Urbanicidade:“Gás de cozinha – a Petrobras tem raiva de pobre”

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Reproduzo aqui um artigo do jornalista André Mota Araújo a respeito da política dos preços do insubstituível gás de cozinha na vida das pessoas. É uma crítica pesada que atinge a nova administração federal, principalmente ao ministro (minúsculo) Paulo Guedes, aquele que quer destruir um país para deixar a carniça para os seus, ou seja, para os banqueiros. Realmente, passamos por um mau momento. O original pode ser lido aqui.

“O preço do botijão de gás é PESADO para quem ganha salário mínimo ou nem isso e é IRRELEVANTE para famílias de renda mais alta, portanto é muito mais impactante para as classes C, D e E

Foto UOL

A Petrobras acaba de anunciar o aumento do preço do gás de cozinha, componente essencial do custo de vida da população pobre do Brasil, isso após a violência da revolta chilena causada por incompatibilidade entre a renda dos mais pobres e a elevação absurda de preços essenciais para a vida.

A insensibilidade dos atuais dirigentes da economia não tem nenhum limite. A PETROBRAS está importando da Bolívia menos da metade do gás que dispõe a preços controlados por um Tratado, sendo dela o gasoduto GASBOL, preferindo importar gás LNG a custo que é o triplo do gás boliviano.

Segue a mesma lógica do diesel e da gasolina, que prefere importar dos EUA invés de refinar no Brasil, enquanto exporta óleo cru de valor muito menor.

Depois alega condições de mercado para aumentar o preço do gás de cozinha, afrontando a lógica econômica sob a capa de uma “racionalidade” de conveniência. É mais racional aumentar o preço do gás de cozinha do que pagar US$2,9 bilhões a um grupo de advogados de acionistas minoritários em Nova York, em um acordo mal explicado, mal negociado, mal discutido? Ou pagar 400 milhões de Reais a escritórios de advocacia americanos para ações de compliance, valor que nem a maior empresa do planeta pagaria sem discutir até o último centavo? Quer dizer, a PETROBRAS é de uma sovinice cruel quando se trata de não favorecer em míseros reais os pobres do Brasil, mas é super generosa quando do outro lado do guichê estão americanos chiques?

E nem se alegue que as refinarias brasileiras da PETROBRAS não podem refinar aqui o diesel e a gasolina, elas estão operando muito abaixo de sua capacidade e, se ajustes forem necessários, por que não se faz? Refinar aqui gera empregos aqui, impostos aqui, gera riqueza no Brasil e não no Texas.

O neoliberal governo tucano do Presidente Fernando Henrique foi atencioso com os pobres do Brasil com o VALE GAS, criado em 2001 para que as famílias mais pobres pudessem comprar o gás de cozinha mais barato. A ausência do poder de compra do gás leva as famílias a usarem LENHA para cozinhar, uma crueldade com elas e com o País, lenha vem de floresta e torna-se um risco para as pessoas e para o meio ambiente, risco de incêndio nas comunidades.

O preço do botijão de gás é PESADO para quem ganha salário mínimo ou nem isso e é IRRELEVANTE para famílias de renda mais alta, portanto é muito mais impactante para as classes C, D e E, para os desempregados, subempregados, o conjunto de 180 milhões de pobres do Brasil, não afeta os ricos.

Para completar a injuria, o AUMENTO do preço do gás de cozinha foi MAIOR (4,8%) do que o aumento do mesmo gás para as empresas (2,9%), por quê?

A origem do gás é exatamente a mesma, por que os pobres devem pagar um aumento maior do que as empresas? Parece de proposito, a PETROBRAS tem mesmo raiva de pobre, gosta de acionista minoritário de Nova York para quem não regateia e paga o que pedem, adora os engravatados do compliance americano que viajam de classe executiva, PAGA PELA PETROBRAS e faturam horrores todo mês para monitorar a empresa, afinal tudo é pago pelos brasileiros, especialmente os de baixa renda, aqueles que carregam nas cotas cansadas os botijões de gás agora mais caros.”