O Mercado Central de Belo Horizonte pulsa com histórias, aromas e cores que atravessam gerações. Criado para organizar a oferta de produtos alimentícios destinada a uma população em crescimento, tornou-se rapidamente parte integrante da vida urbana da capital.
Belo Horizonte tinha pouco mais de três décadas quando o então prefeito Cristiano Machado, no exercício do mandato entre 1926 e 1930, decidiu reunir feirantes até então dispersos em diferentes pontos da cidade em espaço único e organizado. Assim, em 7 de setembro de 1929, inaugurou-se o centro de comércio em terreno situado nas proximidades da Praça Raul Soares, reunindo as feiras da Praça da Estação e da área onde, mais tarde, se instalaria a rodoviária.

Nos primeiros anos, barracas de madeira ocupavam cerca de 14 mil metros quadrados do terreno, enquanto carroças transportavam frutas, verduras e ervas frescas. O ambiente era marcado por trabalho intenso, convivência cotidiana e troca de saberes entre comerciantes e fregueses.
Na década de 1960, diante das dificuldades de gestão pelo poder público, os próprios vendedores se organizaram e adquiriram a propriedade, assumindo o compromisso de construir a cobertura que consolidou o mercado como entidade autogerida. Com o passar do tempo, o espaço passou a abrigar lojas de artesanato, ervas medicinais, utensílios variados e serviços, firmando-se como ponto turístico e lugar de expressão regional.

Entre os símbolos que conectam o mercado à herança mineira estão a estátua de Dona Lucinha, referência à culinária regional, e a capela dedicada à Nossa Senhora de Fátima, padroeira do mercado desde a doação de imagem oferecida pelos feirantes em gesto de devoção. As trajetórias dos comerciantes, de suas famílias e do atendimento cotidiano aos clientes transformaram o local em referência comunitária e memória afetiva. Iguarias como o fígado com jiló consolidaram-se como sabores característicos do ambiente.
Atualmente, cerca de quatrocentos estabelecimentos funcionam no Mercado Central, que continua a suprir a demanda por mantimentos frescos, produtos regionais e artigos
diversos. O espaço permanece como ponto de encontro turístico e cultural, recebendo visitantes de diferentes origens, além de desempenhar função educativa por meio de visitas guiadas voltadas à preservação e difusão do conhecimento sobre comércio, gastronomia e patrimônio urbano.

O Mercado Central permanece como testemunho vivo da história de Belo Horizonte, preservando memórias e mantendo a identidade da cidade integrada à vida cotidiana e ao convívio social.



