Garimpando – Notícias de Conselheiro Lafaiete – 6

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Avelina Maria Noronha de Almeida

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QUANDO MOÇOS DE CARIJÓS E ITAVERAVA FORAM ENFRENTAR

O CORSÁRIO FRANCÊS DUGUAY-TROUIN

No curto prazo de seis dias, o Governador conseguiu reunir seis mil

homens, “homens da melhor e mais luzida gente (..) assim forasteiros como

Paulistas”, como depois a referida autoridade comunicou a el-Rei.

Imagem da Internet                                      Invasão Francesa em 1711

Vou passar para o leitor a notícia mais antiga que se tem de gente de CARIJÓS (como era chamada a nossa cidade no século XVIII até transformar-se em REAL VILLA DE QUELUZ) fazendo parte de uma tropa militar em defesa da soberania de nosso País

                        As Capitanias de São Paulo e das Minas haviam sido desmembradas da do Rio de Janeiro tendo sido criada, por carta régia, a 9 de novembro de 1709, a CAPITANIA DE SÃO PAULO E MINAS DO OURO.

Imagem da Internet

El-Rei nomeara, como governador da recém-criada capitania, o notabilíssimo CAPITÃO GENERAL ANTÔNIO DE ALBUQUERQUE COE-LHO DE CARVALHO, que tomou posse em 18 de junho de 1710, tendo como missão especial apaziguar os ânimos exaltados de brasileiros e reinóis na região das minas.

            Era o ano de 1711. No dia 21 de setembro havia chegado às Minas uma notícia terrível: 18 embarcações de guerra da armada francesa, sob o comando de DUGUAY TROUIN, o almirante mais afamado do mundo naquela época, entrara no porto do Rio de Janeiro e sitiara a cidade, preparando-se para invadi-la.

Imagem da Internet Dugay Trouin

El-Rei nomeara, como governador da recém-criada capitania, o notabilíssimo CAPITÃO GENERAL ANTÔNIO DE ALBUQUERQUE COE-LHO DE CARVALHO, que tomou posse em 18 de junho de 1710, tendo como missão especial apaziguar os ânimos exaltados de brasileiros e reinóis na região das minas.

            O governador do Rio de Janeiro pedira ajuda ao governador de Minas Gerais. No curto prazo de seis dias, o Governador conseguiu reunir seis mil homens, “homens da melhor e mais luzida gente (..) assim forasteiros como Paulistas”, como depois a referida autoridade comunicou a el-Rei. ENTRE ELES, HAVIA MOÇOS DE CARIJÓS E ITAVERAVA.

            No dia 28 de setembro, pelo Caminho Novo, a tropa das Minas Gerais, composta de homens do povo, escravos, milicianos, fazendeiros que deixaram suas roças, mineradores que deixaram suas lavras iniciava a caminhada para socorrer a cidade sitiada. Os proprietários ricos forneciam armamentos e mantimentos. Havia um regimento de cavalaria, porém a maioria ia a pé.

            Reuniram-se na encruzilhada de Congonhas e partiram, cheios de ardor cívico. Em cinco dias, o exército chegou à Fazenda Borda do Campo (Barbacena), onde não só foi acolhido como abastecido com gêneros para a viagem pelo Cel. Domingos Rodrigues da Fonseca. Além disso, mais duzentos homens se juntaram aos já existentes. Marchando quase sem parar, atravessando rios às vezes caudalosos, sofrendo todas as agruras da viagem, como as inclemências do tempo, as picadas de mosquitos e tantos incômodos, com mais doze dias os componentes da tropa chegaram à Serra do Mar. O Governador mandou acampar ali, na Chapada dos Pousos Frios, na região chamada Tinguá. Ficaram aguardando os que vinham na retaguarda.

            A expectativa da chegada ao destino agitava a tropa. A esperança de ALBUQUERQUE era chegar antes que os franceses invadissem a cidade  e livrá-la do cerco ameaçador. De onde estava, podia avistar parte da cidade e a baía de Guanabara. Viu que algumas naus estavam ancoradas no porto, mas não enxergava mais nada.

Foi quando passou um cavaleiro afobado e informou que o governador da cidade do Rio de Janeiro, Francisco de Castro, e os habitantes resistiam heroicamente. À noite, Albuquerque viu, lá do acampamento, um clarão avermelhado ao longe. É que uma parte da cidade estava dominada pelo fogo. Muitas propriedades tinham virado cinzas

Começaram a passar carruagens cheias de pessoas que fugiam para Minas.

Alguém contou que os franceses haviam jogado, dos navios, foguetes inflamados nos tetos de palha das moradias de Santa Luzia e Castelo e a ventania, que soprava forte, estava espalhando o fogo por bairros inteiros. O fogo atingira até o palácio do governador. A criadagem estava abrindo buracos na terra e enterrando as baixelas de ouro e prata para não serem pilhadas.

            Albuquerque mandou que a tropa descesse a serra. Foi quando chegou um  emissário do governador do Rio de Janeiro a quem tinham avisado da proximidade da ajuda mineira. Assim o nosso governador relatou depois, em carta, a el-Rei, quando tudo já estava terminado:

“(…) e em dezessete dias cheguei às avizinhanças desta cidade, e parecendo-me a acharia ainda defedendo-se, tive avizo do dito governador de q.° a havia perdido, pedindo-me a viesse restaurar. Prossegui a minha marcha, despedindo ordens às Minas pa.  vir mais gente, mantimentos e gados, pois supunha o paiz justamente ocupado pelo inimigo, e ao descer a serra me chegou outro avizo do dito Governador, anunciando-me se tinha determinado a capitular com o inimigo, e logo sem demora me fez terceiro avizo com a certeza de haver ajustado a compra da cidades e fortalezas pr. 610.000 cruzados, 100 caixas de açúcar e 200 vacas e em reféns do mestre de Campo João de Paiva, dois capitães de infantaria, um delles seu irmão; e como me parecesse desacerto grande o tal ajuste, pois se poderia esperar este meu socorro, ainda tendo-se-me pedido, quanto mais sabendo-se q.°  já vinha em marcha a contenuei até onde suppunha estarem as munições, q.°  por muitas vezes tinha pedido, e havendo polvora bastante, achei só quatro cunhetes de bala, sem esperança de alcançar mais alguma, em cujos termos, e com a certeza de q.°  também se havião perdido as fortalezas da barra, e estavão pelo inimigo bem guarnecidas, quando com facilidade se poderião ter conservado, principalmente a  de  Santa Cruz, me resolvi a fazer alto com as minhas tropas distante desta cidade quatro legoas.”

            Esse local era o Engenho Velho. O Governador das Minas não se conformava de não ter chegado a tempo de evitar a invasão. Teria de restituir a cidadania ao Rio de Janeiro. Os soldados estavam inquietos. Uns não se conformavam em não avançar logo e destruir o inimigo, principalmente os que tinham parentes naquela cidade.

            MAS ALBUQUERQUE ERA UM EXCELENTE ESTRATEGISTA. Sabia que não seria prudente avançar naquele momento. Sua tática seria outra. Pensou da seguinte maneira: se o negócio do ajuste estava tão adiantado, com reféns passados, moradores comunicando-se com muita familiaridade com o inimigo e comerciando com ele, havendo lá falta de munição e todos já estando sossegados, poderia não ter sucesso, naquela hora, uma operação de ataque aos franceses. Melhor seria fazer entender ao inimigo que não deixaria que ampliassem a sua conquista, pois percebeu que o objetivo do invasor não era, na realidade, a posse da cidade do Rio de Janeiro, mas a entrada para o interior do País, onde pensavam encontrar ouro e outras riquezas. Assim, aquartelou-se em parte pouco distante, mandando tomar logo todos os postos e estradas por onde  poderia o inimigo entrar ou que possibilitassem aos brasileiros comerciar  com os franceses, proibindo esse comércio “por bandos e graves penas e confiscando-se o q.° lhes era achado”. Com essa estratégia, dentro em pouco começaria a faltar muita coisa dentro da cidade e a situação não ficaria agradável para ninguém que lá estivesse.

            A manobra foi coroada de êxito. Assumindo, daquela maneira, o governo da cidade a partir do local onde estava aquartelado, o nosso capitão-general conseguiu controlar a situação, intimidando os invasores: “(…) com cuja novidade se começarão os franceses a se intimidar, dobrando as guardas e guarnição da fortaleza de Santa-Cruz, embacando logo o que q.° tinhão em terra, como também o seu general apressando a última satisfação do q.°  se lhes devia, e recebendo-a partirão entregando a fortaleza de Santa Cruz, depois de sahir a ultima embarcação, mostrando irem bem satisfeitos do importante saque, q° tiverão e o ouro q° acharão, não sendo menos que se lhe deo o q.° grangearão na venda das fazendas e de muitos navios, q.° sem serem os donos se lhes comprarão, tudo a troco de ouro(…)”.

            Foi uma alegria geral. Abraçavam-se todos, mesmo portugueses e paulistas, até pouco tempo antes lutando entre si na Guerra dos Emboabas.

Tudo terminado, Albuquerque mandou a el-Rei uma carta, onde fala do sucesso que experimentou ao socorrer o Rio de Janeiro, “atropelando mil dificuldades e excessivos trabalhos por serras e caminhos fragozos” exaltando os participantes “na promptidão e obediencia, com que os achei nessa ocazião, deixando suas lavras e roças, trazendo os mesmos escravos com mantimentos e armas, e me pareceo conveniente, q.° Vossa Magestade sendo servido lhes mandasse agradecer por carta às Câmaras das Villas, q.° também  no que lhes tocou de dar mantimentos e carruagens, se houveram com toda a pontuallidade” e fala a seu  próprio respeito: “o desvelo com q.º procurei livrar a esta cidade da ruína (…)” E termina:

            “A real pessoa de Vossa Magestade guarde Deus por muitos annos.

Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1711, Antonio de Albuquerque de Coelho Carvalho.”

            DOMINGOS DA COSTA GUIMARÃES, aquele moço de Itaverava que convenceu o governador a acudir ao apelo do governador do Rio de Janeiro, foi condecorado  porque “Na invasão francesa de 1711 revelou “Amor ao Estado e zelo público.”

 

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