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Extratores de pedra-sabão em Ouro Preto em Minas Gerais encontraram galerias de mineração abandonadas do século XVIII

Antiga galeria subterrânea de mineração colonial em Ouro Preto com paredes de rocha esculpidas à mão sob luz tênue de lanterna.

Quem observa as montanhas de Ouro Preto, em Minas Gerais, pode enxergar apenas uma paisagem marcada por igrejas e casarões coloniais. Sob esse cenário, porém, permanecem vestígios da mineração que transformou a região no século XVIII. Galerias subterrâneas, áreas escavadas, poços e outras estruturas formam um patrimônio que continua sendo estudado.

As antigas minas não desapareceram com o fim do Ciclo do Ouro e ainda ajudam a reconstruir como a paisagem de Ouro Preto foi transformada.

O que as pesquisas encontraram nas montanhas de Ouro Preto?

A Serra de Ouro Preto foi intensamente modificada pela mineração colonial. O ouro era extraído tanto em depósitos associados aos cursos d’água quanto nas encostas e no interior dos maciços, onde foram abertas escavações subterrâneas.

O levantamento do patrimônio arqueológico de Ouro Preto e Mariana identificou ruínas, estruturas de mineração e galerias subterrâneas. Pesquisas realizadas desde a década de 1990 ajudaram a cadastrar e mapear parte desse acervo, permitindo compreender melhor a extensão das antigas atividades mineradoras.

Como eram abertas as antigas galerias?

As escavações subterrâneas acompanhavam as características dos veios mineralizados. Em muitos casos, as galerias eram estreitas e sinuosas, seguindo as zonas onde os mineradores esperavam encontrar ouro. Levantamentos geológicos do Serviço Geológico do Brasil registram estruturas desse tipo na Serra de Ouro Preto e em outras regiões históricas de mineração.

A exploração também ocorreu a céu aberto. Técnicas como o desmonte manual e hidráulico removeram grandes volumes de material das encostas, alterando a morfologia original dos morros e deixando marcas que ainda podem ser identificadas na paisagem.

O que existe além dos túneis?

O patrimônio da antiga mineração não se resume às galerias. Pesquisadores identificaram mundéus, aquedutos, reservatórios, poços, áreas de desmonte e outras estruturas relacionadas ao beneficiamento e à circulação da água e do minério.

Um exemplo é o Morro da Queimada, onde o município mantém um sítio arqueológico com ruínas de residências e estruturas associadas aos serviços de mineração dos séculos XVIII e XIX. A área integra o Ecomuseu Morro da Queimada e preserva marcas da antiga ocupação de Vila Rica.

Por que essas galerias também contam uma história humana?

A mineração colonial dependia de uma grande quantidade de trabalhadores, incluindo pessoas escravizadas submetidas às atividades de extração. Estudos históricos mostram que as técnicas de mineração estavam diretamente relacionadas às formas de organização do trabalho e às relações sociais existentes nas Minas Gerais do século XVIII.

Por isso, uma galeria não representa apenas uma estrutura de engenharia. Ela também é um vestígio das condições em que o ouro era procurado e extraído. O patrimônio subterrâneo ajuda a preservar essa dimensão social da história de Ouro Preto.

Por que as antigas minas ainda importam para a cidade?

A preservação ganhou importância adicional com a expansão urbana. Áreas que antes estavam afastadas da ocupação passaram a ser incorporadas pela cidade, colocando estruturas antigas de mineração em contato direto com ruas, construções e novas intervenções no terreno.

Esse é um dos motivos pelos quais o mapeamento das galerias e demais estruturas continua relevante. Conhecer sua localização ajuda tanto na preservação do patrimônio quanto na avaliação das condições do terreno em áreas ocupadas.

O que a ciência ainda investiga em Ouro Preto?

Pesquisadores continuam combinando geologia, arqueologia, história e engenharia para compreender a distribuição das antigas estruturas e os efeitos que a mineração provocou no relevo. O próprio Serviço Geológico do Brasil mantém registros geológicos da Serra de Ouro Preto, incluindo mapas das principais áreas de mineração e galerias.

O resultado é uma leitura diferente da paisagem. As montanhas de Ouro Preto não guardam apenas uma lembrança do Ciclo do Ouro na superfície. Entre ruínas, escavações e galerias subterrâneas, ainda permanecem evidências materiais de como a mineração colonial transformou o território e marcou profundamente a história de Minas Gerais.

fonte: Midiamax

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