Um produto com mais de cinco mil anos de história, que nasceu no oriente médio e até hoje agrada crianças e adultos em todo o mundo. O iogurte é rico em probióticos (bactérias benéficas), proteínas e cálcio. E quanto mais natural, melhor. Foi para saber como é feito um iogurte natural artesanal e extremamente saboroso que um grupo de dez produtores rurais foi, nessa segunda-feira (23/2), até Queluzito, na região da Serra da Mantiqueira. Eles fazem parte do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) de Derivados Lácteos, oferecido pelo Sistema Faemg Senar, por meio do Sindicato de Produtores Rurais de Conselheiro Lafaiete.
A visita ao laticínio Mr Melk foi organizada pela técnica de campo Gabriela Xavier com a proprietária do local, Ligiane Copatti de Almeida, que também é atendida pelo ATeG, mas já tem a fábrica estruturada e o registro para comercialização do produto, o SISBI-POA, selo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal, do Ministério da Agricultura. Segundo o presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Lafaiete, Carlos Lanna, atender a todas as exigências dos órgãos fiscalizadores é, hoje, um dos maiores desafios dos pequenos produtores. “Para quem está começando é custoso se enquadrar na legislação e aqui temos um ótimo exemplo de quem começou há pouco tempo e está adequada, sem sofisticação, mas dentro das regras”, explica.

Atualmente, a fábrica produz 1.500 litros de iogurte por mês, de 28 sabores. O diferencial para os produtos feitos por grandes indústrias está no aproveitamento de 100% do leite e na não utilização de conservantes, espessantes, aromatizantes e corantes artificiais. A saborização é feita com a utilização de geleia das frutas e toda a produção e envase são artesanais. A embalagem também é uma característica própria. Ligiane escolheu colocar os iogurtes em garrafas plásticas transparentes. A produtora e empresária defende a valorização dos produtos artesanais e regionais. “No Brasil se consome mais creme de avelã que doce de leite, por exemplo. Precisamos dar mais valor ao que é nosso, que tem a nossa digital, e isso passa pelo iogurte, pelos queijos e tantos outros produtos feitos na região”, afirma Ligiane.
Para o gerente do Escritório Regional do Sistema Faemg Senar em Juiz de Fora, Emerson Simão, a produção de iogurte é uma forma de agregar valor ao leite, especialmente nesta época de preço em baixa. “É um ítem de grande valor biológico e nutricional, que pode ser vendido para escolas, por exemplo, e tem muito potencial de comercialização com bons ganhos”, afirma Emerson que vê na visita técnica uma grande oportunidade de intercâmbio entre os produtores.
Conhecimento na prática
Além de ouvir um pouco da história da Mr Melk – uma história que começou há 9 anos, na cozinha da casa da sogra de Ligiane e virou uma potência com grandes perspectivas de crescimento – os visitantes também tiveram uma aula com a técnica Gabriela Xavier. Eles viram o iogurte sendo fabricado e, claro, provaram diferentes sabores, inclusive uma edição especial de kefir – uma bebida fermentada, rica em probióticos, com sabor intenso, muito consumida na Europa. “O intuito desta visita é mostrar para os participantes a diferença que existe na troca da panela de alumínio pela iogurteira, usada para produzir maior quantidade. Muitos estão no processo de montagem do parque industrial e é preciso entender como minimizar alguns gargalos da produção”, explica Gabriela.

Edson Correia é produtor em Congonhas e diz que os cursos e palestras são a melhor forma de aprender a técnica e as minúcias da produção. Ele e a esposa já participaram de diversos cursos oferecidos pelo Senar e, sempre que tem uma dúvida ou necessidade na propriedade, procura o sindicato de Lafaiete em busca de mais conhecimento. Hoje, o foco é a produção de iogurte, que também começou a partir de um curso de derivados lácteos. Com o ATeG, o produtor afirma que os ganhos são ainda maiores. “A Gabriela vai lá em casa, mostra tudo como tem que ser feito, dá todas as orientações, isso é muito bom”, afirma.
Para Inara Fernandes, de Conselheiro Lafaiete, a integração entre os produtores da região abre oportunidade para a formação de associações e cooperativas que podem beneficiar a todos, com compras coletivas de insumos, transporte para cidades mais distantes e aumento nas vendas, sem medo da concorrência. “Embora possa parecer que leite é uma coisa só, cada um tem seu toque, seu diferencial e tem espaço para todo mundo, porque o paladar do público não é um só”, diz a produtora.





