Antes de ser festa, é memória. E antes de o tambor chamar, existe uma história de fé que atravessa séculos e gerações. Nossa Senhora do Rosário tornou-se uma das devoções mais fortes entre as irmandades negras no Brasil. Durante o período colonial, sua fé ganhou espaço entre africanos escravizados e seus descendentes, que encontraram nessas irmandades não apenas a religião, mas também união, identidade e uma forma de manter vivas suas raízes.
São Benedito carrega uma história igualmente simbólica. Filho de africanos, nasceu na Sicília, no século XVI, e ficou conhecido pela vida simples, pela fé e pelo cuidado com os mais pobres. Negro e franciscano, tornou-se um dos santos mais queridos e venerados pela população negra brasileira.

Foi nesse encontro entre a fé católica e a ancestralidade africana que o Congado ganhou força no Brasil. Em Minas, tambores, cantos, danças, coroas, mastros, rosários e fitas atravessaram o tempo. Mais que uma manifestação religiosa, o Congado guarda histórias que passaram de pais para filhos e continuam sendo contadas nas ruas.
É essa tradição que Lafaiete celebra neste fim de semana com a 17ª Festa em Honra a Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, promovida pela Guarda de Congado Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, no bairro São João.

A programação começa no sábado, 29 de agosto, às 19h, com o levantamento dos mastros. No domingo, 30, a festa ganha as ruas a partir das 8h, com a chegada das guardas visitantes. Às 11h haverá procissão, às 16h será celebrada a Santa Missa e, às 17h, acontece o encerramento.
A celebração será na Rua Orival Nogueira, 22, bairro São João, em Lafaiete.
Quando os tambores soarem, não estarão apenas anunciando uma festa. Estarão fazendo aquilo que fazem há gerações: chamando o povo, celebrando a fé e mantendo uma história viva.




