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Prepare o bolso: conta de luz vai disparar no Brasil após governo distribuir subsídios e previsão aponta alta de até 12% com R$ 47,8 bilhões em 2026

Projeções indicam nova pressão na conta de luz em 2026, impulsionada por aumento bilionário de subsídios, risco climático e possível acionamento de bandeiras tarifárias mais caras. Estimativas do mercado apontam reajustes acima da inflação e cenário pode se agravar conforme comportamento dos reservatórios. A conta de luz deve voltar a subir acima da inflação em 2026, com estimativas que variam de cerca de 5% a 8% e, em um cenário mais adverso, podem chegar a até 12%, segundo projeções de consultorias e bancos que consideram clima, uso de térmicas e subsídios embutidos na tarifa.

O gatilho mais imediato é o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético, a CDE, que concentra políticas de subsídio do setor e é bancada majoritariamente pelos consumidores por meio das tarifas, pressionando o custo final pago em residências e pequenos comércios.

Para 2026, a Aneel colocou em consulta pública um orçamento total da CDE em torno de R$ 52,7 bilhões, com R$ 47,8 bilhões na parcela CDE-Uso, que é rateada nas contas e serve de referência para as cotas provisórias recolhidas a partir de janeiro.]

Por que a tarifa pode subir acima do IPCA

Além do aumento de subsídios, o valor da conta tende a reagir ao custo de geração em períodos de estresse hídrico, quando o sistema aciona fontes mais caras e repassa parte do impacto ao consumidor via reajustes anuais e, quando acionadas, pelas bandeiras tarifárias.Na estimativa da PSR citada em reportagens, a tarifa residencial fecharia 2026 com alta na casa de 7,95%, cerca de quatro pontos acima de uma inflação projetada ao redor de 3,95% no relatório Focus usado como referência naquele recorte. Ainda que o Focus mais recente já tenha mostrado oscilações na mediana do IPCA de 2026, o alerta central permanece: a combinação de reservatórios em níveis mais baixos, despacho de termelétricas e encargos crescentes tende a empurrar a conta para cima.

Segundo o diretor-presidente da PSR, Luiz Augusto Barroso, “os fatores que atuam para elevar a conta de luz são o custo de acionamento das térmicas, o risco hidrológico pago em contratos com hidrelétricas e o acionamento de bandeiras tarifárias”, que se agravam em cenário hidrológico desfavorável.

Bandeiras tarifárias e impacto do clima

As bandeiras funcionam como uma cobrança extra quando o sistema precisa recorrer a geração mais cara, como termelétricas, e variam de verde, sem adicional, a amarela e vermelha, com valores mais altos, refletindo o custo marginal de operação.

No mesmo diagnóstico, o economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano, atribui boa parte da incerteza ao clima e diz que a projeção dele considera um cenário mais moderado, mas que o fechamento do ano com bandeira mais pesada poderia levar a alta para perto de 12%. Dados oficiais do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico indicam que, ao fim de janeiro, os níveis de armazenamento estavam em 47% no Sudeste/Centro-Oeste, 59% no Sul, 54% no Nordeste e 59% no Norte, reforçando que a situação pode melhorar com chuvas, mas também pode se deteriorar no período seco.

O Ministério de Minas e Energia e o ONS têm informado que acompanham a evolução do período chuvoso e as condições hidrológicas e de armazenamento, com atenção a bacias específicas e à estratégia de operação para recompor reservatórios e reduzir riscos ao Sistema Interligado Nacional.

Subsídios da CDE e peso na tarifa

O aumento projetado da CDE se relaciona a uma série de políticas, como descontos tarifários para consumidores de baixa renda, famílias do meio rural e usos específicos, entre eles irrigação e aquicultura, custos que são socializados na tarifa mesmo para quem não é beneficiário direto.

Ao mesmo tempo, análises setoriais apontam que a tarifa tem mostrado tendência de crescer acima da inflação por longos períodos, com efeitos diretos no orçamento doméstico e na estrutura de custos de empresas, sobretudo na indústria e em serviços intensivos em energia.

A inflação de 2025 ajuda a explicar por que o tema voltou ao centro do debate: o IPCA acumulou 4,26% no ano, e a energia elétrica residencial subiu 12,31%, sendo o subitem com maior impacto individual no índice, segundo divulgação oficial do IBGE.Play Video

Excesso de oferta e cortes de energia renovável

Embora a alta de 2025 tenha pesado, uma parcela do impacto foi amortecida por descontos associados ao bônus de Itaipu, mecanismo aprovado pela Aneel e divulgado como crédito que chega ao consumidor conforme critérios de consumo e elegibilidade definidos para o Sistema Interligado Nacional.

Mesmo com instrumentos de abatimento, a pressão estrutural segue: o custo médio do megawatt-hora citado em reportagens alcançou R$ 786,76, patamar apontado como o maior desde 2011, em linha com a trajetória de encarecimento destacada por agentes do setor.

Serrano resume o efeito macroeconômico ao afirmar que “o aumento dos preços de energia impacta negativamente os custos de produção e eleva o custo de vida das famílias”, destacando como a conta de luz atravessa orçamento doméstico e competitividade de empresas.O encarecimento ocorre num cenário em que o país convive com capacidade de geração acima da demanda em parte do tempo, o que leva o operador a realizar cortes de geração para preservar a segurança do sistema, sobretudo em parques eólicos e solares quando há risco de sobrecarga. Levantamento atribuído à Volt Robotics, repercutido por veículos especializados, estima que cerca de um quinto do potencial de geração eólica e solar em 2025 teria sido “desperdiçado” por curtailment, com perdas financeiras estimadas em torno de R$ 6,5 bilhões. Enquanto o setor busca formas de compatibilizar expansão renovável, transmissão e demanda, cresce a expectativa de que medidas de mercado, como mais chuvas e menor consumo, e medidas regulatórias, como uso de receitas de concessões para reduzir encargos, possam aliviar parte da pressão tarifária.

Com um orçamento de subsídios elevado, risco climático no radar e um sistema que ora corta renováveis por excesso, ora aciona térmicas por falta de água, que combinação de decisões — regulatórias e operacionais — pode de fato impedir que a conta de luz volte a surpreender o consumidor em 2026?

Fonte: https://clickpetroleoegas.com.br/prepare-o-bolso-prepare-o-bolso-conta-de-luz-vai-disparar-no-brasil-apos-governo-distribuir-subsidios-e-previsao-aponta-alta-de-ate-12-com-r-478-bilhoes-em-2026-afch/

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