Pela primeira vez na história, as cinco escolas de samba de Congonhas realizaram ensaio técnico na av. Marechal Floriano Peixoto nesse domingo (08/02), há 5 dias do início dos desfiles do CARNAVAL pra TODOS 2026. A partir deste ano, o local passa a se chamar Circuito Manoel Correa Evangelista durante a folia. As agremiações puderam cronometrar o tempo, corrigir a harmonia entre as alas e observar possíveis problemas com o carro de som. Este ano voltam à avenida após décadas, a Unidos da Matriz, a Mocidade e a Império Praiano. Os trabalhos foram coordenados pela Liga Independente das Escolas de Samba de Congonhas (Liesc) com apoio da comissão organizadora da festa criada pela Prefeitura. O público compareceu em bom número, apesar da chuva, que variou entre fortes pancadas e garoa. Durante os desfiles, haverá arquibancada para quem for torcer por sua agremiação, o que ocorreu pela última vez em 1995.
Com oito títulos no Carnaval de Congonhas, a verde e rosa Unidos da Matriz, afiliada à Estação Primeira de Mangueira, do Rio de Janeiro, carrega uma trajetória marcada pela força cultural e pela identidade da cidade. Primeira escola de samba de Congonhas, fundada em 1976, a escola retorna aos desfiles após 30 anos para comemorar seus 50 anos, com o enredo “Pela Primeira Vez de Novo: A Matriz Canta Sua História”, uma celebração de sua caminhada e um novo capítulo dessa linda história.
A Império Praiano (azul, rosa e branco), criada em 1979 por famílias do bairro Praia, entre as quais estiveram os saudosos Divino Sabará, Ronaldo Batatinha, tendo como seu primeiro presidente de honra, José de Freitas Cordeiro (Zelinho). Sua última passagem pela Marechal ocorreu no ano que encerrou a primeira fase dos desfiles de Congonhas, em 1995.
Em 2026, ela volta com o enredo “Nas trilhas do Ouro, brilha Congonhas de fé”. Nas trilhas da história, da fé e da cultura mineira, o Império Praiano pede passagem para a avenida. Entre rios, montes e memórias, Congonhas canta sua devoção, sua arte e a resistência de um povo.
A Mocidade, representante da comunidade do Centro, fundada em 1980, ficou fora dos desfiles por 30 anos. Na volta, traz o enredo “Do ouro à lama, da lama à esperança”, que remete ao período em que o rio Maranhão, outrora rio das Congonhas, era navegável, até se tornar poluído e chamar por ser revitalizado.
De volta à avenida pela terceira vez nesta nova fase dos desfiles de Congonhas, a Acadêmicos da Jacuba homenageia a própria escola, jogando luzes sobre o livro “Jacuba, corpo e alma”, de Rosalvo Braga, que relata os desfiles antigos, iniciados em 1978. Em 2026, uma das novidades será uma ala do Bloco da Mamona, formado por componentes da própria agremiação.
A Casa Imperial da Rosa (parceria da Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, e Acadêmicos do Tucuruvi, de São Paulo) foi a escola responsável pela retomada dos desfiles de Congonhas em 2023.
Em 2026, ela revisita o enredo “A dança da lua”, apresentado pela Estácio de Sá em 1993. Mais do que uma releitura, é, segundo a escola, um gesto de reverência a um dos mais belos mitos Karajá e à primeira escola de samba fundada no Brasil. Em um tempo em que o mundo volta os olhos para o meio ambiente, a agremiação reafirma a importância dos povos originários como guardiões da natureza e da memória coletiva.
Um dos grandes nomes do Carnaval do Rio, Leonardo Bessa, intérprete do Salgueiro, puxará o samba na Marechal.
A escola desfila há 3 anos em Belo Horizonte junto com a Canto da Alvorada.
Desfiles
Na sexta-feira, 13, Acadêmicos da Jacuba, às 21h30, e Império Praiano, às 23h.
No sábado, 14, 21h, Unidos da Matriz, e às 22h30, Casa Imperial da Rosa e Mocidade Independente às 0h.
Quem for à Marechal poderá se acomodar nas arquibancadas que serão montadas pela Prefeitura.
A Secretaria de Comunicação fará a transmissão ao vivo dos desfiles pelo Canal Congonhas no Youtube, inclusive com imagens 4K, com narração e comentários.
Organização dos desfiles e infraestrutura
Enquanto a Prefeitura cuida da infraestrutura necessária para a realização dos desfiles das escolas de samba de Congonhas, que serão realizados sexta e sábado desta semana (13 e 14/26), a Liga Independente das Escolas de Samba de Congonhas (Liesc) cuida da direção artística e da organização do campeonato, que inclui o julgamento. O presidente da Liesc, Eduardo Teixeira, conta como foram definidos os jurados, fala sobre critérios do julgamento e aponta outras novidades do desfile deste ano.
Apesar de a infraestrutura ficar por conta da Prefeitura, um elemento fundamental para o bom desenvolvimento dos desfiles das escolas ficou com a Liesc. O som. O que está programado para este ano?
Eduardo Teixeira – Este é um problema em todos os lugares onde há desfiles de escolas de samba. Mesmo no Rio de Janeiro, até hoje sempre há reclamação da qualidade de som. São 340 metros de pista. Este ano, a bateria, cavaco, violão e cantores secundários serão microfonados, para que o público, jurados e internautas tenham acesso a todos os elementos musicais. Desta vez, contratamos um carro de som bastante potente e caixas de som por toda a avenida, haverá compensação de delay, para evitar descompassos do som. Eventuais falhas poderão acontecer, mas já deveremos ter um avanço em relação a anos anteriores. Os intérpretes vão ao lado do caminhão de som. Todas as especificações foram passadas à empresa responsável pela sonorização dos desfiles.
Na época áurea dos desfiles das escolas em Congonhas, os jurados eram tidos como um problema. Tanto que, em 1981, houve até o enterro do Carnaval por conta da discordância de duas escolas em relação ao resultado da apuração. Como é tratado este tema pela Liesc?
Eduardo Teixeira – Os critérios garantem transparência. Após a Liesc os pré-selecionar, os jurados que vã atuar foram escolhidos em plenária em que o presidente de cada uma das cinco escolas teve direito a voto e veto. Para que um fosse aprovado, ele teria de ter, no máximo, um voto contrário. Serão 27 jurados e 9 quesitos, então três por quesito. Eles estarão dispostos em três cabines ao longo da pista.
A Liesc chegou a contatar 50 pessoas, antes de chegar aos 27 escolhidos. Todos estes possuem formação e atuam de forma profissional, porque são da área em que serão julgadores no Carnaval de Congonhas. Os jurados de samba-enredo, bateria e harmonia são profissionais da área de música. Os de alegoria e adereços são arquiteto ou designer. Os de fantasia são designer de moda e os de enredo são historiadores ou jornalistas. Eles virão de Ouro Preto, Belo Horizonte, Conselheiro Lafaiete, São João Del Rei e Varginha.
O livro com os enredos será entregue aos jurados. O julgamento é subjetivo. Eles recebem um curso específico para julgadores. Os critérios são os utilizados no julgamento das escolas de samba do Rio de Janeiro e foram flexibilizados e adaptados para a realidade de Congonhas e aprovados pelos presidentes das escolas.
Qual será o mínimo de participantes por escola?
Eduardo Teixeira – Mínimo de 250 componentes.
As notas variam de quanto a quanto?
Eduardo Teixeira – As notas vão de 9 a 10. A menor de cada quesito é descartada. Mas como critério de desempate esta também é considerada. Toda nota diferente de 10 o jurado tem de justificar.
Quanto tempo a escola tem para atravessar os 340 metros de pista?
Eduardo Teixeira – Cada escola terá o tempo mínimo de 55 minutos e o máximo de 1h10 para desfilar. Haverá perda de um décimo a cada minuto de atraso da escola. Também terá sirene para avisar o início dos desfiles e cronômetros posicionados pela avenida.
Que outras novidades estão programadas?
Eduardo Teixeira – Queima de fogos de baixo ruído e cada escola que estiver iniciando seu desfile. A operação vai ficar por conta de uma empresa especializada e em local adequado.
Haverá na área de concentração banheiros, distribuição de água mineral, ponto de apoio da Liesc para baianas, passistas, destaques, velha guarda.
Como também porteira de início e fim dos desfiles, credenciamento do quadro móvel para garantir pista limpa durante os desfiles, a fim de evitar prejuízo pra as escolas.
Será distribuído entre o público um roteiro de desfile no formato de livreto com o samba-enredo, a ficha técnica e um resumo ala a ala, carro a carro da escola, que será distribuído para o público.
A parceria está funcionando bem. Precisamos e devemos evoluir com as demandas de infraestrutura pós-Carnaval com o prefeito Anderson e a comissão de carnaval, presidida pelo João Paulo Sabará.
Após o Carnaval, um dos desafios será onde guardar todo este material para ser utilizado novamente. A expectativa é de que tenhamos seis escolas desfilando em 2027.
A apuração das notas está marcada para a Quarta-feira de Cinzas no Poliesportivo Central, na Praia, às 19h.
Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas











