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Comunidade de São Vicente rejeita trânsito pesado caminhões de minério e Prefeito de Itaverava apresenta solução para escoamento

Na noite de terça-feira (27), aconteceu uma reunião pública entre os moradores da comunidade rural de São Vicente, em Conselheiro Lafaiete, e os representantes da Mineradora Carijós, empresa que vai explorar minério entre os municípios de Itaverava, Santana dos Montes e Lafaiete, o chamado Projeto Água Limpa, pertencente ao grupo Atlântica Minas. A intenção é iniciar as operações ainda em setembro, mas a empresa enfrenta a dificuldade de rota de escoamento. O primeiro caminho, já licenciado LCA1 nº 026/2021, autorizava o escoamento pelas estradas de Santana dos Montes e Itaverava. A empresa optou pelo Distrito de Buarque de Macedo, porém a comunidade rejeitou a proposta.

Na reunião foi apresentada uma nova rota que sai da sede da empresa passando pela estrada rural de São Vicente para ganhar a BR 040 pelo Bairro Santa Matilde, e chegar a BR 040 até Murtinho onde o minério de ferro será escoado via linha férrea.

Questionados sobre o motivo de alteração da rota os representantes da mineradora informaram que o tráfego de veículos pesados abalaria a propriedade intitulada Fazenda Água Limpa, que é patrimônio histórico, como também a centenária Estação Ferroviária de Buarque de Macedo.Indignados, os moradores criticaram a mudança com receio em relação a segurança e abalos as residências. A reunião contou com a mobilização da comunidade que participou em peso e discutiu as propostas apresentadas.

Os representantes da empresa informaram que a reunião era apenas uma consulta e que a rota é uma proposta que ainda depende de um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) que será apresentado até dia 20 de setembro a prefeitura. Em meio a rejeição da rota, a comunidade teme pelos impactos, pois serão 40 caminhões ao dia em circulação aumentando a poeira, poluição sonora, riscos e insegurança. Os moradores alegam que a estrada não comporta este volume de trânsito pesado.

Por outro lado, a empresa citou fará a manutenção constante, encascalhamento, sinalização, redutores, enlonamento das carretas, umidização, etc. Os representantes da Carijós Mineradora foram taxativos em afirmar que a reunião tinha o intuito de ouvir a população local sem imposição. “A estrada é estreita e precária, caso a mineradora passe a utilizá-la haverá inevitável monopolização do uso da população ficará privada de utilizá-la ou submetida a situação de risco extremo caso decida continuar trafegando por ela, caso poder público valide essa situação estará junto assinando a responsabilidade relativa a tantas vidas que diariamente serão colocadas em risco”, disse uma moradora a nossa reportagem.

Prefeito propôs solução

Já ao final da reunião, veio uma solução: o prefeito da cidade de Itaverava, Delei do Bananal (PL), pediu a palavra, e manifestou apoio a comunidade de São Vicente de Paula e apresentou como solução o escoamento do minério pela estrada do município, que já possui via adequada com investimentos já promovidos para atender o escoamento. Inclusive ele citou que o Município foi penalizado com uma multa ambiental de R$170 mil ao ampliar a estrada para trânsito de pesados.

Ação

A advogada Thaís Valadares informou que já tramita no Ministério Público uma representação em prol de melhorias e manutenção, pedido anterior a chegada da mineradora. A população de São Vicente de Paula declarou que tentará obstar que seja implementada essa rota pela comunidade local por todos âmbitos, sejam administrativos ou judicial.

O empreendimento

O Projeto Água Limpa, empreendimento da Carijós Mineradora Ltda., está situado na zona rural de Itaverava, entre as divisas de Santana dos Montes e Conselheiro Lafaiete. A mineradora vai iniciar operações de lavra a céu aberto de minério de ferro, disposição de pilhas de rejeito/estéril e funcionamento de uma Unidade de Tratamento de Minerais (UTM) com processo a seco, sem barragem. A produção prevista é de 550 mil toneladas de minério de ferro por ano, com beneficiamento de até 750 mil toneladas/ano.

De acordo com o Plano de Controle Ambiental (PCA), o empreendimento terá vida útil estimada em 10 anos e não utilizará água nas operações, uma vez que todo o processo ocorrerá a seco. A área diretamente afetada ocupa cerca de 12 hectares, sendo 5 hectares destinados à pilha de estéril/rejeito.

Também não foram divulgados os valores de investimento nem de arrecadação de impostos, como a CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), porém os valores oriundos do imposto serão destinados a Lafaiete e Itaverava proporcionalmente.

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