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Mesmo com tarifaço de Trump, panetone brasileiro dribla a pressão e cresce lá fora em 2025: exportações avançam 2,8% em valor e 4,4% em volume, somam 5,1 mil toneladas e US$ 20,6 milhões no mundo

Mesmo sob tarifas de até 50% entre agosto e novembro de 2025, o panetone brasileiro aumentou em 2,8% o valor exportado e 4,4% o volume, embarcou 5,1 mil toneladas em onze meses, alcançou US$ 20,6 milhões e chegou a cerca de 50 países, incluindo Estados Unidos, Japão, Austrália e Peru.

Impulsionado pela demanda externa e por estratégias agressivas de preço, o panetone brasileiro conseguiu crescer em 2025 mesmo sob o tarifaço de Donald Trump. Nos primeiros onze meses de 2025, as exportações avançaram 2,8% em valor e 4,4% em volume, somando 5,1 mil toneladas e US$ 20,6 milhões em vendas para o mundo.

Entre agosto e meados de novembro de 2025, os embarques chegaram a enfrentar tarifas de 50% para o principal destino, os Estados Unidos, reduzidas depois para 10% nos primeiros meses do mandato do presidente norte-americano, após negociação com o governo brasileiro. O movimento consolida a recuperação iniciada em 2024, depois do baque da pandemia de covid-19 no mercado internacional de panetones.

Crescimento com tarifa alta e margens comprimidas

Mesmo com a pressão do tarifaço, a indústria de panetones do Brasil evitou perda de mercado ao adotar uma estratégia de redução de margens de lucro e foco em volume.

Segundo a Abimapi, as empresas do setor mantiveram as entregas previstas para o primeiro semestre de 2025, garantindo presença nas gôndolas internacionais em plena alta temporada de fim de ano.

Na prática, isso significou absorver parte relevante do impacto das tarifas para não repassar totalmente o aumento ao consumidor final.

O resultado foi que o panetone brasileiro conseguiu ampliar participação em valor e em volume, mesmo em um cenário de custos mais altos e incertezas políticas na relação com os Estados Unidos.

Estados Unidos seguem puxando as vendas externas

Os Estados Unidos seguem como destino incontornável para o panetone brasileiro. Em 2025, o país respondeu por mais da metade das exportações, com cerca de US$ 11,2 milhões em vendas e aproximadamente 3 milhões de quilos embarcados, o equivalente a algo em torno de 3 mil toneladas. Mesmo sob tarifa extra e câmbio volátil, o valor vendido aos americanos ainda cresceu 1,2% no ano.

Para esse mercado, a indústria aposta em versões específicas, adaptadas ao paladar local, como panetones de red velvet e recheios inspirados em geleia de amendoim.

A diversificação de sabores convive com o produto tradicional, abrindo espaço para que redes varejistas americanas lancem linhas sazonais de panetone com assinatura brasileira.

A estratégia das empresas foi antecipar contratos e concentrar entregas nos primeiros meses de 2025, minimizando riscos de rupturas de estoque em plena temporada de Natal.

Iglesias, da Abimapi, destaca que as entregas planejadas aos Estados Unidos ocorreram como previsto, evitando sobressaltos na principal praça de exportação.

Peru reage, vizinhos avançam e o mercado da saudade cresce

Maior consumidor per capita de panetone no mundo, o Peru tinha reduzido fortemente as compras do Brasil em 2024, em meio àquilo que a Abimapi descreve como flutuação na dinâmica econômica peruana.

Em 2025, o país retomou apetite pelo produto e registrou o maior crescimento percentual entre os principais compradores, com aproximadamente US$ 1,2 milhão em valor e 0,3 milhão de quilos importados.

Na vizinhança, Paraguay, Argentina, Uruguai, Venezuela, México e República Dominicana também aparecem entre os dez maiores destinos, com compras que variam de US$ 0,5 milhão a US$ 1,7 milhão ao ano.

Nesses países, em que há comunidades expressivas de brasileiros, o chamado mercado da saudade impulsiona o consumo de panetones com gotas de chocolate e versões recheadas, que remetem aos sabores encontrados nos supermercados do Brasil.

Esse efeito é particularmente visível em regiões com forte presença de imigrantes, onde o panetone brasileiro passa a disputar espaço tanto com marcas locais quanto com produtos importados de outros países, mas preserva um diferencial ligado à memória afetiva das festas de fim de ano.

Ásia e Oceania abrem novas fronteiras para o panetone brasileiro

Outro destaque de 2025 é a entrada do panetone brasileiro em novos mercados na Ásia e na Oceania. Austrália, China, Hong Kong, Nova Zelândia e Singapura passaram a receber o produto, ampliando o alcance geográfico da categoria e abrindo espaço para crescimento em regiões de alto poder aquisitivo.

Segundo a Abimapi, as empresas têm se esforçado para compreender as diferentes formas de acessar o mercado asiático, com foco especial em estratégias digitais.

O uso de marketplaces e ações de e-commerce é visto como chave para posicionar o panetone brasileiro em um ambiente altamente competitivo, dominado por grandes plataformas de varejo online.

A presença em países como China e Singapura também ajuda a fortalecer a imagem do produto como item de confeitaria premium, associado a datas festivas e a uma experiência de consumo diferenciada, que vai além do público de origem italiana ou brasileira.

Trabalho de duas décadas entre Abimapi e ApexBrasil sustenta expansão

Por trás do avanço das exportações está um trabalho de promoção que já dura mais de 20 anos, conduzido pela Abimapi em parceria com a ApexBrasil.

Só em 2025 foram realizadas 10 ações específicas para o segmento, distribuídas em 6 feiras internacionais, 2 missões empresariais e 2 rodadas de negócios com compradores estrangeiros.

Esse esforço sistemático de promoção comercial, degustações, reuniões com importadores e presença em grandes eventos internacionais ajuda a consolidar o panetone brasileiro como produto reconhecido na prateleira global, não apenas como um item sazonal, mas como símbolo da confeitaria industrial do Brasil.

A continuidade desse trabalho é considerada essencial pelo setor diante do ambiente ainda instável, marcado por possíveis mudanças em tarifas, custos logísticos e exigências sanitárias em diferentes partes do mundo.

Perspectivas e desafios para os próximos anos

O desempenho dos primeiros onze meses de 2025 indica que o panetone brasileiro entra nas próximas temporadas de fim de ano em posição mais confortável do que no período pós-pandemia, com canais consolidados e presença em cerca de 50 países.

A diversificação de mercados, com a entrada na Ásia e na Oceania, reduz a dependência exclusiva dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o setor sabe que o ciclo de festas ainda está sujeito à volatilidade de custos, à instabilidade da economia global e a eventuais revisões nas tarifas americanas.

A combinação de inovação em sabores, presença digital e diplomacia comercial será decisiva para que o panetone brasileiro mantenha o ritmo de crescimento no exterior sem perder competitividade.

E você, acha que o panetone brasileiro exportado já está à altura dos melhores do mundo ou ainda tem muito espaço para evoluir em preço, qualidade e variedade?

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS

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