A reforma tributária entra na fase de transição em 2026, com convivência de sistemas e testes do novo modelo de cobrança eletrônica, preparando a virada para CBS em 2027 e IBS estadual e municipal a partir de 2029.
A partir de janeiro de 2026, a reforma tributária inicia oficialmente a transição com a proposta de unificar impostos e colocar de pé um IVA digital, com cobrança eletrônica e automação do recolhimento.
No cronograma apresentado, 2026 funciona como um ano de teste com alíquota reduzida para calibrar o sistema, 2027 marca o início da cobrança efetiva da CBS e 2029 inaugura a cobrança do IBS estadual e municipal, coordenada por comitê gestor.
O que muda na prática com a reforma tributária
O ponto central é a migração do modelo manual para um sistema totalmente automático e eletrônico, com cobrança vinculada ao pagamento. A lógica antiga, de lançar nota por nota e recolher no mês seguinte via guia, é descrita como um modelo que será aposentado com a transição.
A proposta é que a empresa passe a lidar menos com burocracia e mais com o preço do produto, separando a tributação da negociação comercial, como ocorre em outros sistemas de IVA.
IVA digital, CBS e IBS: o novo desenho do imposto
O IVA digital entra experimentalmente em 2026 e o sistema já vinha sendo preparado com testes e simulações, incluindo interações com empresas de grande porte.
O arranjo descrito inclui:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) como etapa federal, com cobrança efetiva a partir de 2027
- IBS como etapa estadual e municipal, iniciando em 2029, operado por secretarias estaduais e municípios via comitê gestor
Crédito financeiro e cashback: o detalhe que muda o caixa das empresas
Um dos pontos mais sensíveis é a mudança do crédito: ele deixa de ser apenas escritural e passa a ser crédito financeiro, condicionado à compra e ao pagamento dentro do sistema indicado pelo fisco e pelo comitê gestor.
Na prática, cada nota fiscal de compra gera crédito, e a dinâmica inclui a ideia de “cashback” tributário ao longo da cadeia, à medida que a mercadoria é transformada e vendida.
Promessas de redução de custo e impacto para o consumidor
Na avaliação descrita na base, a reforma tributária eliminaria distorções e reduziria custos ligados a renúncias, inadimplência e burocracia, com potencial de reduzir o custo total do sistema e, com isso, aliviar parte do preço final pago pelo consumidor.
Também aparece a defesa de um modelo com alíquota padrão e devolução para baixa renda via cashback, como forma de aliviar quem mais sente o peso dos impostos indiretos no consumo.
Comitê gestor e pacto federativo: quem ganha e quem perde
A preocupação federativa é destacada, com a tese de que a reforma tributária pode fortalecer municípios ao unificar regras e ampliar a participação na arrecadação após a partilha, com mudanças relevantes na lógica atual de arrecadação local.
Ao mesmo tempo, o texto aponta transições longas para ajustes e manutenção de mecanismos de partilha por muitos anos, justamente para evitar choques imediatos entre entes federativos.





