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Com 1.440 metros de altitude sobre uma montanha de quartzo, a cidade mais mística de Minas Gerais encanta com lendas e paisagens únicas

Erguida sobre um imenso depósito de pedra no alto da Serra das Letras, a cidade atrai milhares de visitantes em busca de cachoeiras, turismo esotérico e história

Erguida sobre um imenso depósito de pedra no alto da Serra das Letras, São Thomé das Letras tem ruas, casas e igrejas feitas do mesmo quartzito que forma a montanha. A cidade de pouco mais de 7 mil habitantes fica a 1.440 metros de altitude, no sul de Minas Gerais, e é considerada por esotéricos um dos sete pontos energéticos do planeta.

Da lenda do escravo à cidade das grutas

A ocupação de São Thomé começou por volta de 1770, com a construção de uma pequena ermida no alto da serra. A lenda de fundação virou o marco identitário do povoado. Segundo a Prefeitura de São Thomé das Letras, o escravizado João Antão, fugido da fazenda da família Junqueira, encontrou em uma gruta uma imagem de São Tomé acompanhada de uma carta com escrita perfeita. O proprietário, impressionado com a história, concedeu-lhe a alforria e mandou construir uma capela no local.

Em 1785 teve início a Igreja Matriz, com retábulos rococó e forro pintado pelo artista colonial Joaquim José da Natividade. O nome das Letras remete às inscrições rupestres encontradas nas paredes das grutas, provavelmente feitas pelos índios Cataguás muito antes da colonização. Em 1985, o Centro Histórico e a Matriz foram tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG).

O que fazer em São Thomé das Letras em três dias?

O tempo ideal na cidade é de três a quatro dias, com um dia dedicado ao centro histórico, outro às cachoeiras próximas e um terceiro aos passeios mais distantes. A maior parte das atrações naturais fica em áreas rurais e exige carro ou passeio guiado.

  • Gruta São Thomé: no centro da cidade, ao lado da Igreja Matriz, guarda as pinturas rupestres avermelhadas que deram nome ao município.
  • Pirâmide e Cruzeiro: mirantes com vista de 360 graus da serra, considerados os melhores pontos para ver o pôr do sol e o nascer do sol.
  • Pedra da Bruxa: formação rochosa com silhueta curiosa, ponto tradicional de contemplação e um dos cenários mais fotografados.
  • Cachoeira Véu da Noiva: queda alta às margens da estrada de acesso à cidade, com poço de águas geladas.
  • Cachoeira Eubiose: complexo de quatro quedas em trilha de cerca de 800 metros, com destaque para a Garganta do Diabo, que cai em paredão de rocha colorida.
  • Cachoeiras do Flávio e do Paraíso: entre as mais frequentadas na parte rural, com poços cristalinos e paisagem de mata preservada.
  • Ladeira do Amendoim: fenômeno óptico que dá a impressão de carros subirem sozinhos a rua, uma das lendas mais visitadas.
  • Gruta do Carimbado: formação subterrânea com percurso longo, associada por moradores a lendas de portais dimensionais.

A pedra que ganhou o mundo

A economia de São Thomé se sustenta em dois pilares: o turismo e a extração da Pedra São Tomé, o quartzito que reveste calçadas, casas e piscinas em todo o Brasil e no exterior.

Segundo a Câmara Municipal de São Tomé das Letras, o extrativismo mineral começou no século XX e transformou a região no principal produtor mundial desse tipo de quartzito. Em 2024, o produto recebeu o registro de Indicação Geográfica pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), reconhecendo a origem única e a qualidade da rocha exportada para a Europa e outros continentes. As feiras de artesanato do centro histórico vendem peças, esculturas e souvenirs feitos do mineral local.

Sabores da serra mineira

A cozinha são-thomense combina tradição caipira com o estilo alternativo dos visitantes que se estabeleceram na cidade. Restaurantes rústicos, pizzarias e bares com música ao vivo compõem a cena gastronômica.

  • Frango caipira com quiabo: prato-símbolo da cozinha mineira, servido em restaurantes tradicionais do centro.
  • Trutas grelhadas: peixes de água fria cultivados em pisciculturas da Serra da Mantiqueira, presença comum nos cardápios.
  • Pizzas em forno a lenha: parte da cena alternativa, com receitas artesanais e ambientes rústicos como o Ser Criativo Pizza e Arte na Pedra.
  • Doces mineiros e cachaças: geleias, compotas e cachaças de alambique servidas nas lojas do comércio histórico.

Qual a melhor época para visitar São Thomé das Letras?

O clima é tropical de altitude, com verões amenos e chuvosos e invernos secos e frios. A cidade tem estações bem marcadas e noites frias durante boa parte do ano.

  • Verão (Dez – Fev): Média de 17-25°C. Chuva muito alta. Aproveite as impressionantes cachoeiras com volume máximo.
  • Outono (Mar – Mai): Média de 13-24°C. Chuva média. Ideal para explorar as trilhas e o centro histórico.
  • Inverno (Jun – Ago): Média de 8-23°C. Chuva muito baixa. Perfeito para visitar as grutas e curtir o pôr do sol na Pirâmide.
  • Primavera (Set – Nov): Média de 14-26°C. Chuva média. Excelente momento para participar de vigílias e apreciar os mirantes limpos.

Dica do especialista: O inverno (8°C a 23°C), com chuva muito baixa, é o período ideal para visitar as grutas e curtir o pôr do sol na Pirâmide. Já no verão, as cachoeiras com volume máximo garantem cenários espetaculares!

Como chegar em São Thomé das Letras?

A cidade fica a cerca de 335 km de Belo Horizonte e 380 km de São Paulo. O acesso mais comum é feito de carro, com trecho final por estradas de pedra e paralelepípedo que exigem atenção redobrada.

Para quem sai da capital paulista, o trajeto passa pela Rodovia Fernão Dias (BR-381) e depois pela MG-167. Vindo de Belo Horizonte, o percurso segue pela BR-381 até Três Corações e depois pela MG-167. Não há aeroporto próximo, e os mais indicados ficam em Belo Horizonte ou São Paulo. Há linhas de ônibus regulares saindo de Três Corações, cidade-base para conexões regionais.

Vá conhecer São Thomé das Letras

Poucos destinos brasileiros combinam uma cidade inteira feita de pedra, grutas com inscrições rupestres e a fama de portal energético no mesmo endereço. São Thomé segue no ritmo dos místicos, dos aventureiros e dos moradores que preservam a serra como parte da própria identidade.

Você precisa subir a Pirâmide ao entardecer e caminhar pelas ruas de quartzito para entender por que este pedaço da Serra da Mantiqueira virou obsessão de quem procura natureza, história e um bom mistério.

Fonte: Correio Braziliense

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