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O que mudou na fábrica da BYD após 100 mil carros montados no Brasil

Um ano depois, há novos galpões, montagem ampliada e preparação para soldagem, pintura e produção nacional

Quando o InsideEVs Brasil visitou pela primeira vez a fábrica da BYD em Camaçari (BA), há cerca de um ano, o complexo ainda vivia os preparativos finais para iniciar a montagem dos primeiros veículos em sistema SKD (Semi Knocked Down). A linha seria inaugurada oficialmente poucas semanas depois e boa parte das instalações permanecia em obras.

Desde então, a evolução foi rápida. Nesta semana, a BYD anunciou a marca de 100 mil veículos montados no Brasil apenas nove meses após o início da operação em Camaçari e abriu novamente as portas da unidade para a imprensa. O número ajuda a dimensionar o crescimento da operação, mas a visita também permitiu observar como a fábrica evoluiu nesse período e o que ainda falta para a transição à produção nacional completa.

Um complexo se tornando uma fábrica pronta

Quem conheceu Camaçari há um ano percebe a diferença logo na chegada. O galpão destinado à montagem em SKD está totalmente concluído, com fachada, vias internas, paisagismo e áreas de apoio finalizados. Os prédios administrativos e o centro de visitantes, inexistentes ou ainda em obras na primeira visita, agora estão em funcionamento e ajudam a dar identidade ao complexo.

A sensação já não é a de um empreendimento em implantação, mas de uma fábrica efetivamente em operação. Ao mesmo tempo, basta olhar além da atual linha de montagem para perceber que essa representa apenas uma pequena parte do projeto.

Novos galpões revelam a escala do investimento

A paisagem do complexo passou a ser dominada por enormes estruturas metálicas que, em poucos meses, deram forma às futuras áreas de soldagem, pintura e montagem nacional.

As novas edificações impressionam pela extensão. Ao lado delas seguem obras de infraestrutura, novas vias, redes de utilidades, áreas logísticas e edifícios de apoio, ocupando progressivamente toda a antiga área industrial da Ford.

E essa dimensão ajuda a entender que o objetivo da BYD em Camaçari não é apenas montar veículos, mas criar um hub industrial para abastecer o mercado brasileiro e parte da América Latina, com diferentes unidades dedicadas também à produção de componentes e peças.

Linha de montagem ganhou ritmo

A mudança mais evidente aparece mesmo dentro da fábrica. Na visita realizada em 2025, a linha ainda transmitia a sensação de uma operação em preparação. Desta vez, a movimentação é mais constante.

Esteiras transportam veículos entre as estações de trabalho, elevadores automatizados movimentam as carrocerias, equipamentos robotizados operam continuamente e dezenas de funcionários trabalham simultaneamente ao longo da linha.

O processo continua baseado na montagem de kits semimontados importados da China, mas a operação já apresenta o ritmo esperado de uma fábrica em plena atividade.

Bastidores antecipam os próximos lançamentos

A visita também revelou indícios do que a BYD prepara para os próximos meses. Pelas vias internas circulavam diversas carretas transportando veículos semimontados ainda inéditos no mercado brasileiro. Foi possível identificar unidades do Song Pro Flex com o visual reestilizado e também carrocerias do futuro Atto 2 DM-i Flex, modelos que deverão reforçar a produção local na sequência.

Mesmo fora da linha principal, esses veículos mostram que a fábrica já se prepara para ampliar seu portfólio nacional, conforme anúncios anteriores.

Próximo passo muda o perfil da fábrica

Toda essa evolução aconteceu ainda dentro da primeira fase do projeto, baseada na montagem em SKD. Mas a mudança mais importante, porém, ainda está por acontecer. Segundo a BYD, as áreas de soldagem, pintura e montagem nacional devem entrar em operação ainda neste semestre. É essa etapa que permitirá ampliar significativamente o conteúdo nacional dos veículos produzidos em Camaçari.

Na prática, a fábrica deixará de ser apenas uma montadora de conjuntos importados para assumir gradualmente processos industriais hoje realizados na China.

Projeto ainda está longe do tamanho final

A operação atual foi dimensionada para produzir até 150 mil veículos por ano. Em uma segunda etapa, prevista para 2027, a capacidade será elevada para 300 mil unidades anuais. A BYD já confirmou ainda uma nova expansão dentro da estratégia de transformar Camaçari em seu principal hub regional, levando o complexo a uma capacidade potencial de até 600 mil veículos por ano.

Se esse plano for integralmente executado, a unidade baiana passará a figurar entre as maiores instalações automotivas da América Latina e poderá se tornar a maior fábrica de automóveis do Brasil em capacidade instalada.

Além do marco de produção

Os 100 mil veículos montados em apenas nove meses mostram que a operação conseguiu ganhar escala rapidamente. Mais interessante, porém, é perceber como a fábrica mudou nesse intervalo de aproximadamente um ano.

Na primeira visita, o destaque era a expectativa pela inauguração da linha de montagem. Agora, a montagem em SKD já faz parte da rotina, enquanto o protagonismo passa para os enormes galpões que abrigarão soldagem, pintura e produção nacional.

Se há um ano Camaçari representava uma promessa, hoje ela já funciona como uma fábrica. E, pelo tamanho das obras ainda em andamento, fica claro que o projeto definitivo ainda está longe de ser concluído.

Fonte: InsideEVs Brasil

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