Cidadania e reinserção: prefeitura inicia aulas do ensino fundamental no Presídio

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A educação é uma forma de reinserir a população carcerária na sociedade, e o poder público tem contribuído para o desenvolvimento de atividades de ressocialização. O Governo Municipal, por meio da Secretaria de Educação, implantou uma extensão do Centro de Ensino Supletivo Professor Juvenal de Freitas Ribeiro (CESU) no Presídio de Congonhas. A aula inaugural foi realizada na manhã desta segunda-feira, 27, e contou com a presença do prefeito Zelinho, da secretária municipal de Educação, Maria Aparecida Resende, do diretor do Presídio, Weberton Lima, do diretor adjunto da instituição, Edgar Barbosa, e da psicóloga Karitas Peixoto.

A oferta do Ensino Fundamental I – Anos Iniciais às pessoas privadas de liberdade atende às solicitações do Poder Judiciário da Comarca de Congonhas. Além de nomear, por meio de concurso público, uma professora regente, a Administração Pública entregou 23 kits escolares aos alunos, sendo que 17 são para aqueles que vão frequentar o Ensino Médio, modalidade ofertada pelo Governo do Estado. Também repassou computadores doados pelo Centro Espírita Olhos da Luz.

23 kits foram entregues aos recuperandos/DIVULGAÇÃO

As aulas dos Anos Iniciais contam com proposta pedagógica, normas regimentais e matriz curricular específicas à modalidade de ensino a que se propõe. O CESU trabalha com um calendário de 100 dias letivos por semestre, totalizando, assim, quatro semestres letivos (dois anos de estudos).

O prefeito Zelinho reforçou a importância da parceria firmada entre a Prefeitura e o Presídio de Congonhas, que também abrange outras áreas da Administração Pública, como a de Desenvolvimento Rural. “Essa parceria pensa na importância da pessoa em cárcere e se preocupa em oferecer aprendizado, para quando ela sair da prisão, arrumar um emprego melhor. E, frequentando as aulas, diminui a pena. Essa é uma forma de humanizar ainda mais as pessoas que estão sofrendo. Por meio da Diretoria de Desenvolvimento Rural, estamos apoiando a horta comunitária”, completou.

De acordo com o diretor interino do Presídio de Congonhas, Weberton Lima, são desenvolvidos diversos projetos que buscam a reinserção e o aprimoramento do atendimento aos quase 200 reeducandos. Entre eles estão a implantação de biblioteca, salas de aula, galpão e oficina de trabalho e artesanato. Ele disse, ainda, que a parceria com a Prefeitura existe desde 2015, quando a instituição foi implantada na cidade, com fornecimento de atendimento médico e odontológico. “O prefeito Zelinho sempre foi solidário ao sistema prisional. Acreditamos que a ressocialização muda a pessoa mesmo. Para montar as turmas, avaliamos o condenado, para ele terminar mesmo os estudos. Não adianta colocar um que falta cumprir pouco tempo de pena, porque talvez ele não volte a estudar quando sair. Existe o trabalho para ressocialização e reinserção à sociedade. É voltado para o estudo, trabalho e religião”.

“A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”, disse Paulo Freire, educador relembrado pela secretária municipal de Educação, Maria Aparecida Resende. Segundo ela, os novos alunos iniciaram, com este ciclo, um processo de procura. “O passado ficou para trás. Vamos fazer, do presente, a construção para o futuro. Vocês merecem o que é de melhor. Vocês vão receber a mesma qualidade do ensino oferecido nas 32 escolas da rede municipal”, reforçou.