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Mostra de Tiradentes cria 2,5 mil postos de trabalho e movimenta renda em cidade do interior

Karine Teles destaca o audiovisual como indústria geradora de renda, e Raquel Hallak ressalta o impacto do festival no desenvolvimento turístico do interior de Minas

Há 29 anos, no mês de Janeiro, a cidade histórica de Tiradentes, no Campo das Vertentes, localizada a pouco mais de 190 quilômetros de Belo Horizonte, recebe cineastas, produtores, atores, entusiastas e turistas para a Mostra de Cinema. Além de diretamente impactar a indústria cultural de todo o Brasil, nesse que é considerado o ‘ponta pé’ do calendário audiovisual do país, a mostra é responsável por movimentar a economia e renda da cidade.

A atriz, diretora e roteirista Karine Teles, grande homenageada desta 29° edição, destacou, em coletiva de imprensa realizada no primeiro final de semana da Mostra, além do momento do cinema nacional, muito reconhecido internacionalmente nos últimos anos, a importância do setor audiovisual como gerador de empregos e renda no país.

“O que espero é que a gente consiga fortalecer a indústria, não só por conta dos benefícios artísticos que olhar para o próprio país, através da arte, geram para a população geral, mas também porque é uma indústria que gera muito emprego. Se você pega os números, a gente alimenta ‘mais boca’ do que muita indústria reconhecida e estabelecida no nosso país”, explicou a atriz.

Karine cita a própria Mostra de Tiradentes como exemplo desse impacto. “Você vê a própria Mostra: 2.500 empregos gerados. É girar a economia, trazer dignidade e uma profissão para muita gente que tá em busca de emprego”, ressaltou.

Para a homenageada, a consolidação do cinema brasileiro como indústria passa, necessariamente, pela diversidade de linguagens, formatos e públicos. “Eu acho que para a gente ter uma indústria forte e estabelecida, a gente precisa de diversidade, para atender a todos os tipos de necessidades de conteúdo”, concluiu.

Impacto no interior de Minas

A idealizadora e coordenadora do festival, a mineira de São João Del-Rei, Raquel Hallak, em entrevista à Itatiaia, explicou o impacto de realizar um evento desse porte em uma cidade que sequer possui salas de cinema.

“Estamos aqui há quase 30 anos trazendo exatamente a possibilidade de que a cultura pode acontecer em qualquer lugar. É o evento precursor da descoberta da vocação turística de Tiradentes”, destaca Hallak.

A idealizadora lembrou que, quando a Mostra começou, em 1998, Tiradentes ainda não integrava o roteiro turístico nacional. “Quando a gente começa, a cidade não existia no roteiro turístico, tinha apenas 450 leitos nos hotéis, o evento projetou a cidade. A gente trouxe toda a nossa experiência da Universo [produtora responsável pela realização da Mostra de Tiradentes], trazendo um evento que não é só exibição de filmes. É formação, é debate, é reflexão”, explicou.

Atualmente, a cidade do Campo das Vertentes recebe os mais diversos tipos de festival, como o Foto em Pauta, festival de Fotografia, o Festival de Teatro Tiradentes em Cena, o Encontro de Motos, o Festival Internacional de Cultura e Gastronomia, entre outros.

Segundo ela, apesar dos desafios logísticos, o impacto positivo justifica o esforço. “É sempre um desafio grande montar toda essa infraestrutura e, ao mesmo tempo, reunir uma programação representativa do cinema brasileiro contemporâneo. Mas, ao longo dessa trajetória, a gente vai sentindo que vale a pena todo o esforço, porque gera renda, gera emprego, gera desenvolvimento social, humano e econômico”, destacou.

FONTE: ITATIAIA

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