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A Suíça Mineira com 21 mil habitantes guarda sete fontes de águas terapêuticas e um lago artificial que ocupa o coração da cidade

A 890 metros de altitude no Sul de Minas, uma estância hidromineral de 21 mil habitantes guarda sete fontes de águas terapêuticas e um lago artificial que ocupa o coração da cidade. Lambari já foi chamada de Suíça Mineira no início do século XX, quando o clima ameno, os lagos e a arquitetura europeia dos palacetes atraíam a elite carioca. A vida pacata e as águas gasosas e alcalinas continuam sendo o maior trunfo dessa cidade do Circuito das Águas de Minas Gerais.

Como um fazendeiro descobriu as águas que mudaram a cidade

Por volta de 1780, o fazendeiro Antonio de Araújo Dantas encontrou nascentes de água com sabor diferente nos terrenos que havia comprado aos pés da serra, em terras que pertenciam à Campanha. A lenda local conta que a noiva de um caçador bebeu dessa água durante vinte dias e se curou de uma doença grave. A notícia se espalhou e, em 1826, o médico Manuel da Silveira Rodrigues publicou os primeiros estudos sobre as propriedades medicinais das fontes.

De 1801 até 1930, a cidade se chamava Águas Virtuosas. O nome atual vem do tupi-guarani e significa “peixe pequeno”, referência ao ribeirão que corta a região. Em 1909, o engenheiro Américo Werneck assumiu como primeiro prefeito e iniciou um projeto urbanístico ambicioso: construiu o Lago Guanabara, o Cassino, o Farol da República e reformou o Parque das Águas, segundo a Prefeitura de Lambari. A inauguração aconteceu em 24 de abril de 1911, com a presença do presidente Marechal Hermes da Fonseca.

A Suíça Mineira com 21 mil habitantes guarda sete fontes de águas terapêuticas e um lago artificial que ocupa o coração da cidade
Lambari destaca-se como a histórica “Suíça Mineira”, título que reflete o charme e o clima privilegiado do Sul de Minas // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O que torna as sete fontes do Parque das Águas tão especiais

Parque das Águas fica no centro de Lambari e reúne sete fontes com composições minerais diferentes. A água brota naturalmente gasosa por causa da bacia hidrográfica rica em sais alcalinos, que produz ácido carbônico ao entrar em contato com a água subterrânea. Cada fonte tem indicação terapêutica específica, conforme a Prefeitura de Lambari:

  • Fonte 1 (Gasosa): fortemente gasosa, indicada para rins e vias urinárias.
  • Fonte 2 (Alcalina): estimula o apetite pelo gás carbônico em quantidade elevada.
  • Fonte 3 (Magnesiana): usada para tratamento do fígado e congestões hepáticas.
  • Fonte 5 (Ferruginosa): ação vasodilatadora e hipotensiva.
  • Fonte 6 (Picante): ação diurética, indicada em casos de intoxicação.

O parque também conta com piscina de água mineral, fonte luminosa com jogos de luz e áreas de lazer em meio a jardins sombreados. Uma curiosidade: a Princesa Isabel teria se tratado com as águas de Lambari em 1868.

A Suíça Mineira com 21 mil habitantes guarda sete fontes de águas terapêuticas e um lago artificial que ocupa o coração da cidade
Lambari integra a tradição mineira de hospitalidade a uma atmosfera de Suíça Mineira com refúgio serrano e bem-estar // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

O que fazer na estância além de beber água mineral

Lambari é feita para o turista que busca descanso. As atrações se concentram em um raio curto e podem ser percorridas sem pressa. Os pontos que completam o roteiro:

  • Lago Guanabara: construído artificialmente em 1910, tem 5 km de entorno com pedalinhos, passeios de barco e ciclismo. Nas margens está o maior exemplar conhecido de buganvília do mundo, com 18 metros de altura.
  • Cassino do Lago: palacete neoclássico de 1911, tombado pelo município e pelo IEPHA-MG. Atualmente fechado para visitação interna, mas sua fachada e entorno valem o passeio.
  • Parque Wenceslau Braz: bosque com eucaliptos, magnólias e pinheiros às margens do lago. Oferece piscinas, toboáguas e quadras esportivas.
  • Parque Estadual Nova Baden: reserva ambiental a 4 km do centro, com trilhas na Mata Atlântica e a Cachoeira Sete Quedas.
  • Serra das Águas: mirante a 1.300 metros de altitude com vista panorâmica da região e rampa de voo livre.

Quem busca tranquilidade e águas medicinais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 80 mil visualizações, onde Tati Marmonari mostra o que fazer em Lambari:

https://youtube.com/watch?v=wNNsUwN5WpI%3Ffeature%3Doembed

Quando o clima favorece o descanso na estância

Lambari tem clima tropical de altitude, com temperatura média anual de 19 °C. O inverno seco e fresco é a temporada ideal para aproveitar as águas e os passeios ao ar livre.

Como chegar à Suíça Mineira das águas

Lambari fica a 369 km de Belo Horizonte pela BR-381 e BR-267, com trajeto estimado em 4 h 30. De São Paulo, a distância é de cerca de 310 km pela Rodovia Fernão Dias (BR-381), aproximadamente 4 h de viagem. A cidade está a apenas 30 km de São Lourenço e 40 km de Caxambu, o que permite combinar destinos dentro do Circuito das Águas.

Leve o ritmo de Lambari para dentro de você

Lambari é daqueles destinos que pedem chinelo, caminhada sem pressa e um copo de água gasosa direto da fonte. O lago no centro, as árvores centenárias e o silêncio da serra criam um cenário que parece parado no tempo, mas funciona como remédio para o ritmo da cidade grande.

Você precisa subir a serra do Sul de Minas e sentir Lambari do jeito que ela merece: com os pés no parque, um copo d’água na mão e a certeza de que descansar também é viajar.

Fonte: E.M Foco

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