×

PCMG revela bastidores da operação que prendeu o maior traficante de Minas

A  Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG)  prendeu, na última sexta-feira (9), um dos criminosos mais procurados do país, Sonny Clay Dutra, de 43 anos. Considerado o maior traficante de pasta base de cocaína de Minas Gerais, ele foi capturado na cidade de Divinópolis, no Centro-Oeste do estado, como resultado de uma complexa operação de inteligência que durou meses. As informações foram detalhadas pela corporação neste sábado (10).

Sonny Clay Dutra, que já possuía um mandado de prisão em aberto por uma condenação de 14 anos, era o cérebro por trás da logística de transporte da droga vinda de países vizinhos, como Bolívia e Paraguai. No momento da abordagem policial, ele foi flagrado com porte ilegal de arma de fogo, mas não ofereceu resistência à prisão.

Uma das prisões mais relevantes dos últimos anos

A captura de Sonny Clay Dutra foi celebrada como um grande golpe contra o crime organizado. A chefe da PCMG, delegada-geral Letícia Gamboge, destacou a importância da ação para a segurança do estado.

“É uma das prisões mais relevantes que fizemos nos últimos anos, considerando a expressividade dele na atividade criminosa em Minas Gerais, considerado um dos maiores traficantes do Brasil e o maior traficante de pasta base de cocaína de Minas Gerais.”Letícia Gamboge, Chefe da PCMG

O governador Romeu Zema também se manifestou em suas redes sociais, parabenizando o trabalho das forças de segurança. “Um dos maiores traficantes de Minas está onde precisa ficar, de volta à cadeia. A nossa Polícia Civil prendeu, nesta madrugada, Sonny Clay Dutra, após um preciso trabalho de inteligência. Aqui, criminoso não tem paz. E é por isso que temos um dos estados mais seguros do país”, publicou.

Operação de Inteligência e Histórico do Criminoso

A operação que culminou na prisão foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), em conjunto com a Diretoria de Inteligência Policial da Superintendência de Informações e Inteligência Policial (SIIP) da PCMG.

Natural de Ouro Preto, Sonny Clay Dutra já era um velho conhecido das autoridades. Ele havia sido preso em 2019 pela mesma equipe do Deoesp, mas teve sua prisão preventiva revogada na época e, desde então, estava foragido. Seu nome constava na lista dos criminosos mais procurados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

As investigações apontaram que, embora tenha sido localizado em uma boate em Divinópolis, o traficante residia em Itaúna, na mesma região. O delegado da Draco 1, Davi Batista Gomes, detalhou os desafios da captura.

“As investigações para localizá-lo vêm de muito tempo e demandaram muito trabalho de inteligência e de campo, ele já foi preso diversas vezes, tem uma grande rede de proteção, tem muito dinheiro, então consegue trocar frequentemente de endereço. Conseguimos dar um golpe muito forte no tráfico de drogas do estado, principalmente na questão da grande logística, que abastece os pontos de droga.”Davi Batista Gomes, Delegado da Draco 1

Próximos Passos: Lavagem de Dinheiro e Ramificações

O chefe da operação especializada do Deoesp, Marcus Vinícius Lobo Leite Vieira, revelou que Sonny Clay Dutra é investigado pela Polícia Civil desde 2013. O delegado o descreveu como um “criminoso contumaz” com atuação sofisticada.

“É um criminoso contumaz, tem grandes contatos em regiões de fronteira, por isso se tornou o maior narcotraficante do estado de Minas Gerais e um dos maiores do país e não tem vínculo com nenhuma facção específica, mantendo interlocução com todas. Atua em um nível acima da logística de drogas e é o responsável por trazer grandes quantidades de cocaína para Minas Gerais.”Marcus Vinícius Lobo Leite Vieira, Chefe da operação do Deoesp

Com a prisão do líder, a investigação entra em uma nova fase. O foco agora é desmantelar toda a estrutura financeira e operacional da organização criminosa.

“Vamos entrar uma segunda fase em que vamos esmiuçar a questão da lavagem de dinheiro e tentar as outras ramificações da organização da qual ele faz parte. Conseguimos atingir o topo, agora vamos atacar a capilaridade dessa organização e chegar nas outras conexões”, explicou o delegado Vieira.

As apurações iniciais indicam um vasto esquema de lavagem de dinheiro que envolve empresas de fachada em setores como alimentos e postos de combustíveis. A rede criminosa se estende por diversos estados além de Minas Gerais, incluindo São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal.

A delegada-geral Letícia Gamboge reafirmou o compromisso do estado no combate a essas estruturas. “Com esta ação, reafirmamos o compromisso inabalável da Polícia Civil e do Governo de Minas no combate ao crime organizado, às facções e ao tráfico de drogas. Aqui em Minas Gerais, não tem impunidade. Não vamos tolerar criminosos e prenderemos quem quer que seja”, concluiu.

FONTE: Jornal Gerais

Receba Notícias Em Seu Celular

Quero receber notícias no whatsapp