Garimpando – Notícias de Conselheiro Lafaiete – 4

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Avelina Maria Noronha de Almeida

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NOTÍCIAS DE CONSELHEIRO LAFAIETE – 4

 

Assim, no bairro São João, foi construída

 a primeira matriz de Nossa Senhora da Conceição,

como concluí com minhas pesquisas.

 

            Como foi visto no artigo anterior, chegou a Carijós o Caminho Novo, o qual encurtava grandemente o tempo de viagem entre o Rio de Janeiro e as minas. Nessa época, já havia o caminho que, passando pelo atual bairro de São João, levava a Itaverava. Com isso, formou-se, onde hoje é o bairro de São João,  novo aldeamento, tornando-se mais povoado do que o anterior, ao qual se ligava por um caminho que atravessava as matas.

            Em 1709, foi criada a paróquia de Nossa Senhora da  Conceição pelo Padre Gaspar Ribeiro Fonseca, enviado do bispo do Rio de Janeiro, Dom Francisco de São Jerônimo. Era filiada à paróquia de Furquim, criada em 1704.

Igreja de Furquim

Nessa época, o local passou a ser chamado de Arraial de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre dos Carijós. A freguesia fazia parte do termo da Vila de São José del Rei (atual Tiradentes), Comarca do Rio das Mortes, com sede na Vila (atual cidade) de São João Del Rei.

            Ali, no planalto se construiu, então, outra igreja, com a mesma invocação da primeira: Nossa Senhora da Conceição,que se localizava em Passagem do Gagé. A nova igreja ficava mais acima um pouco de onde se ergue a atual Igreja de São João.

            ASSIM, NO BAIRRO DO SÃO JOÃO, FOI CONSTRUÍDA A PRIMEIRA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, COMO CONCLUÍ COM MINHAS PESQUISAS.

            Até algum tempo atrás, era desconhecida a existência de uma matriz de Nossa Senhora da Conceição, além da que existe na praça Barão de Queluz.

            COMO FIQUEI SABENDO DESSA MATRIZ ANTERIOR E COMO DESCOBRI O SEU LOCAL?

Padre Antônio José Ferreira Viçoso, 7° bispo de Mariana
Imagem da Internet
  1. Viçoso, em um relatório feito sobre a Freguesia de Queluz (Livro de Relações

do tempo de D. Viçoso, folha 107), escreve:

            “Vila de Queluz, Freguezia de Nossa Senhora da Conceição. Correr do ano de 1709 foi ereta a Capela dedicada a N. Senhora da Conceição no Campo Alegre dos Carijós…”

            Nos escritos de Padre José Duarte, fiquei sabendo que, em reunião da Irmandade do Santíssimo Sacramento , em 1731, ficou resolvido que a Irmandade faria uma nova matriz porque, com o aumento populacional, a existente ficara pequena. Como a povoação estava se estendendo para o lado da atual matriz, escolheu-se o ali o terreno e, em 1732, foi concedida a provisão para a construção do majestoso templo que hoje vemos dando sua frente para a Praça Barão de Queluz.

            MAS ONDE SERIA ENTÃO A PRIMEIRA MATRIZ?

            Um dia, consultando o documento de concessão da sesmaria a Jerônimo de Pimentel, datada de 1711, vi que ali encontraria uma pista para chegar a uma resposta a essa pergunta.. O documento concede a Jerônimo:

            “…legoa e meya de terra em quadro que se principiara do ribeiro da Casa Branca pelo caminho do povoado, até a igreja de N. S. da Conceição, meya legoa da estrada para o poente e huma legoa para o nascente e mato grosso, partindo com as terras de João da Silva Costa, e com as de Amaro Ribeiro, q.° se achavam devolutas…”

            Foi nas terras dessa sesmaria que, a partir de então, desenvolveu-se o arraial. O povoado de Casa Branca localiza-se entre Gagé e Morro da Minas. Foi o início de minha pesquisa. Para localizar a primeira matriz teria de percorrer o caminho citado na concessão da Sesmaria. As medidas de terra, antigamente, eram bem rigorosas. Encontrei no Dicionário Caldas Aulete, volume 3, da Editora Delta, 3ª edição, o seguinte: (Bras.) Légua de sesmaria, antiga medida itinerária ,equivalente a 330 braças ou 6,6 km. Fazendo as contas, a légua e meia daria 9,9 km.

            Primeiramente com meu filho Antônio, segunda vez com meu filho Mário Antônio, resolvi seguir o caminho indicado. A quilometragem começou a ser marcada a

partir da ponte existente sobre o ribeiro da Casa Grande. A estrada é direta para a cidade, não podia haver erro, cercada de vegetação, em certos lugares cercandobarrancos, e de matas virgens. No final da subida estava o Bairro de Santa Efigênia.

            Imaginem aonde cheguei exatamente nos 9,9 km? A uns poucos metros acima da Igreja de São João.

            Mas a história ainda não havia terminado. Um dia, examinava a reprodução de uma litogravura feita de desenho de um artista que, por ocasião do Movimento de 1842, acompanhava as tropas registrando o cenário da luta em cada cidade. Ali estavafocalizado o anfiteatro da última batalha em Queluz. Ao localizar o local por onde entrava a coluna dos liberais que vinha de Itaverava`(naquele tempo havia uma estrada que ia do Bairro de São João até Itaverava), tive o prazer de encontrar uma construção que poderia ser a igrejinha lá no alto do morro, bem à esquerda, virada para o Leste, justamente onde está hoje a Igreja de São João.

 

No recorte pode-se ver, lá no alto, bem no meio, a imagem da igreja.

Existe uma reprodução dessa litogravura numa belíssima pintura em azulejo, no

Banco do Brasil de Conselheiro Lafaiete, de autoria da artista Elba Seabra do Carmo. Há um pequeno detalhe diferente, mas que fortalece ainda mais a minha tese de que seria uma igrejinha. Na parede dos fundos há uma porta e uma cruz encimando a construção, talvez por informações de alguma pessoa conhecedora da história do bairro, indicando a presença de um templo naquele local em tempos passados. Na parede dos fundos há uma porta e uma cruz encimando a construção, talvez por informações de alguma pessoa conhecedora da história do bairro, indicando a presença de um templo naquele local em tempos passados, assim a renomada e sensível artista acrescentou esses detalhes, sem adivinhar que um dia eles seriam uma importante ajuda histórica.

Pintura de Elba Seabra do Carmo

E tanto tempo sem que alguém reparasse naquela igrejinha… É como se ela é que nos olhasse, há tanto tempo, desafiadora. Era mais uma pista que confirmava a hipótese.           Mas ainda havia um problema: para se fazer uma afirmação histórica é necessário atentar para tudo o que possa confirmar a descoberta. A ponte aonde foi iniciada a medida seria mesmo a do ribeirão da Casa Branca? Isso era determinante para a medida do caminho. Até então não passava de uma hipótese em minha mente.

                                                                                              (Continua)

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