Garimpando – Notícias de Conselheiro Lafaiete – 1 – Os primeiros tempos

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GARIMPANDO NO ARQUIVO JAIR NORONHA

 

                                        Avelina Maria Noronha de Almeida

                                      [email protected]

 

 NOTÍCIAS DE CONSELHEIRO LAFAIETE-1

AVELINA MARIA NORONHA DE ALMEIDA

 

OS PRIMEIROS TEMPOS

 

“ Os carijós eram dóceis, inteligentes e amigos

dos cristãos. Lúcio Costa

 

SÉCULO XVII

Imagem do Google – Índios Carijós – Rugendas

Século XVII – Milhares de índios carijós, pertencentes ao grupo lingüístico tupi-guarani, fugindo às hostilidades de outras tribos e à prepotência do homem branco, transpôs as serras do Mar, subiu a Mantiqueira e fixou-se nesta terra. Eram originários do norte do país, da Amazônia. Seus traços eram delicados e, de acordo com o historiador Lúcio Costa, alguns tinham olhos azuis. Levanto a  hipótese de que possa provir essa característica  de relacionamento com europeus da expedição de Orellana ou de outras incursões européias em solo brasileiro antes do descobrimento oficial por Pedro Álvares Cabral, pois  o nome carijós significaria, segundo alguns,  na língua tupi, “mistura com o homem branco”.

Imagem do Google – Historiador Lúcio Costa

Assim escreveu Lúcio Costa sobre os índios que povoaram esta terra: “ Os carijós eram dóceis, inteligentes e amigos dos cristãos. Quanto à brandura de costumes e facilidade de adaptação aos mais civilizados, havia, entre os selvagens, uma escala dentro de limites bastante afastados, desde os temíveis aimorés e goitacazes até os guaianases e carijós. Estes últimos tinham formas muito mais regulares e esbeltas que os outros, cabelos lisos e finos, a tez mais delicada e mais clara, os olhos às vezes azuis;  as suas mulheres eram as mais belas da gentilidade.”

Índios Carijós em gravura do século XVI – Imagem do Google

Em “História de Minas Gerais”, editado pela Imprensa Oficial de Minas Gerais”, diz o referido historiador que uma horda de carijós subiu o Vale do Rio Paraibuna, vindo do litoral, estabelecendo-se nos Campos de Queluz e Congonhas. Observa ele que os índios “assentavam suas aldeias à beira d’água, nos sítios mais favoráveis à obtenção de alimentos”. Pelas informações do escritor, podemos deduzir que eles estenderam sua taba na parte baixa da cidade, seguindo a margem do Rio Bananeiras, desde as proximidades de Santa Matilde até além de Gagé e não, como consta, no planalto aqui em frente à Matriz de Nossa Senhora da Conceição, que, além de pequeno para conter tão grande número de índios (uma horda), não estava adequado aos costumes indígenas.

            Devemos considerar, também, que as denominações de logradouros feitas na década de 40 observaram as ligações com pessoas residentes nos locais, ali possuidoras de terrenos ou que lembrassem algum fato relacionado com aquele espaço. Na parte alta da cidade só temos nome de índios na Rua Carijós, porque ali residia um remanescente da tribo. Na parte que ladeia o rio, temos: Vila Carijós, Bairro Guarani, ruas Tupinambás, Tabajaras, Aimorés, Jurupis, Tamoios  e outras com nomes de tribos indígenas.

            Segundo testemunhas idôneas,  foram encontradas cerâmicas indígenas, há muitos anos,  quando foi aberta uma rua atrás da Igreja de Santa Terezinha e  por ocasião das primeiras obras no bairro Paulo VI, mas na época não havia a cultura do resgate de patrimônio e as peças foram jogadas fora.

            Em relação à localização da área que, pela minha hipótese, teriam ocupado, bem pequeno é o terreno construído. Há uma imensidão de terra livre margeando o Rio Bananeiras e o leito férreo. Escavações nesses locais poderiam trazer à luz do dia um precioso achado arqueológico e nos trariam muitas informações sobre a cultura e os costumes dos índios carijós.

            Há uma notícia sobre costumes dos carijós em documento do século XVIII. Em 1748, quando foi instituída a diocese de Mariana, para receber o primeiro bispo, Dom Frei Manoel da Cruz,  realizou-se na sede do bispado uma esplêndida festa barroca e, no desfile monumental, entre vestes luxuosas bordadas a ouro, prata e pedras preciosas, de acordo com  relato da época, figurava uma dança apresentada por mulatinhos representando  o gentio “Carijó”, em que eles aparecem com guizos, arcos e outros enfeites, formando vários enleios. Ao mesmo tempo iam cantando e fazendo gestos grosseiros.

            Quando o homem branco tornou-se mais numeroso na região, os carijós  foram se afastando em direção aos atuais bairros do Gigante, dos Almeidas, subindo no planalto pelo lado do atual bairro de São João e pelo lado do atual bairro de Santa Efigênia. Embora sejam apenas hipóteses, observe-se que em tais lugares foram encontrados objetos indígenas. Depois foram indo cada vez mais adiante até desaparecerem. Dos que aqui ficaram, muitos morreram na seca de 1711; ou vitimados pelas doenças dos brancos (para as quais não tinham defesa), pelo uso excessivo da cachaça e mesmo mortos por brancos que desejavam ficar com suas mulheres. Como a grande maioria dos homens que vinham para as minas não traziam a família, havia pouquíssimas mulheres brancas em Carijós. Daí a grande miscigenação que houve devido à união das índias com os homens brancos.

             Se os Carijós desapareceram como gentio, permaneceram fortemente na nova raça formada no Campo Alegre dos Carijós.

                                                                                     (Continua)

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