Companhia prepara projeto para ampliar o uso de gás na mineração enquanto desenvolve uma rede de combustível renovável no Triângulo Mineiro, com meta de contratar até 250 mil metros cúbicos por dia
A Gasmig quer ampliar o uso de gás natural e biometano nas mineradoras de Minas Gerais, incluindo alternativas ao diesel no transporte de minério. A iniciativa integra uma estratégia de expansão que prevê aproximadamente R$ 1 bilhão em infraestrutura e 400 quilômetros de redes no Triângulo Mineiro. O projeto de aproximação com o setor mineral tem lançamento previsto para 1º de outubro, conforme reportagem do Diário do Comércio publicada em 29 de setembro de 2026.
Batizado de O Gás que Move Nossas Minas, o programa pretende identificar a demanda futura das empresas e discutir novas soluções energéticas. Entre os temas estão custos, segurança de abastecimento, eficiência e redução de emissões.
Assim, a companhia busca transformar o diálogo com grandes consumidores em projetos concretos. Entretanto, o investimento previsto no Triângulo faz parte de uma estratégia mais ampla de biometano, que poderá atender diferentes segmentos industriais.
Biometano pode substituir diesel em caminhões preparados para usar gás
Uma das possibilidades envolve os veículos pesados que transportam minério. Caminhões preparados para operar com gás podem utilizar biometano como alternativa ao diesel.
Já o gás natural tem aplicações em processos industriais que exigem calor, como a pelotização do minério de ferro e a secagem de minérios. Portanto, a aproximação com as mineradoras envolve tanto as operações das plantas quanto a logística.
Segundo o presidente da Gasmig, Gustavo De Marchi, boa parte da rede estadual ainda dispõe de capacidade para absorver novos consumidores. Por isso, conhecer a escala de consumo prevista pelas empresas ajuda a orientar o planejamento do fornecimento.
Além disso, a companhia já vinha discutindo o uso de gás em frotas pesadas. Em um encontro realizado em 2024, apresentou a proposta de corredores de abastecimento nas principais rodovias mineiras, com postos a cada 400 quilômetros.
Essa distância entre postos corresponde ao projeto rodoviário. Os 400 quilômetros previstos no Triângulo Mineiro, por sua vez, dizem respeito à extensão da infraestrutura de distribuição.
Rede bilionária pretende conectar produção e consumo no Triângulo Mineiro
Na região, a Gasmig aposta no aproveitamento de resíduos agroindustriais para ampliar a oferta de combustível renovável. O plano envolve redes isoladas e interligações que aproximem os produtores dos consumidores.
Em junho de 2026, a companhia assinou um contrato de fornecimento com a GeoMit, parceria entre a Mitsui e a Geo bio gas&carbon, em conjunto com a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool.
O acordo viabiliza uma planta em Uberaba com capacidade de 50 mil metros cúbicos de biometano por dia. A unidade utilizará subprodutos da fabricação de açúcar e etanol, com operação comercial prevista para maio de 2028.
Esse volume representa aproximadamente 20% da demanda regional projetada pela distribuidora. A estratégia completa pretende contratar até 250 mil metros cúbicos diários nos próximos anos.
Portanto, a capacidade da primeira planta e a meta total da Gasmig são etapas diferentes da expansão.
Contratos de longo prazo ajudam a viabilizar novos investimentos
A infraestrutura é uma parte essencial do projeto. Além de produzir o combustível, é necessário garantir sua entrega aos clientes.
Em artigo publicado pela CNN Brasil, De Marchi destacou contratos de dez anos como instrumento para dar previsibilidade ao mercado. Na avaliação do executivo, combinar compradores, fornecimento e conexão física à rede favorece o financiamento de novas unidades.
Assim, o projeto pretende criar condições para que a produção local encontre demanda industrial estável. Ao mesmo tempo, a expansão pode oferecer alternativas a empresas que atualmente utilizam diesel, óleo combustível e GLP.
Expansão depende de demanda e implantação da infraestrutura
A reunião com as mineradoras deve ajudar a dimensionar esse mercado. Custos, disponibilidade de combustível e necessidades operacionais estarão entre os fatores discutidos.
Por enquanto, o lançamento do programa representa uma etapa de articulação com o setor, enquanto a planta de Uberaba e as novas redes têm implantação futura.
A proposta da Gasmig é conectar essas frentes para ampliar o uso do gás na indústria mineira e abrir espaço para o biometano produzido no próprio estado.
fonte: Click Petróleo e Gás



