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Cuidado em liberdade e fortalecimento da rede psicossocial marcam a 10ª Jornada de Saúde Mental em Congonhas

A Prefeitura de Congonhas, por meio da Unidade Regional de Saúde Mental (URSM), realizou nos dias 26 e 27 de maio, no Cine Teatro Leon, a 10ª Jornada de Saúde Mental. Com o tema “Cuidar em liberdade: o SUS como espaço de afetos, pertencimento e clínica em movimento”, o evento reuniu profissionais, usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), gestores, familiares e comunidade para debater os avanços, desafios e perspectivas da saúde mental no município.

A programação contou com palestras, rodas de conversa, apresentações culturais, relatos de experiência, intervenções artísticas, exposições e música, protagonizadas, em grande parte, pelos próprios usuários dos serviços de saúde mental de Congonhas. Realizada durante o mês da Luta Antimanicomial, a 10ª Jornada de Saúde Mental reforça a importância da conscientização sobre o cuidado em liberdade, do respeito aos direitos humanos e da inclusão social das pessoas em sofrimento psíquico. Celebrado nacionalmente em 18 de maio, o movimento simboliza a defesa de práticas de cuidado mais humanizadas, acolhedoras e integradas ao convívio social.

Participaram da solenidade de abertura o vice-prefeito Zelinho; a secretária adjunta de Saúde, Hilda de Oliveira Souza; a coordenadora da Unidade Regional de Saúde Mental de Congonhas (URSM), Luciana Dias Teixeira; a presidente do Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais, Lourdes Machado; o representante do Conselho Municipal de Saúde, Glayson Barbosa; o diretor de Assistência a Saúde, Sandro Marlon de Oliveira e a usuária do CAPS II, Aline Silva.

Durante a abertura, o vice-prefeito Zelinho destacou a trajetória da saúde mental no município e os avanços conquistados ao longo dos anos. “O Livremente foi o primeiro CAPS de Congonhas. Depois criamos o CAPS AD e o CERPAI, que hoje se tornou o CAPS IJ. Atualmente, o CAPS AD já atende 24 horas, porque a demanda é muito grande. A saúde mental sempre foi uma prioridade e continuaremos avançando no fortalecimento desse cuidado”, afirmou.

A coordenadora da URSM, Luciana Dias Teixeira, ressaltou que este encontro também celebra os 25 anos da Reforma Psiquiátrica no Brasil e os 40 anos da Saúde Mental em Congonhas. Segundo ela, o evento foi construído coletivamente, envolvendo equipes, usuários e serviços da rede. “A saúde mental vai além do tratamento. É também resgate da autoestima, pertencimento e dignidade. Falar sobre pertencimento é fundamental, porque a saúde mental ainda enfrenta muitos estigmas. Tudo nesta Jornada foi pensado de forma coletiva, seja pela escolha do tema, pelas exposições feitas pelos nossos usuários ou pelo concurso de desenhos que ajudou na divulgação do evento, isso aconteceu para que todos os serviços e pessoas fossem representados”, destacou.

Um dos principais destaques do evento foi justamente o protagonismo dos usuários da saúde mental, que ocuparam o palco por meio de apresentações culturais, depoimentos emocionantes e exposições artísticas. As manifestações reforçaram a importância do acolhimento, da escuta qualificada e do cuidado em liberdade.

A usuária da Rede de Atenção Psicossocial, Aline Silva, emocionou o público ao compartilhar sua trajetória e destacar a importância do tratamento e do acolhimento recebido nos serviços. “Existe tratamento e é muito importante seguir corretamente. Não se sintam indignos ou inferiores. Se precisarem, peçam ajuda. O CAPS nos acolhe com carinho e cuidado”, afirmou.

Também participante do evento, a usuária do CAPS AD desde de 2012, Roseli dos Santos, apresentou os trabalhos desenvolvidos na Oficina de artesanato “Pata da Loba”, realizado em parceria com o Centro de Convivência e Cultura Dona Ivone Lara (CECO), em Lobo Leite. “Lá nós temos amigas, uma ajuda a outra. O CAPS é a minha família. Estou muito feliz de estar aqui mostrando os trabalhos que fazemos”, relatou.

Tema amplamente debatido durante a Jornada foi a importância dos 25 anos da Lei Federal nº 10.216, conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica ou Lei Antimanicomial. A legislação representa um marco na saúde mental brasileira ao priorizar o tratamento em serviços comunitários, fortalecer o cuidado próximo à família e reduzir a dependência de hospitais psiquiátricos, garantindo um atendimento mais humanizado e inclusivo.

A programação também promoveu reflexões sobre saúde mental na atualidade, onde foi abordado os impactos do uso excessivo de telas na saúde mental e no desenvolvimento de crianças e adolescentes, destacando a importância do equilíbrio e da participação das famílias na construção de hábitos saudáveis.

Outro momento marcante da Jornada foi a exibição do documentário “40 anos da URSM”, que retratou a trajetória da saúde mental em Congonhas a partir das vivências, histórias e depoimentos dos próprios usuários dos serviços, evidenciando conquistas, superações e a importância do cuidado em liberdade.

O encerramento definitivo do antigo Hospital Colônia de Barbacena também foi tema das discussões da Jornada. A desinstitucionalização dos últimos pacientes, oficializada no dia 25 de maio de 2026 pelo Governo de Minas Gerais, simboliza o fim de uma estrutura manicomial marcada por graves violações de direitos humanos ao longo da história. Profissionais da Secretaria Municipal de Saúde acompanharam o processo e destacaram, durante o evento, a importância desse avanço para o fortalecimento do cuidado em liberdade e da rede substitutiva de saúde mental.

Para a terapeuta ocupacional e coordenadora do CAPS II, Jamile Alves Pereira, a participação ativa dos usuários foi um dos momentos mais marcantes da Jornada. “Queríamos que os usuários fossem protagonistas e não apenas espectadores. Tivemos teatro, música, depoimentos, exposições e apresentações emocionantes. Ali não era a doença que estava no palco. Eram pessoas, artistas, histórias de superação e pertencimento. A Jornada permitiu mostrar aquilo que a doença não apaga”, ressaltou.

Atualmente, estão vinculados à Unidade Regional de Saúde Mental de Congonhas o Centro de Atenção Psicossocial II (CAPS II), o Centro de Atenção Psicossocial ao usuário de Álcool e outras Drogas, (CAPS AD), o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS IJ), o Núcleo Integrado de Atenção à Saúde Mental (NIAS) e o Centro de Convivência e Cultura Dona Ivone Lara (CECO), que fortalecem a Rede de Atenção Psicossocial no município e garantem atendimento humanizado e cuidado em liberdade à população.

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