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Operação Mata Atlântica em Pé 2026 autua mais de 3 mil hectares de desmatamento ilegal em Minas Gerais

Maior ação integrada de fiscalização ambiental do país mobilizou 17 estados brasileiros

A Operação Mata Atlântica em Pé 2026 embargou 3.076,53 hectares de desmatamento ilegal em Minas Gerais, entre 17 e 27 de agosto, em ação que mobilizou o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), órgãos de fiscalização ambiental e forças policiais. A operação ocorreu simulataneamente em 17 estados do país em atuação integrada, baseada em inteligência geoespacial. Em Minas, o trabalho resultou na fiscalização de 137 áreas, na lavratura de 77 autos de infração que totalizaram R$ 44.421.330,41 em multas, além de outras medidas.   

 FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL

Operação Mata Atlântica em Pé

Minas Gerais 2026

Dados parciais

3.076,53

hectares de desmatamento ilegal embargados em Minas Gerais

137

áreas fiscalizadas

116

alertas de desmatamento investigados

77

autos de infração

R$ 44,4 mi

em multas aplicadas

Fonte: MPMG, Semad e PMMG

Esses são os resultados parciais de Minas Gerais, referentes aos registros já lançados no Sistema de Autos de Infração (Gaia). Após a conclusão dos lançamentos, os números apresentados sofrerão acréscimos.   

Os ilícitos ambientais foram identificados a partir da fiscalização remota e presencial de 116 alertas previamente levantados na fase de planejamento das ações. Esses alertas foram desdobrados em 137 polígonos de desmatamento obtidos por sistemas de monitoramento remoto, como o MapBiomas Alerta, além das plataformas Harpia e BrasilMais.  

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Divulgação‹›

O promotor de Justiça Rauali Kind Mascarenhas é responsável, no MPMG, pela Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias dos Rios Jequitinhonha e Mucuri, explica que cada área fiscalizada nesta edição da Operação Mata Atlântica em Pé começou como um ponto de alerta em uma imagem de satélite. “As equipes conferiram esses alertas, foram a campo e confirmaram o desmatamento. Em dez dias, isso resultou em 77 autuações e no embargo de mais de três mil hectares em Minas Gerais. O que esse trabalho mostra é que quem desmata a Mata Atlântica hoje é visto, é localizado e responderá pelo que fez”, destaca. 

De acordo com ele, a multa e o embargo são apenas o primeiro passo. “Quem suprimiu a vegetação terá de recompor a área, pode responder por crime ambiental e enfrentará restrições no Cadastro Ambiental Rural e no acesso ao crédito rural. A Lei da Mata Atlântica completa vinte anos com os instrumentos necessários para a proteção do bioma. O Ministério Público seguirá acompanhando cada uma dessas autuações até a recuperação das áreas e a responsabilização dos infratores”, afirma. 

A promotora de Justiça Maria Izabela Santos Colares, que está à frente da Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente das Bacias dos Rios Verde Grande e Pardo, esteve em campo com as equipes de fiscalização. Ela ressalta que a Mata Atlântica é um bioma rico em biodiversidade e, no entanto, o mais degradado do planeta. “Preservar a Mata Atlântica não é uma opção, é um dever constitucional e um compromisso com as futuras gerações. As ações integradas da Operação mostram que o planejamento e a organização levam a um resultado mais efetivo de proteção à Mata Atlântica”, reforça. 

Operação no Brasil 

A coordenação nacional da Operação Mata Atlântica em Pé é realizada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com o apoio da Fundação SOS Mata Atlântica. Como nas edições anteriores, em 2026, participaram da operação todos os estados abrangidos pelo bioma: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso do Sul.  

O resultado nacional da Operação Mata Atlântica em Pé 2026, com números compilados de todos os estados, será apresentado durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta (28/08), no Centro Universitário Dom Helder, em Belo Horizonte (MG). A apresentação marcará a abertura do Seminário 20 anos da Lei da Mata Atlântica. Na ocasião, também será realizada a primeira edição do Prêmio Mata Atlântica em Pé, iniciativa da Abrampa em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica.  

Integração e tecnologia 

Para o diretor de Relações Institucionais da Abrampa, promotor de Justiça Alexandre Gaio, a Operação Mata Atlântica em Pé consolida um modelo bem-sucedido de trabalho planejado e articulado entre diversas instituições, com uso de tecnologia para viabilizar efetivas respostas aos ilícitos praticados em prejuízo do bioma mata atlântica. 

“O monitoramento contínuo, aliado à fiscalização híbrida, presencial e remota, efetica responsabilização dos infratores, tem fortalecido a proteção da Mata Atlântica e contribuído para ampliar o controle sobre o desmatamento ilegal. Esse trabalho vem sendo reconhecido como um dos fatores que tem contribuído decisivamente para a redução das taxas de desmatamento do bioma nos últimos anos”, afirma Gaio.  

A diretora de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, explica que é possível reduzir o desmatamento da Mata Atlântica quando a legislação é aplicada com rigor, quando há monitoramento permanente, e quando os órgãos responsáveis conseguem agir sobre as ilegalidades identificadas. “A Operação Mata Atlântica em Pé tem uma contribuição muito importante nesse processo ao integrar Ministério Público, órgãos ambientais e tecnologia para transformar alertas de desmatamento em fiscalização e responsabilização. É esse esforço contínuo e articulado que precisamos fortalecer para avançar rumo ao desmatamento zero no bioma”, completa. 

Monitoramento, fiscalização e responsabilização 

A Operação Mata Atlântica em Pé utiliza informações produzidas por diversos sistemas de monitoramento remoto, entre eles o MapBiomas Alerta, para identificar áreas com indícios de desmatamento ilegal. Com base nesses alertas, equipes de fiscalização realizam verificações remotas e presenciais para confirmar a ocorrência das infrações ambientais e emitir os devidos autos de infração e termos de embargo. 

Em diversos estados, o emprego de drones e outras tecnologias de georreferenciamento complementa as inspeções de campo, aumentando a precisão das fiscalizações e reduzindo o tempo de resposta das equipes. 

Confirmadas as irregularidades, os responsáveis ficam sujeitos à aplicação de multas e demais sanções administrativas e a reparação integral dos danos ambientais e climáticos, sem prejuízo na apuração da responsabilidade nas esferas cível e criminal. As áreas desmatadas ilegalmente também podem sofrer restrições relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), ao acesso ao crédito rural e a outros instrumentos previstos na legislação ambiental.

FONTE: Ministério Público de Minas Gerais

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