A dinâmica do emprego formal na região atravessa uma montanha-russa nos últimos anos, marcada por fortes oscilações nos municípios de forte apelo industrial e mínero-metalúrgico. É o que revelam os dados consolidados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), que mapeiam a geração de vagas — o saldo entre admissões e desligamentos — desde 2022 até a parcial de agosto de 2026.
Após um período de grande fôlego em 2023, quando a região celebrou a marca expressiva de 9.129 postos de trabalho criados, o cenário sofreu um duro revés em 2025. O ano passado fechou com um saldo negativo agregado de -885 vagas, puxado principalmente por tombos expressivos em cidades-chave como Mariana ($2.069) e Itabirito (-1.241).
No entanto, o panorama em 2026 começa a desenhar uma reviravolta. Com dados consolidados até o mês de agosto, o saldo anual já aponta um fôlego positivo de 3.698 vagas na região, demonstrando a capacidade de resiliência e reestruturação do mercado de trabalho local.
Congonhas assume a liderança e puxa a retomada
Entre os destaques positivos do período recente, Congonhas brilha como o principal motor da empregabilidade regional. Mantendo uma trajetória de crescimento consistente nos últimos anos ($1.157$ vagas em 2023 e $983$ em 2024), o município lidera isoladamente o saldo anual de 2026, com expressivos $1.675$ postos de trabalho gerados.
Outros gigantes econômicos que haviam tropeçado em 2025 mostram fôlego renovado. Itabirito e Mariana, após sofrerem pesadas baixas no ano anterior, dão a volta por cima e registram saldos anuais de 946 e 822 vagas em 2026, respectivamente. Já Conselheiro Lafaiete, que manteve patamares sólidos de contratação entre 2022 e 2024 (com destaque para as 1.526 vagas em 2022), vive um momento de estabilização mais modesta este ano (124).

Os desafios da retração: Jeceaba e Ouro Branco no vermelho
Enquanto algumas cidades celebram a retomada, outras enfrentam cenários desafiadores. Jeceaba registra o saldo mais preocupante de 2026 até o momento, acumulando uma retração de -749 vagas, somando-se a quedas consecutivas nos anos anteriores. Ouro Branco também caminha na contramão da média regional, apresentando um saldo anual negativo de -165$ em 2026, o que evidencia a forte volatilidade e a dependência dos ciclos industriais e de grande porte que caracterizam a economia local.
Pequenos municípios da região, como São Brás do Suaçuí, Belo Vale e Itaverava, também oscilam entre saldos modestos e leves retrações, refletindo a sensibilidade de economias menores às flutuações macroeconômicas.
Perspectivas
Com a recuperação parcial observada até agosto de 2026, especialistas apontam que a diversificação econômica e o investimento em qualificação profissional contínua serão cruciais para blindar os municípios contra a volatilidade dos setores tradicionais. O fechamento do último trimestre do ano dirá se o ímpeto atual será suficiente para consolidar um encerramento de ciclo robusto para a região.



