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Ex-delegado condenado pela morte de adolescente em Ouro Preto é solto após 11 anos de prisão

O ex-delegado da Polícia Civil Geraldo do Amaral Toledo, 54, condenado a 18 anos e 9 meses de prisão pela morte de uma adolescente em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, foi solto no último dia 12 de setembro.Toledo foi sentenciado em 2015 pela morte de Amanda Linhares dos Santos, de 17 anos. À época, eles mantinham um relacionamento. O ex-servidor público foi solto após mais de 11 anos preso.  

A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG). A transferência de Toledo para o Ceresp Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (22).Antes, ele estava preso no presídio de Andradas, no Sul de Minas. Toledo permaneceu dois dias no Ceresp Contagem antes de receber a soltura definitiva.

Crime aconteceu em estrada de Ouro Preto

O crime ocorreu em abril de 2013, na estrada que liga Ouro Preto a Lavras Novas. Amanda foi baleada na cabeça durante uma discussão entre o casal.Após ser atingida, a adolescente foi socorrida e encaminhada para atendimento médico. Ela morreu 50 dias depois, em um hospital de Belo Horizonte.

Inicialmente, Toledo alegou que Amanda teria tentado cometer suicídio. A versão, porém, foi contestada pelas provas apresentadas durante a investigação. Segundo informações do caso, não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos da adolescente, elemento que ajudou a afastar a hipótese de disparo cometido por ela.

Ainda de acordo com informações da Polícia Civil, Amanda havia registrado um boletim de ocorrência contra Toledo em março de 2013, um mês antes do disparo, por uma suposta agressão.

Condenação

O ex-delegado foi condenado em 2015, após um julgamento que durou três dias em Ouro Preto. A sentença foi proferida pela juíza Lúcia de Fátima Magalhães Albuquerque Silva.A condenação foi de 18 anos e 9 meses de prisão, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e fraude processual.O caso teve ampla repercussão na cidade histórica de Ouro Preto.

Afastamento como professor

De acordo com o jornal O Tempo, Geraldo do Amaral Toledo está entre os servidores da rede estadual de Minas Gerais. Solto definitivamente há dez dias, ele é professor efetivo da educação básica e leciona História na Escola Estadual Mendes de Oliveira, em Congonhal, no Sul de Minas. As informações constam no Portal da Transparência do Estado.

Professor da rede estadual desde 2021, Toledo já trabalhou em escolas de Belo Horizonte, Pouso Alegre e São Lourenço. Desde 2024, está lotado na escola de Congonhal.Nos registros, o professor apresenta atestados médicos desde outubro de 2025. O retorno às atividades estava previsto para 17 de agosto de 2026, mas ele não teria reassumido o cargo desde então e aparece como ausente.

Como servidor da educação básica, Toledo recebe atualmente cerca de R$ 4 mil por mês. Entre 2022 e 2023, os registros indicam que ele trabalhou por quatro meses. Desde 2021, já recebeu mais de R$ 100 mil em remunerações pagas pelo Estado.A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) informou que determinou o afastamento do professor durante a apuração do caso.

“A Secretaria de Estado de Educação apura sua situação funcional nesse período. A apuração abrangerá também os contratos temporários anteriores e as condições em que ocorreu sua atuação docente durante o cumprimento da pena. A SEE/MG informará os resultados das verificações e adotará as medidas administrativas cabíveis, caso sejam identificadas irregularidades”, diz um trecho da nota.

Demissão da Polícia Civil

A condenação não foi o único processo envolvendo Toledo. Em outubro de 2013, meses após a morte de Amanda, ele foi exonerado da Polícia Civil.A demissão havia sido solicitada pela Corregedoria da corporação e aceita pelo então governador Antonio Anastasia. Segundo a Polícia Civil, a medida foi motivada por uma transgressão disciplinar de natureza grave.

O processo administrativo era referente ao período entre 2005 e 2007, quando Toledo era titular da Delegacia de Trânsito de Betim. As investigações apontaram que ele teria contrariado normas de trânsito ao permitir o registro e o licenciamento de duas motocicletas com motores e chassis de procedência irregular.

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