Deputado Glaycon Franco pede novos esclarecimentos sobre enfrentamento ao novo coronavírus em Minas

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Os hospitais filantrópicos estão preparados para receber pacientes infectados pela COVID-19? Existem equipamentos de proteção individual (EPI’s) suficientes para os funcionários?

Para responder a estas e outras perguntas, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) promoveu, nesta quarta-feira, 13 de maio, a 11ª Reunião Especial para discutir as implicações decorrentes da pandemia do novo coronavírus. Como das vezes anteriores, o encontro foi realizado virtualmente, por meio de videoconferência, e foram convidados a compor a mesa de debates, entre outros: Fábio Baccheretti Vitor, presidente da FHEMIG (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais); Maurício Abreu Santos, presidente da FUNED (Fundação Ezequiel Dias); e Kátia Regina Oliveira Rocha, presidente da FEDERASSANTAS (Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais).

Como conhecedor das dificuldades enfrentadas diariamente pelos hospitais para prestar atendimento digno e de qualidade à população, principalmente no interior, o deputado estadual Glaycon Franco se sentiu à vontade para fazer questionamentos pontuais em busca de alternativas capazes de impedir que a inesperada demanda causada pela pandemia provoque o colapso da saúde pública em Minas. Desde que ingressou no Legislativo Estadual, Glaycon escolheu a saúde do Alto Paraopeba, Vale do Piranga e Território das Vertentes como prioridade e tem tido atuação fundamental em momentos cruciais, socorrendo, por meio da destinação de Emendas Parlamentares, instituições que estiveram prestes a fechar as portas por absoluta falta de recursos financeiros.

Uma das preocupações expressas em vários momentos pelo deputado é com a estruturação dos hospitais da rede FHEMIG para que estejam efetivamente preparados para atuar no combate à Covid-19 quando for atingido o pico de casos da doença no estado. Em contato frequente com os gestores destas instituições, particularmente na região da qual é representante, Glaycon está ciente de que a rede ainda não está abastecida dos insumos necessários. Ele constatou, principalmente, a falta de equipamentos de proteção individual para os servidores e que os quadros funcionais não estão completos. A Macrorregião  Centro-sul de saúde de Minas Gerais, que abrange quase um milhão de habitantes, conta com apenas um hospital geral credenciado à rede FHEMIG, localizada em Barbacena e onde a insuficiência de pessoal e insumos foi constatada pelo parlamentar em visita recente.

Diante desse quadro, Glaycon Franco perguntou ao presidente da entidade que providências estão sendo tomadas para regularizar o abastecimento, com especial atenção à disponibilização de EPIs.

Fábio Baccheretti assegurou que, embora seja uma realidade mundial, a falta de EPIs não é problema para a rede FHEMIG, pelo menos, neste momento. O hospital da Macrorregião Centro-sul, sediado em Barbacena, encontra-se adequadamente provido de máscaras cirúrgicas, óculos, aventais e outros itens indispensáveis à atividade médica. Contudo, a hiperinflação dos preços dos equipamentos de proteção individual preocupa a entidade. Como exemplo, ele citou o preço da máscara cirúrgica, que subiu de apenas 19 centavos para até R$4,50 a unidade. Baccheretti também admitiu que o risco de desabastecimento futuro não está descartado porque, por mais que se desburocratize e agilize o processo de compra, os fornecedores alegam não ter mais produtos em estoque e começam a atrasar o fornecimento.

Glaycon questionou também de que maneira a rede FHEMIG vai agir para manter completo o quadro de pessoal, levando-se em conta que alguns servidores podem ter que se afastar do trabalho em decorrência de eventual contaminação pelo novo coronavírus, com necessidade de substituição em caráter emergencial.

De acordo com Fábio Baccheretti Vitor, a rede FHEMIG está atenta à necessidade de suprir o quadro de médicos, enfermeiros e assistentes, tanto que abriu, em seu site, uma página exclusiva para contratações destinadas a completar e ampliar as equipes.

Outro alerta feito pelo deputado foi sobre a situação reportada por especialistas, que consideram baixos os níveis de testagem para o novo coronavírus em Minas Gerais. Glaycon Franco quis saber do presidente da Fundação Ezequiel Dias quantos exames a estrutura da instituição tem capacidade para fazer diariamente e se a quantidade é suficiente para dar segurança à implementação das políticas públicas baseadas nos resultados das testagens.

Em resposta, Maurício Abreu apresentou dados, segundo os quais a FUNED começou testando uma média de 200 amostras ao dia, número que saltou rapidamente para 600 e hoje está ao redor de duas mil análises diárias, com os exames feitos pela rede de apoio. Para isso, a Fundação conta com a colaboração de quatro laboratórios credenciados e duas universidades. Segundo o presidente, outras cinco universidades encontram-se em fase de credenciamento. Maurício Abreu declarou que o objetivo da FUNED é distribuir, ao máximo, a demanda, a fim de agilizar os resultados.

Por fim, o deputado questionou se existe risco de faltarem insumos para a coleta de material e realização dos exames.

Maurício Abreu corroborou a preocupação do deputado dizendo que o risco da falta de insumos para coleta de material e exames não está descartada, já que a demanda mundial é imensa e muitos fornecedores já não têm os produtos para pronta entrega. Contudo, até o momento, a Fundação Ezequiel Dias não enfrentou nenhum problema que impactasse os testes realizados em Minas. Preventivamente, a Fundação avalia alternativas, como a coleta de outros tipos de amostras corpóreas, como a saliva, na impossibilidade de avaliar o muco nasal.

Os vários anos de dedicação à medicina, atendendo prioritariamente às camadas mais carentes da população, permitiram ao deputado Glaycon Franco avaliar com propriedade o papel preponderante exercido pelas Santas Casas na saúde pública de Minas Gerais. Conforme ressaltou o deputado na Reunião Especial desta quarta-feira, com grande comprometimento, estas instituições seculares têm oferecido uma contribuição valiosa ao povo mineiro. Por isso, Glaycon perguntou à presidente da FEDERASSANTAS se o estado tem apoiado os hospitais filantrópicos. Ele quis saber qual foi a contribuição do Governo Estadual para amparar os serviços das Santas Casas, que, certamente, estão sendo ampliados em razão do avanço da pandemia de COVID-19.

Emocionada pelo reconhecimento, Kátia Oliveira Rocha reclamou da lentidão com que os recursos tem chegado aos hospitais filantrópicos. Segundo ela, recursos enviados no início do ano pelo Ministério da Saúde continuam retidos pela burocracia estadual e não foram entregues até hoje aos hospitais. A presidente da FEDERASSANTAS apelou aos deputados para que fiquem atentos, a fim de que os auxílios destinados por meio de emendas parlamentares cheguem efetivamente as instituições beneficiadas.