretos entre a obra de Álvaro Apocalypse (1937-2003), um dos fundadores do grupo, e a de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, unidas pelas raízes no Barroco Mineiro e na Escola de Belas Artes da UFMG.
Preservação e atividades educativas
A iniciativa de abrigar parte do acervo partiu da Prefeitura de Congonhas em um momento em que a produção material do grupo começava a sofrer com a falta de conservação adequada, após tentativas frustradas de manter um museu próprio em Belo Horizonte.
O novo espaço no Centro Cultural da Romaria contará com:
- Cursos presenciais e on-line;
- Palestras e festivais;
- Atividades educativas;
- Apresentações regulares do grupo.
A programação garantirá condições permanentes para a conservação do acervo, a formação de novos profissionais e a manutenção de restauradores e marionetistas em atividade.
Belo Horizonte continua como sede
Apesar da transferência de parte da coleção para Congonhas, Belo Horizonte continuará sendo a sede oficial do Giramundo. A intenção é abrir futuramente na capital mineira uma mostra permanente com os bonecos dos espetáculos que seguem em atividade, como “Cobra Norato”, “Os orixás”, “Alice” e “Pedro e o lobo”.
Serviço: “Alice no País das Maravilhas” em BH
- Quando: Domingo (26/7), às 17h
- Onde: Grande Teatro Unimed-BH do Cine Theatro Brasil (Praça Sete, Centro — Belo Horizonte)
- Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), à venda na bilheteria ou na plataforma Eventim.
- Informações: (31) 3201-5211
fonte: Estado de Minas



