Movimento que visa ao fortalecimento do empreendedorismo e da cultura da inovação aponta novas demandas

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Incentivados pelo Governo Municipal e sua Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, as instituições integrantes do Ecossistema de Inovação realizaram a Oficina Regional de Ciência, Tecnologia e Inovação, no Museu de Congonhas. Prefeitura, o mundo acadêmico, grandes empresas e empreendedores locais avaliaram os trabalhos em curso. Esta reunião estratégica serviu para que os participantes propusessem ajustes que precisam ser feitos com urgência e apontassem ações futuras. O objetivo desta união é fortalecer o empreendedorismo e criar a cultura da inovação.

Instituições de Ensino como a UFSJ Campus Alto Paraopeba, unidades do IFMG de Congonhas, Ouro Branco e C. Lafaiete, de São João Del-Rei, empreendedores locais, grandes empresas da região como Gerdau, Ferrous, CSN e VALE, entre outras, estão somando forças para o fortalecimento deste ecossistema de inovação, proposto pela Prefeitura de Congonhas, por meio de sua Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia. A Secretaria de Educação do Município também participa efetivamente deste processo.

“A oficina apontou diversas demandas para que se transforme em políticas públicas e ações para Congonhas, mas também para Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete e outras cidades vizinhas. Aqui na região, há muitos estudantes cheios de ideias inovadoras e preocupados com o futuro, mas entusiasmados com essas possibilidades para as quais este ecossistema de inovação aponta. Precisamos de um ambiente que favoreça a transformação dessas ideias em soluções práticas. A estrutura física, uma sociedade mobilizada, o conteúdo e o mercado se complementarão”, diz uma das monitoras da oficina, Daniele Cardoso, da Comunidade Vertentes de Inovação.

Movimento que visa ao fortalecimento do empreendedorismo e da cultura da inovação aponta novas demandas/Divulgação

Presente à oficina, acompanhado do diretor de Inovação, Tecnologia e Novos Negócios, Eduardo Marçal, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Christian Souza Costa, lembrou que a Prefeitura de Congonhas se mostrou disposta a fomentar o ecossistema de inovação. “Então convidamos instuições de ensino como a UFSJ Campus Alto Paraopeba, IFMG Campus Congonhas, CET, empresas mineradoras VALE, CSN, Ferrous e Gerdau e a sociedade civil para atuarmos juntos. Começamos há 6 meses com a criação de uma Secretaria específica e da Política Municipal de Estímulo ao Empreendedorismo Digital, de Startups, de Empresas de Inovação e Tecnologia, instituída pela Lei 3.713 de 20 de novembro de 2017.   Alugamos um espaço de 900 m² para a instalação do hub de inovação [espaço utilizado para difundir conceitos, estratégias e soluções inovadores]. Estamos trabalhando para, assim que este hub estiver instalado e funcionando, lançarmos um Edital, dentro de um programa de aceleração de startups, para transformar ideias em empresas. Enviaremos para a Câmara Municipal o projeto de lei, propondo a criação do Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico, que será alimentado por 20% do Município com a Cfem, que é o Royalty do minério de ferro, para financiar também a Política Municipal de Inovação e Tecnologia. Iremos realizar também, em parceria com a FIEMG, por 6 meses, Semanas de Inovação e Tecnologia”, contextualizou o secretário.

Demandas

Representantes de instituições, empreendedores e universitários contribuíram com diversas ideias para fazer a máquina do ecossistema de inovação de Congonhas e região acelerar. Para o diretor geral do IFMG Campus Congonhas, Joel Donizete Martins, “a formação acadêmica precisa incentivar a cultura empreendedora, contribuindo para o surgimento de oportunidades. O foco das instituições de ensino deve ser preparar os alunos para trabalharem com as empresas, e não nas empresas. Essas instituições precisam também instrumentalizar os alunos para encontrarem soluções de questões práticas, que o mercado ao seu redor necessita. Tanto o IFMG quanto a UFSJ são recentes aqui na região e possuem como objetivo trabalharem neste sentido. Outro desafio que temos é aproximar este trabalho de inovação da sociedade. Parabenizo Congonhas pelas iniciativas nas áreas de inovação e tecnologia, como também de turismo e sugiro que se encontre uma forma de aproximar mais as pessoas destas iniciativas”.

A professora do Departamento das Engenharia de Telecomunicações e Mecatrônica da Universidade Federal de São João Del-Rei,

Rina Mariane Alves Dutra, afirmou que as diversas instituições que formam este ecossistema de inovação demonstram muita vontade de que esta iniciativa dê certo, mas apontou entraves que precisam ser superados. “Todos nós envolvidos neste processo estamos, mas faltam alguns aspectos ainda para lincar todos estes entes. Por exemplo, uma aproximação dos departamentos jurídicos da Prefeitura, das instituições de ensino e das empresas facilitaria o avanço deste trabalho. Também concordo que falta também ação de marketing para alcançarmos a sociedade”, observou.

Representantes das empresas mineradoras concordaram com o diretor do IFMG Campus Congonhas em sua afirmativa de que as universidades da região precisam oferecer inovações que solucionem problemas reais das empresas instaladas na região, já que elas dependem também de inovações para continuarem sendo viáveis economicamente. Eles também acreditam que parte dinheiro gerado pelo setor minero-siderúrgico deve ser investido pelo poder público e a iniciativa privada na busca novos nichos de produção, que setornariam alternativas econômicas para Congonhas e região.

O empreendedor congonhense Thiago Henrique Freitas Policarpo aposta dia a dia na inovação e tecnologia para conseguir seu espaço no mercado. “Fiquei muito feliz em poder participar deste encontro sobre inovação. Ver este movimento tomando corpo nos motiva a contribuir e poder alcançar mais pessoas que queiram trazer soluções inovadoras para nossa cidade e região. Agora o nosso maior desafio é conseguir gerar mudanças culturais para que deixemos os pensamentos da economia tradicional e possamos construir novos negócios e políticas a partir dos conceitos da nova economia”, diz.

Junia, natural de Mariana e aluna do Curso de Engenharia de Telecomunicações e integrante da empresa júnior do curso, Soft Tech, garante: “Todos nós podemos fazer a diferença no meio onde vivemos. Gosto de incentivar as pessoas que estão ao meu redor. Já trabalhei em empresa privada, hoje tenho um sonho de trabalhar com startup para apresentar soluções na área de microprocessadoras e aplicativos Androids e continuar na região. Iremos apresentar estes projetos para as prefeituras de Congonhas e Ouro Branco. Pensamos também em criar um aplicativo voltado para o eleitor. Quando senti que a Prefeitura de Congonhas começou a abrir as portas para o mundo acadêmico participar deste projeto de incentivo ao empreendedorismo, vi que meu sonho começou a se transformar em realidade”.

Werley, aluno de Congonhas da UFSJ, propõe que haja também outra forma de relação entre a empresa e o empreendedor. “Seria interessante trazer as empresas para junto das universidades, já que o aluno geralmente não tem recursos para desenvolver seus experimentos. E nem todo estudante será um empreendedor”.

Kátia Souza, diretora de Educação para o Trabalho da Secretaria de Educação da Prefeitura, lembrou que na rede municipal de ensino, o tema empreendedorismo foi inserido primeiro entre os professores, para que partisse deles a mudança de cultura necessária sobre este assunto. “Em Congonhas, a maioria da população nasce querendo um emprego nas empresas mineradoras. Nosso objetivo é ampliar esta visão de mercado de nossos alunos e suas famílias. Precisamos deixá-los bem informados das possibilidades que existem no meio acadêmico e no mercado de trabalho, principalmente da região”.

As proposições apontadas pelos participantes nesta oficina e nos meetups, já realizados, serão reunidas em um documento e encaminhadas aos órgãos que incentivam o fortalecimento deste movimento em Congonhas e região.