Trotes no Samu cresceram 58% em 2018; iniciativa da Câmara de Lafaiete pode ser levada aos Legislativos de mais de 50 cidades

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“Não podemos brincar com a vida. O trote é um crime.” Assim expressou a Secretária Executiva do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência Centro-Sul (CISRU), Ormesinda Barbosa, ao ministrar uma palestra para estudantes, ontem, dia 23, na Câmara, durante reunião pública, proposta pelo vereador Darcy da Barreira (SD).

A secretária executiva do CISRU, Ormesinda Barbosa ministrou palestra buscando conscientização contra os trotes no SAMU/CORREIO DE MINAS

O tema central da fala da secretária foi em torno dos trotes que são os hoje um dos principais problemas enfrentados pelo Samu e o público que mais comete esta praga são as crianças. A palestra discorreu sobre a conscientização para combater os trotes. “Enquanto uma ambulância atende um trote, uma pessoa pode perder a vida”, discorreu Barbosa. “A brincadeira de passar trote ao SAMU pode parecer irrelevante, porém, os prejuízos causados por esta atitude são incalculáveis. A mobilização de uma unidade inteira de atendimento para atender a uma chamada falsa pode causar enormes prejuízos, inclusive, cerceamento da vida de alguém”, assinalou.

Segundo Ormesinda, as pesquisas promovidas pelo Samu apontam que após as saídas das escolas e nas férias são que as épocas que os trotes mais crescem. Somente um número detectado ligou este ano para o Samu mais de 3,5 mil vezes para passar trotes. O número foi identificado e o caso foi levado ao Ministério Público.

Nos 6 primeiros meses de 2018 foram realizados 24.605 trotes contra 1.567 de todo o ano de 2017, um aumento de 58%. “São 5 trotes por hora e 118 ao dia”, explicou Ormesinda.  “Isso é um atentado contra a vida”, observou.

O projeto

A palestra atende um pedido do vereador Darcy da Barreira visando conscientizar e mobilizar o público infantil e adolescente sobre os trotes. Tramita na Câmara um projeto de sua iniciativa que institui uma multa aos proprietários de linhas telefônicas cujos aparelhos sejam originadas trotes ao Samu.

A maioria dos trotes é originário de crianças e adolescentes/CORREIO DE MINAS

Após anotado,  o número do telefone, o Samu enviará os respectivos relatórios às empresas telefônicas para que elas informem os donos. O órgão competente municipal adotará as medidas cabíveis e lavratura de auto de infração.

Ormesinda elogiou a iniciativa pioneira da Câmara de Lafaiete. “Vamos replicar este projeto nos outros 50 municípios. A lei servirá de modelo para outras cidades adotem esta legislação. O trote é um atentado à vida”, observou.

O CISRU, com sede em Barbacena, foi o 2º consórcio criado em Minas, abrange 51 cidades em um público de 800 mil pessoas.

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