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Imagem de São Francisco revela o passado submerso de cidade inundada pelo Lago de Furnas em MG

Estátua de São Francisco marca local da antiga igreja encoberta pelas águas em Guapé.

No meio das águas do Lago de Furnas, em Guapé (MG), uma imagem de São Francisco de Assis se tornou um dos símbolos mais marcantes da história da cidade. Ela representa fé, memória e a própria origem do município.

Segundo a curadora do Museu Casarão de Guapé, Laura Maria Simões, tudo começou no século XIX, com um episódio que atravessou gerações. Em 1826, um forte abalo sísmico atingiu a região. Na época, Dona Esméria Angélica da Pureza foi surpreendida pelo tremor enquanto realizava tarefas domésticas.

Diante do susto, Dona Esméria fez uma promessa: doaria um pedaço de terra para a construção de uma igreja dedicada a São Francisco de Assis, santo a quem recorreu naquele momento de aflição. A promessa foi cumprida anos depois, com a doação efetivada em 1839.

A evolução da igreja e a inundação

A partir da doação, teve início a construção da primeira igreja, que se tornaria o núcleo da formação de Guapé. Ao longo dos anos, o templo passou por diversas transformações e reformas, ganhando torres e capelas laterais no início do século XX.

Décadas depois, com a formação do reservatório da Usina de Furnas, a antiga igreja foi inundada. Hoje, o principal vestígio visível daquele espaço é a imagem de São Francisco posicionada no lago, exatamente no ponto onde ficava o templo original.

“A imagem de São Francisco sinaliza o local da igreja antiga. Para a comunidade guapense, ela é o nosso padroeiro, mas a importância dela é marcar onde existiu esse espaço”, explica a curadora.

A imagem que “olha para trás”

Outra narrativa popular reforça o vínculo com o passado. A imagem original de São Francisco, hoje abrigada na igreja nova, foi transferida em procissão após a mudança do templo. Durante o trajeto, os moradores notaram que a estátua parecia virada para trás.

A crença popular diz que o santo estava olhando para a igreja antiga, como se não quisesse abandoná-la. Essa interpretação simbólica fortaleceu ainda mais a conexão entre a fé da população e o território submerso, mantendo viva a memória da cidade que existia antes das águas.

Fonte: g1 Sul de Minas

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