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MG: Morte brutal de estudante de medicina gera onda de revolta de mulheres

Para além das declarações de pesar direcionadas a familiares e amigos, tom geral é de indignação diante de um crime cometido com violência extrema em Barbacena.

A execução brutal da estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, dentro de seu apartamento em Barbacena, no Campo das Vertentes, gerou uma onda de revolta. A faculdade onde ela estudava emitiu nota de pesar que, até o fechamento desta edição, ultrapassava 6 mil curtidas e quase 500 comentários, a maioria deles feitos por mulheres.

Para além das declarações de pesar direcionadas a familiares e amigos, o tom geral é de indignação diante de um crime de feminicídio cometido com violência extrema. O namorado de Letícia, Gustavo Dutra Lima, de 24 anos, foi preso neste domingo (28/6), em Bom Jardim de Minas, no Sul do estado, suspeito de ser o responsável pelo assassinato.

A perícia da Polícia Civil identificou diversas perfurações causadas por arma branca em várias partes do corpo da vítima: cabeça, nuca, pescoço, costas, orelhas e mãos. Letícia deixa dois filhos adolescentes e será sepultada nesta segunda-feira (29/6).

“Uma vida interrompida, filhos órfãos, uma mãe chorando, sonhos desfeitos e muita crueldade! Sinto muito por você, Letícia! Você será recebida por Deus, não tenho dúvidas! Agora esperamos por justiça aqui nesta terra”, escreveu uma mulher. “Inacreditável. Que dor perder mais uma de nós!”, publicou outra.

Entre as centenas de comentários, muitas mulheres chamaram a atenção para a importância de se denunciar o agressor. “Mulheres, entendam: no primeiro sinal de desrespeito — seja em um grito, segurar seu braço ou dizer coisas pesadas na hora da raiva — , denunciem, falem com amigos e familiares. Talvez você esteja presa em um ciclo abusivo com dependência emocional, mas os familiares podem ajudar”, alertou uma usuária.

Feminicídio

O relatório Retratos do Feminicídio no Brasil, publicado em 4 de março deste ano pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no país em 2025. Esse número representa crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Em cerca de 80% dos casos, o crime de gênero foi cometido por companheiros ou ex-parceiros das vítimas. Desde a tipificação da Lei do Feminicídio (Lei 13.104/2015), ao menos 13.703 mulheres foram assassinadas por sua condição de ser mulher.

O que consta no boletim de ocorrência?

De acordo com o boletim da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), os agentes foram acionados após relatos de que uma mulher havia sido encontrada sem vida.

A preocupação começou no sábado (27/6), quando uma amiga da vítima estranhou a ausência de respostas a mensagens. A amiga foi ao prédio e, junto ao ex-marido da vítima, que conseguiu acessar o segundo andar por uma sacada vizinha, arrombou a porta principal. Ao entrar, visualizaram o corpo de Letícia caído na sala, em meio a uma grande quantidade de sangue. O Samu compareceu ao local e a médica responsável atestou o óbito. O veículo da vítima, um Chevrolet Tracker cinza, foi localizado posteriormente abandonado na Rua Ferdinando Ceolin.

Histórico de ameaças

Testemunhas relataram que, na noite anterior ao crime, o casal esteve junto em um evento social. Ele teria passado a madrugada na residência de Letícia e deixado o prédio pela manhã. Relatos apontam que o relacionamento era marcado por comportamento agressivo e ciúme excessivo. Consultas ao sistema informatizado revelaram que a vítima já havia registrado uma ocorrência anterior de ameaça contra o namorado em 21 de fevereiro deste ano.

Após o crime, o suspeito fugiu. Amigos tentaram contato telefônico com ele, que atendeu demonstrando aparente tranquilidade e alegando não saber o paradeiro da namorada, mentindo que estava em sua residência ou na casa dos pais, em Carandaí.

Após rastreamento, os policiais o localizaram em Bom Jardim de Minas, onde foi preso em flagrante. Com ele, foram apreendidos pertences pessoais da vítima, incluindo cartões bancários.

Procurada pelo Estado de Minas, a defesa de Gustavo Dutra Lima, representada pela advogada Tatiana Cristina Cavalieri Tomaz da Silva Chaves, declarou: “Em respeito à regularidade das apurações, ao devido processo legal e à estratégia defensiva, quaisquer esclarecimentos ou manifestações serão apresentados exclusivamente nos autos, no momento processual oportuno e perante as autoridades competentes”.

Com informações da repórter Ana Luiza Soares.

FONTE: Estado de Minas

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