Ponte internacional no Centro-Oeste integra corredor bioceânico e reposiciona rotas comerciais entre América do Sul e Ásia, com impacto direto em prazos logísticos, infraestrutura de fronteira e estratégias de transporte internacional de cargas.
A ponte internacional em construção entre Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai, é apontada por governos e técnicos envolvidos no projeto como um dos principais elos para reduzir o tempo de transporte de cargas entre o Mercosul e mercados asiáticos.
A estrutura integra a Rota Bioceânica e, segundo estimativas oficiais, pode encurtar em até 15 dias o trajeto de mercadorias em relação a rotas hoje utilizadas.
O projeto busca oferecer uma alternativa logística ao escoamento tradicional via Oceano Atlântico.
A proposta é permitir que cargas brasileiras sigam por via terrestre até portos do norte do Chile, no Oceano Pacífico, de onde partem embarcações com destino à Ásia.
Autoridades envolvidas afirmam que o redesenho do trajeto pode reduzir custos operacionais e prazos, dependendo do tipo de carga e do porto de embarque.
Com cerca de 1,3 quilômetro de extensão, a ponte atravessa o rio Paraguai e foi planejada para suportar tráfego intenso de veículos pesados.
Projeções divulgadas pelo governo de Mato Grosso do Sul indicam que, após a conclusão, aproximadamente 250 caminhões devem cruzar diariamente a estrutura, número que pode variar conforme a consolidação do corredor logístico.

Rota Bioceânica e mudança no escoamento de cargas
Atualmente, a maior parte das exportações e importações brasileiras utiliza portos do litoral atlântico, com longos percursos marítimos até o mercado asiático.
A Rota Bioceânica propõe uma mudança nesse desenho ao criar um corredor rodoviário internacional ligando o Centro-Oeste brasileiro ao Paraguai, à Argentina e, posteriormente, ao Chile.
Segundo técnicos do setor de logística, a possibilidade de acessar o Pacífico por via terrestre pode representar uma alternativa estratégica para determinados fluxos comerciais.
No entanto, especialistas ressaltam que a adoção efetiva da rota dependerá de fatores como custos, acordos comerciais, infraestrutura disponível nos países envolvidos e eficiência dos portos de destino.
O debate também envolve o comércio eletrônico internacional.
Empresas asiáticas de venda online, como Shein e Temu, são frequentemente citadas em discussões sobre prazos de entrega ao consumidor brasileiro.
Ainda assim, não há confirmação pública de que essas plataformas utilizarão especificamente o corredor bioceânico, já que decisões desse tipo dependem de contratos privados e da estratégia logística de cada empresa.Play Video
Investimento público e obras de acesso no Brasil
O investimento total associado ao projeto costuma ser apresentado em partes.
De acordo com informações oficiais, a ponte binacional tem custo estimado em R$ 575,5 milhões, financiados por um consórcio envolvendo Brasil e Paraguai.
Paralelamente, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes é responsável pelas obras de acesso no lado brasileiro.
Esses acessos compreendem cerca de 13 quilômetros na BR-267, com implantação de pontes, viaduto e adequações viárias.
O valor informado pelo órgão federal para essa etapa é de aproximadamente R$ 472 milhões, dentro do programa Novo PAC.
Considerando as duas frentes, o montante global se aproxima de R$ 1 bilhão.
Além da ligação direta com a ponte, outras rodovias da região passam por intervenções para garantir capacidade e segurança ao fluxo de caminhões.
Técnicos do DNIT destacam que a funcionalidade do corredor depende da integração entre a nova estrutura e a malha existente, evitando gargalos fora da área da ponte.
Fronteira, aduanas e gargalos operacionais
A previsão de aumento no fluxo de veículos pesados traz desafios adicionais para os sistemas de controle fronteiriço.
Autoridades envolvidas no projeto avaliam que, para garantir ganhos reais de tempo, será necessário ampliar e modernizar áreas de fiscalização, aduanas e pátios de triagem na região.
Segundo especialistas em logística internacional, obras desse porte costumam exigir não apenas infraestrutura física, mas também ajustes em procedimentos administrativos.
Caso contrário, parte da economia obtida no transporte pode ser neutralizada por filas e atrasos nos pontos de controle.
No caso de Porto Murtinho, o governo federal classifica os acessos como parte de um novo corredor logístico internacional.
A expectativa oficial é que a cidade passe a desempenhar papel relevante como ponto de passagem e apoio a operações de comércio exterior, ampliando sua função além da produção local.
Redução de prazos e efeitos na logística internacional
Em comunicados institucionais, o governo de Mato Grosso do Sul afirma que a Rota Bioceânica, com extensão aproximada de 2.400 quilômetros, tem potencial para reduzir tempo e custos no transporte entre o Mercosul e a Ásia.
A estimativa de até 15 dias a menos no trajeto considera comparações com rotas marítimas tradicionais, mas pode variar conforme o itinerário adotado.
Especialistas ressaltam que o ganho logístico não é uniforme para todas as cargas.
A economia de tempo depende do porto de destino, do tipo de mercadoria, da necessidade de consolidação de cargas e da integração com armadores internacionais.
Ainda assim, prazos menores tendem a facilitar o planejamento logístico e a gestão de estoques.
No comércio exterior, a redução de dias no transporte é vista como um fator relevante sobretudo em cadeias longas, nas quais atrasos podem gerar custos adicionais.
Analistas do setor destacam que esses efeitos só poderão ser mensurados de forma mais precisa após o início efetivo da operação do corredor.
Cronograma da ponte e entregas previstas
O cronograma divulgado por autoridades estaduais indica que a ponte deve ser concluída no segundo semestre de 2026.
Já as obras dos acessos rodoviários no lado brasileiro têm previsão de finalização até o fim do mesmo ano, segundo o DNIT.
A entrega operacional plena do corredor, no entanto, depende da conclusão de trechos rodoviários em países vizinhos e da adaptação das estruturas de fronteira.
Mesmo assim, a ligação física sobre o rio Paraguai é tratada por gestores públicos como um passo central para viabilizar a rota.





