Os primeiros exames médicos realizados em Alice Maciel Lacerda Lisboa, de 4 anos, descartaram que a criança tenha sido vítima de violência sexual. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (2) pelo delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Lurizam Costa Viana, responsável pela investigação do caso em Jeceaba, na Região Central do estado. Alice, que é autista não verbal, passou cerca de 48 horas desaparecida após sumir na última quinta-feira (29), no distrito de Bituri, enquanto estava na casa da avó. Ela foi localizada com vida no sábado (31), em uma área de mata, mobilizando grande comoção na cidade. Logo após o resgate, a menina foi encaminhada para atendimento médico em um hospital de referência, em Conselheiro Lafaiete, onde passou por exames clínicos completos.
Segundo o delegado, a Polícia Civil solicitou a aplicação do protocolo específico para possíveis vítimas de violência sexual, mas não foram encontrados indícios de abuso. “Em princípio não foram constatados sinais externos de violência sexual, o que nos deixou bastante confortáveis”, afirmou Lurizam Costa Viana. Ainda de acordo com ele, a criança apresentava apenas pequenos ferimentos leves, como espinhos e arranhões, compatíveis com a permanência em área de vegetação. “Ela apresentava poucos ferimentos, alguns espinhos e arranhões, foi medicada e devidamente atendida. Nossa equipe esteve junto, eu inclusive”, completou.
Investigação continua
Apesar do alívio com o estado de saúde da menina, a investigação segue em andamento. A Polícia Civil agora busca esclarecer como Alice chegou ao local onde foi encontrada e o que aconteceu durante o período em que permaneceu desaparecida. A criança foi encontrada por um voluntário que auxiliava as buscas ao lado do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. O reencontro com a família foi marcado por emoção. A mãe, Karine Maciel, agradeceu o apoio recebido.“Tudo o que eu queria era isso aqui: minha filha quentinha dentro de casa, alimentada. Ela está bem, medicada. Só tenho a agradecer a Deus e à Virgem Maria por terem trazido minha filha de volta”, desabafou. O caso segue sob investigação.
Possível rapto
Sem dormir há três dias, a avó, Andreia Maria do Vale, contou que viveu momentos de desespero e levantou a suspeita de que a neta possa ter sido levada por alguém. “Ela não desceu para o mato, ela não ia por lá. Eu convivo com ela, eu sei. Ela nunca desceu na mata. Alguém pegou ela aqui”, afirmou. Apesar da desconfiança, Andreia disse que prefere não apontar culpados. “Mas isso é uma coisa que a gente perdoa. Não estou aqui para julgar ninguém, de coração”, completou.
Assim que o desaparecimento foi percebido, uma grande força-tarefa foi organizada. O caso mobilizou 12 guarnições do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, além das polícias Militar e Civil, equipes da Defesa Civil, cães farejadores, drones com câmeras térmicas e cerca de 200 voluntários, que percorreram a mata dia e noite em busca de pistas.





